<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-16934420</id><updated>2011-12-02T16:56:04.994-02:00</updated><title type='text'>djdolores</title><subtitle type='html'>textos publicados em jornais e revistas</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://djdolores.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://djdolores.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Helder</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14139404676657431741</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SUoQWcMXEPY/S_YT6l5lT_I/AAAAAAAAABw/kedH7wB17qs/S220/Foto62.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>52</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16934420.post-8348118381008580211</id><published>2010-05-27T07:34:00.002-03:00</published><updated>2010-05-27T07:37:43.286-03:00</updated><title type='text'>Diario da Dinamarca #9</title><content type='html'>São sete da manha e o gari varre diligentemente a rua, tirando pontas de cigarro de frestas das pedras na calcada. Um veiculo com grossas escovas giratórias limpa o asfalto, levantando uma poeira leve. Ele vai de um lado ao outro, cruzando com os moradores apressados em cima de suas bicicletas. Em contraste, o gato preto e parrudo que circula na região esta deitado na grama, barriga para cima e, provavelmente – assim gosto de imaginar -, tem um sorriso de gato na cara.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um pai segura a mochila da filha pequena e abre a porta do seu carro, uma mulher dentro de um vestido que lhe cobre todo o corpo, usando um lenço na cabeça, caminha olhando para o chão, uma moca usando fones de ouvido cantarola em alto e bom som sem se importar com o ridículo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais um dia começa em Copenhagen....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou na pequena cozinha e preparo meu café da manha: corto uvas, tiro-lhes o caroço, misturo com iogurte, ponho um pouco de aveia e vou comendo enquanto leio um livro. Na seqüência, café e cigarro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As vezes faço uma salada, as vezes um sanduíche de queijo... comer eh sempre uma preocupação em viagem. Gosto de me alimentar adequadamente, variar de cardápio, evitar gordura...e, falando nisso, não sei o quanto estou pesando. Minha medida eh uma apertada bermuda que não foi feita para o meu tamanho e que carrego sempre comigo. Se eu consigo vesti-la e respirar normalmente eh porque estou bem, caso contrario, devo ter ganho alguns quilos na região do abdomen.&lt;br /&gt;Não sei se engordei depois de tantas vezes ser obrigado a comer um sanduíche ou um cachorro quente na rua por pressa ou falta de opção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A comida daqui eh uma das piores das partes do mundo que conheço: come-se frio, sem sal, pouco tempero... come-se peixe frio, cru ou defumado, adocicado, muito pão, batatas e, como eh de se esperar de um pais com baixas temperaturas, gordura em excesso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os moradores sentam-se em mesas nos cafés para devorarem imensos sanduíches empapados de um creme branco. Sanduíches que negam o culto ao design local por sua falta de funcionalidade: fatalmente se desmontarão, pedaços soltos desabarão sobre o chão e as roupas do faminto. Ha gente comendo na rua mas são exceções. Diferente das grandes metrópoles como Paris, Londres ou Nova Iorque – lugares onde come-se nos parques, no metro, andando apressadamente pelas calcadas -, as pessoas aqui movem-se lentamente, o que da idéia de quão provinciana eh essa cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas grandes cidades eh possível perceber quem eh turista pela velocidade do seu passo. Os moradores estão sempre atrasados, correndo atrás da sobrevivência, lutando contra trens e ônibus que não chegam, pulando de um emprego para o outro. Em Copenhagen nada disso acontece, eh como uma vila muito prospera e super desenvolvida, mas ainda assim, um vila: os moradores se conhecem, cumprimentam-se na rua, estão dentro de círculos que envolvem famílias, colegas de escola, de trabalho, grupos solidamente construídos durante toda uma vida, dai a dificuldade deste viajante em travar amizades e penetrar através das grossas muralhas dos relacionamentos sociais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Observo alguma moedas pois meus cigarros acabaram e terei que sair pra comprar. A moeda de maior valor eh a de vinte kronos, gordinha, com o perfil da Rainha Margarete estampada em uma das faces. Nas duas que tenho em mãos numa tem na outra face o navio MS Selandia, um marco da navegação nacional e outra,  a torre do que parece pertencer ao palácio de Grasten. Segue-se a de dez, um pouco menor, com a sempre presente Rainha de um lado e do outro, uma homenagem a H.C. Andersen, originário de Alborg, mas enterrado no cemitério bem em frente de onde moro. As moedas de dois e cinco kronos tem furos no meio e deve ser esse furo que faz a diferença de peso para o reconhecimento em tantas maquinas de auto-servico que existem por aqui, de cigarros, balas, maquinas de lavar roupa, etc...&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;Para saber quanto vale um krono, o calculo eh fácil: divida por 30, multiplique por 4 e você terá aproximadamente o valor em euros. Pare por ai porque seria um erro continuar a conversão para reais, se assim for feito, uma dor lancinante tomara conta do seu bolso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma cerveja num bar bacana custa 50 kronos, façam o calculo e entendam o que digo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta quinta-feira espero meu amigo Marcus chegar da Suíça para uma visita de 4 dias, isso significa excelente companhia para passear, filosofias de boteco, viagens no tempo e alternar niilismo com soluções definitivas para os problemas do ser humano e da civilização que esse bípede metido inventou de inventar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos conhecemos ha mais de vinte anos e o que ha de bom nisso eh que nossas discussões foram se refinando a tal modo que não precisamos de muitas explicações para entendermos mutuamente nossos rodeios, metáforas ou ironias pois sabemos o que o outro esta querendo dizer mal se começa uma sentença. Uma boa conversa eh um jogo intelectual, onde não se pretende ter razão em nada, apenas desenvolve-la, deixa-la fluir, brincar com as palavras e, como no pôquer, blefar com o parceiro, engana-lo para fazer graça, sorrir das besteiras... enfim, uma boa conversação, em volta de uma mesa, com café, cerveja ou conhaque para estimular os presentes, eh uma das melhores formas de exercitar do dolce far niente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu queria estar ao lado da minha estante de livros para poder citar a louca conversação narrada por Cabrera Infante em “Havana para um infante defunto”, toda baseada em trocadilhos improvisados, levando a um resultado de puro non sense, exigindo de seu participantes raciocínio fenomenal e muita habilidade com as palavras. Mas lembro do inicio de outra conversa bastante peculiar, essa descrita por Ralph Steadman em “Freud”. Freud, Jung e mais um colega que não me vem a memória, estão num navio, rumo a nova iorque. Um deles, enjoado, vomita e diz: “Estou passando mal, deve ser algo que comi”. No que o outro completa que “ou foi algo que você pensa que comeu” e o terceiro emenda com “ ou talvez você tenha pensado em comer alguma coisa” e segue-se um longo dialogo especulativo, tipicamente psicanalítico, em que palavra e realidade são indissociáveis. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das piores coisas de estar aqui eh não entender a língua. No inicio me assustava com um “Kyllinge”  onipresente nos restaurantes. Seria o atendente um assassino convicto? Não, trata-se de frango, galinha, algo inofensivo e, se bem preparado, saboroso. Nada que mate. Já “tak for det” (pronuncia-se “ta que fode”) não eh nenhuma grosseria, ao contrario, eh “muito obrigado por isso”.  Ouvindo não da pra perceber mas quando se escreve eh notável a semelhança com o “thank you for that”, do inglês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos festivais eh comum ver varias vans amarelas, meio que caindo aos pedaços. Nas laterais esta escrito “leg et lig”, ou seja, “alugue um cadáver”. Trata-se de uma companhia especializada em locar vans que, de tão velhas, não vão ter sua licença renovada, portanto o preço eh bem baixo e seus clientes, bandas iniciantes, com pouca grana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devo encontrar Marcus na Estação Central, onde já fui muitas vezes mas sempre de táxi pois estava carregando meu equipamento. Dessa fez, vou a pe. Como fazer para chegar nos lugares sem se perder? Simples: va no Google Maps, digite o ponto de origem e onde se quer chegar, fotografe a tela do computador e, usando o recurso de zoom para visualização de imagem da câmera, se deixe guiar. Não tem como dar errado!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São quase onze da manha e eh hora de um lanchinho pois, calculando bem, se for esperar para almoçar com&lt;br /&gt;meu amigo que soh chega pouco depois da uma da tarde e antes vai passar no hotel – de auto atendimento, sem funcionários na portaria – so iremos encara alguma comida la pelas duas. Nesse clima frio a fome eh constante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preparo um sanduíche de atum, ponho-o no forno para esquentar. Comida fria eh coisa de dinamarquês, reptil ou barata!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Baratas, baratas... Um outro amigo ficou com as chaves do meu apartamento e tem se utilizado dele nos fins-de- semana. Deu-me a péssima noticia que pequenas baratas tomaram conta do lugar. Não consigo entender pois isso nunca aconteceu antes! Ele me contou através de skype, uma das melhores invenções do homem – no caso, o homem foi um dinamarquês que, posteriormente, encheu el culo de dinheiro com a venda de sua criação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parte da minha rotina eh ditada pelo Skype ou Facebook pois assim mantenho contato com meus amigos no Brasil. Entao, as 3 da tarde sempre estou online, procurando me inteirar das novidades ou apenas puxando assunto para não ser esquecido. A diferença eh de 5 horas de fuso e percebi que dez da manha por ai – três da tarde aqui -  eh um momento de pico na rede. Muita gente esta online, começando o dia de trabalho, verificando emails ou apenas enrolando o tempo antes do inicio das atividades do dia. As vezes tiro um cochilo no começo da noite para ficar acordado ate tarde e poder falar mais tranquilamente com o povo, a essa hora, em casa e mais disponível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A eminência da volta traz saudades e mal posso esperar para me sentar num daqueles bares nojentos, geralmente a beira do esgoto, com garçons que parecem sofrer de deficiência auditiva, mas que são os lugares favoritos desse povo de gosto tão peculiar que eh o recifense.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16934420-8348118381008580211?l=djdolores.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://djdolores.blogspot.com/feeds/8348118381008580211/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16934420&amp;postID=8348118381008580211&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/8348118381008580211'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/8348118381008580211'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://djdolores.blogspot.com/2010/05/diario-da-dinamarca-9.html' title='Diario da Dinamarca #9'/><author><name>Helder</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14139404676657431741</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SUoQWcMXEPY/S_YT6l5lT_I/AAAAAAAAABw/kedH7wB17qs/S220/Foto62.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16934420.post-4684542367839476802</id><published>2010-05-24T18:48:00.005-03:00</published><updated>2010-05-26T11:30:35.472-03:00</updated><title type='text'>Diario da Dinamarca #8</title><content type='html'>Copenhagen, seu DJ favorito – eles ainda não sabem disso, mas um dia vão descobrir - esta de volta para casa! Feito filho pródigo ou cachorro perdido, feito marido arrependido ou gato briguento.&lt;br /&gt;Entre o desembarque e a saída sou abordado por um cara gordinho e nervoso. “Sou sem-teto, tem 5 Kronos para mim?”, ele pergunta. Não dou esmola, normalmente, ainda mais pra europeu!! Que se fodam, malditos colonizadores!!! Quando disse que não entendia a lingua ele falou francês e depois inglês comigo. Da para imaginar um mendigo tão classe A?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na saída, o desejado cigarro me enche de alegria. Observo três mulheres com longas pernas expostas, visivelmente bêbadas, usando saias que mais parecem cintos de tão curtas. Seriam prostitutas ou apenas, como na musica de Cindy Lauper, “girls that wanna have fun” – traduzido livre e toscamente por meu amigo de adolescência, Tata, como “garotas que querem putear”. Elas esperam uma colega que, ao chegar dispara aquele barulho histérico típico das adolescentes. Vão meninas, va, Gina, o mundo pertence a vocês!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mesmo mendigo me aparece de novo com a mesmo papo. Ok: dessa vez estou do lado de fora, fumando um cigarro, feliz por voltar para casa e meio arrependido de não ter puxado conversa antes com o maluco. Tiro da minha bolsa um saquinho cheio de moedas de um Krono, dou para ele e pergunto como ele pode ser sem-teto em Copenhagen. Resposta não ha e, num gesto rápido, ele puxa minha mão, beija-a e desaparece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pego o táxi de volta para Meinungsdade 26, onde fica meu ninho nessa bela cidade. Sento no banco da frente e arrisco assunto com o  motorista, um afro-negro convicto por natureza e sorte. Pergunto de novo como pode haver sem-teto nessa sociedade tão evoluída. Seria ele um viciado? Um alcolatra ou algo do tipo? Resposta: “em torno da estação tem muitos drogados, talvez seja isso, mas provavelmente deve ser doido. Não tem como ser sem-teto aqui a não ser que se queira mesmo”. Na minha cabeça passa uma serie de reflexões baseada no principio de que ele, o mendigo, estaria negando o modelo social estabelecido como um Proudhon moderno. Mas, deixa pra la, fique com seus pensamentos, Helder, senão a conversa vai parar por ai. Quem se importa com isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E seguimos falando de bundas dinamarquesas, bundas brasileiras, chegando a conclusão que brasileiras são as mais gostosas, que ele deveria poupar grana e passar um tempo na América do Sul. E que, pra sua felicidade e orgulho, negões se dão muito bem por aqui, na Dinamarca! E continuamos falando besteira, coisa que alimenta a rede social masculina, prolongando assim, a longa cervejada com Rodrigo, pouco antes de pegar o trem entre Arhus e Copenhagen.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui, uma pausa para explicações: garotas, homens são crianças crescidas e, se esse tipo de dialogo lhes parece grosseiro, nos perdoem. Sejam compreensivas, superiores  e entendam que essa eh nossa forma primitiva e infantil de dizer o quanto as admiramos, o quanto seus peitos, bundas, pernas, corpos, vozes, gestos, cheiros e cabelos nos encantam e nos transportam para aquele alumbramento tão bem descrito por  Manoel Bandeira: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“E vi a Via-Láctea ardente…&lt;br /&gt;Vi comunhões… capelas… véus…&lt;br /&gt;Súbito… alucinadamente…&lt;br /&gt;Vi carros triunfais… troféus…&lt;br /&gt;Pérolas grandes como a lua…&lt;br /&gt;Eu vi os céus! Eu vi os céus!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu vi-a nua… toda nua!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A saudável canalhice tempera a carranca da vida e, se for tomar pela letra de um tecnobrega da Banda Fruto Sensual, cantado por uma voz feminina, que andou freqüentando meus ouvidos recentemente, eh bem vinda entre as mulheres:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“um pouco de canalha, so pra temperar;&lt;br /&gt;safado e gostoso tem o seu valor,&lt;br /&gt;caiu na minha rede,&lt;br /&gt;aceita meu amor.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra terminar o tema: fujam de homens certinhos, limpinhos, com nojinhos e gostos. Esses caras são uns malas narcisistas e não estão nem ai pra vocês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segunda-feira chega como feriado, o que significa: lojas fechadas, pouca gente na rua, nada para fazer a não ser andar a esmo por essa cidade-de-boneca fantasma.&lt;br /&gt;Chove fino e nem da para sentar num café e passar o tempo lendo algo. Para completar, meus poucos amigos  estão ocupados e recolhem-se a suas atividades domesticas e profissionais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tento achar um outro mendigo que eh quase onipresente em Copenhagen, com uma visível e inquestionável credibilidade: usa um chapéu típico de derviche – que eh  característica dos mendigos persas – e ele tem cara de persa, enfim ... um pedinte profissional, um homem executando sua arte distante de suas origens.&lt;br /&gt;Seu rosto talhado e duro, olhos castanhos mortiços, exalando uma infinita humildade embora que, firmemente insistente, havia me chamado atenção algumas vezes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontro-o facilmente e dessa vez ele não esta na posição habitual: corpo curvado, mão esquerda estendida, emitindo seu apelo em palavras que mais pareciam preces do que mendicância – prece eh mendicância divina, então da no mesmo! Bom, em algumas culturas religião e desapego material estão fortemente ligados. E esse parece ser o cara! Mesmo nosso persa – já estou acreditando nisso! – esta entediado com o feriado, com a falta de gente na rua e prostra-se num batente, calado, observando o vazio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dou uma boa esmola, 20 kronos, e peco, através de gestos, para desenha-lo. Ele consente, eu saco meu sketch book do casaco e começo a tarefa apoiando-o com a mão esquerda.&lt;br /&gt;Faço um esboço simples e mostro. Para minha satisfação, ele aprova com sorriso misterioso mas francamente simpático. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apenas gente correndo em suas malhas de frio, ciclistas indo de um lado  para o outro, locais fazendo compras em pequenos quiosques, única coisa aberta nesse dia, povoam Copenhagen. Ah, claro, tem os donos de cães com seus animais de todos os tamanhos e raças, levando seus bichos para se exercitarem e emporcalharem a cidade. Se o mundo fosse dividido em quem gosta de gatos e quem gosta de cachorro, eu estaria na primeira categoria. Cães são animais estúpidos: latem e rosnam quando vêem um semelhante mas no final tudo acaba numa longa cheiracao de cu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Animais de rua não ha, nem mesmo os famigerados esquilos, tão presente em Londres. Tem um enorme gato preto, esquivo, desconfiado, que ronda os condomínios da região e deita-se de barriga pra cima quando faz sol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho visto celebridades por aqui. Ou, gente muito parecida com as que estão no meu rol particular de celebridades: um Kurt Vonnegut aqui, um Gunter Grass acolá, Karen Blixen tomando sorvete e, outro dia, juro que vi Salman Rushdie enfiando a cara num pote de cha num restaurante. Fantasmas, clones, frutos de uma imaginação ociosa ...Isso me faz lembrar do meu terceiro mendigo: o sósia de Ryan Larkin.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando saia de uma estação de trem vi aquele cara magro, grande e desajeitado, pedindo dinheiro como quem dança: abre-se as pernas, estica-se os braços – um para frente, outro para trás, faz-se uma curvatura de agradecimento e levanta-se um chapéu imaginário. Exatamente como fazia o Ryan original no filme do diretor Chris Landreth. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O curta eh uma animação sofisticadíssima que recolhe imagem e som ambientes posteriormente manipulados. Começa com perturbadoras observações do diretor sobre seqüelas que a vida nos causa e segue narrando a trajetória de Ryan Larkin, um dos grandes animadores canadenses, numa terra de gigantes da área. Ryan chegou a concorrer a um Oscar, foi reconhecido no mundo inteiro e, num estalo de dedos, perdeu a sanidade, o gosto pela vida, foi parar na rua, virou um homeless, um sem-teto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A idéia de perder a sanidade já foi tema de uma das minhas canções e eh uma espécie de obsessão pessoal. O quão longe podemos ir em nossas perdas? Como  equilibrar a realidade que compartilhamos com os outros e a que criamos para nos mesmos ? E, principalmente, em que exato momento perdemos o equilíbrio e desabamos no vácuo da insanidade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tenho resposta, por isso vou na janela, acendo um cigarro e bebo mais um gole de uísque.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O futuro eh incerto e o fim esta sempre proximo", ja dizia Mr. Morrison...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16934420-4684542367839476802?l=djdolores.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://djdolores.blogspot.com/feeds/4684542367839476802/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16934420&amp;postID=4684542367839476802&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/4684542367839476802'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/4684542367839476802'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://djdolores.blogspot.com/2010/05/copenhagen-seu-dj-favorito-eles-ainda.html' title='Diario da Dinamarca #8'/><author><name>Helder</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14139404676657431741</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SUoQWcMXEPY/S_YT6l5lT_I/AAAAAAAAABw/kedH7wB17qs/S220/Foto62.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16934420.post-5812931779251380768</id><published>2010-05-22T17:32:00.001-03:00</published><updated>2010-05-22T17:35:24.271-03:00</updated><title type='text'>Diario da Dinamarca #7</title><content type='html'>O sol brilha com vontade nessa tarde azul e quente em Arhus. Ca estou, precisamente ha 4 lances de escadas, no seguinte endereço: Skouvejen 46G, de frente para um porto repleto de veleiros, olhando para o mar e, alem dele, mais um pedaço de terra em que se vê plantações verdes, casas, um fino fio de fumaça... no inicio pensei que fosse uma ilha mas não eh. A paisagem que observo eh uma espécie de baia nesse complexo desenho do território dinamarquês.&lt;br /&gt;Do lado esquerdo, um bosque com imensas arvores e embaixo casas com muros feitos por plantas podadas com rigor que, somado aos pinheiros, flores e arbustos dispersos fazem que o verde preencha grande parte do meu campo de visão. Nos quintais das casas de arquitetura classica, mesas longas, churraqueiras, uma piscina, pássaros passeando e ciscando sob o olhar de quem, como eu, simplesmente se deixa largar na varanda e aproveita esse belo quadro vespertino.&lt;br /&gt;Do lado direito, uma grande varanda e la, ao fundo, um homem toca violão enquanto uma bela moca o acompanha cantando e movendo-se languidamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O verão parece anunciar sua chegada, eh época dos casais saírem as ruas, espalharem sua felicidade pelos parques, calcadas, estações de trem, jardins... pelas escadas, sentados nos batentes, no gramado, no chão de pedra, eh tempo de sussurros, olhos brilhantes, mãos dadas, beijos ternos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para mim, sobra uma cancão de Leonard Cohen chamada “Tower of Song”. Nela, o grande poeta canadense constrói a imagem de um torre onde os músicos vivem isolados e, em certo momento ele pergunta a Hank Williams “o quanto se pode ser so” e completa “ Hank Williams ainda não me respondeu mas escuto-o tossindo durante toda a noite”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouvi essa musica pela primeira vez nos distantes anos 80 e na época mal prestei a tenção a letra pois havia uma garota que era a única coisa que me importava nesse mundo e assim foi durante muito tempo, os melhores anos da minha vida, cheio de uma plena e inesgotável felicidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que eu sabia o quanto era feliz?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a vida fosse perfeita teríamos um fantasma como o rei da Dinamarca, pai de Hamlet, soprando nos nossos ouvidos que “preste atenção, você eh feliz, aproveite, talvez não o seja nunca mais!”. Ou melhor, seria um Lupcinio Rodrigues, bemassombrando as vidas, avisando aos mocos, pobres mocos, que não deveriam ir ao inferno a procura de luz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, infelizmente, a gente soh descobre o que eh bom depois que perde. Aprendemos a duras penas, por comparação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo passa rápido e já estou na terceira semana. Ha poucos dias atrás houve uma festa na escola de musica e  alunos do leste cantaram em coro algumas faixas balcânicas do meu set. No dia seguinte já era hora de ir para outra cidade, Alborg e fazer mais festa – a festa nunca tem fim - durante a noite. Foi o dia mais quente desde que cheguei aqui e não precisei de casaco nem aquecedor. A luz estava linda, tornando um bela cidade mais bela ainda. Muitas praças, muito verde, crianças correndo pela grama, gente carregando flores em suas bicicletas. Aqui trabalha-se pouco, soh ate as 4 da tarde e depois, carpem diem, camarada! Sem hora extra, use seu tempo livre para fazer algo por você mesmo.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Alborg, dia lindo de sol, hotel bacana, com dois banheiros enormes e muito espaço. La cortei meu cabelo!&lt;br /&gt;Depois da passagem de som, ganho uma garrafa de uísque e volto a pe para o hotel, balançando-a e, eventualmente bebendo direto no gargalo enquanto ando. Sempre quis fazer isso....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando voltei para Arhus, fui andando a pe, puxando minha mala ate a casa do Rodrigo pois ele iria me trazer ate esse apartamento onde estou. Diante de tantas mulheres bonitas que via na rua, cutucuo-me uma certa melancolia feito botão de flor, pronta pra desabrochar,   e me lembrei daquele poema de Baudelaire “A uma passante”, onde ele vê uma linda mulher na multidão, encanta-se por sua beleza, seus olhos, suas pernas, seus movimentos e, quando ela some entre os pedestres, ele conclui:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Um relâmpago e após a noite! — Aérea beldade,&lt;br /&gt;E cujo olhar me fez renascer de repente,&lt;br /&gt;So te verei um dia e já na eternidade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem longe, tarde, além, jamais provavelmente!&lt;br /&gt;Não sabes aonde vou, eu não sei aonde vais,&lt;br /&gt;Tu que eu teria amado — e o sabias demais!”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Como todo ideal, o ideal romântico se destrói se confrontado com a realidade, portanto, se o velho Baudelaire tivesse a oportunidade de casar-se com sua musa da rua, se juntos tivessem filhos, se um dia ele a olhasse e visse em sua frente uma mulher gasta pela maternidade, rodeada de crianças com nariz escorrendo e ela, ali, com o avental todo sujo de ovo, o que ele então ele escreveria? E ela? O que pensaria daquele homem que antes parecia tão brilhante e galanteador e agora cheirava a vinho barato e hash, embriagado, com a língua enrolada, sujo de lama e torto, se apoiando nas paredes?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na noite anterior, no fim da festa, uma belíssima morena de olhos claros se aproximou com a segunda cantada mais manjada para seduzir um DJ: “vamos para minha casa, me ensine a mixar.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(A primeira eh “vamos ouvir esses discos lah em casa”. Mas eu não uso discos, portanto essa cantada foi tirada definitivamente da minha vida e, talvez possa ser substituída por “vamos ouvir esses MP3s la em casa?” – coisa que não soa bem.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disse – e não menti - que estava cansado e queria ir para o hotel. Diante dessa reação, incomum para um moca bonita e desejada pela a maioria dos homens, veio a fúria seguida de um tom de voz mais alto e a ameaça tola de que se não fosse naquele momento, não seria nunca mais. Então saiu pisando forte, furando o chão com os calcanhares. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui, uma confissão extraordinária: em dez anos de carreira profissional – e mais dez como DJ amador – nunca fiquei com nenhuma fan (embora tenha feita algumas estripulias com algumas delas), ou se fiquei, simplesmente não lembro, o que torna tudo irrelevante. Assim como Groucho Max não entraria num clube que o aceitasse como sócio, consequentemente não posso levar a serio gente que me ache brilhante, genial e bla, bla, bla... ou seria esse pensamento muito pouco generoso e totalmente egocêntrico?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, um sábado, acordei imerso em tédio, preguiça ate para sair e comer alguma coisa... mas a fome nos move e la vou, carregando esse corpo cansado pelas ruas pacatas de Arhus. No calçadão do centro da cidade uma bela exposição de fotos em preto e branco de pessoas bem comuns mas com o poder da lente, sob o olhar do fotografo, algo as torna estranho, poderiam ser portraits de ouro planeta com todas aquelas manchas na pele e rugas destacadas pelo contraste fortíssimo. E la estão aquelas estranhas criaturas, observando o cotidiano dos pedestres com seus cachorros, enfiadas em roupas colantes de corrida, casacos escuros, cabelos loiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tento comprar algo para mim, um chapéu, um gadget qua;quer, uma roupa... mas ate para fazer compras eh preciso inspiração e estou vazio. Tudo o que queria era estar sentado num café com um amigo, rindo por besteira, observando a vida dos outros com malicia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Volto para casa carregado de frutas, salada, vinho e camarão. Preparo algo para comer e lembro da historia de Nana. Quando ele foi morar em nova iorque não sabia falar inglês e tinha poucos amigos, então, eventualmente fazia um bom jantar, punha um vinho no centro da mesa, dois pratos e duas tacas. Deixava tudo pronto para duas pessoas mas comia sozinho, falava sozinho, como se estivesse recebendo alguem. Ha algo de belo e de melancólico nisso que nunca consegui esquecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiz uma salada, fui para a varanda e como lentamente olhando o oceano, esperando por Icaros em queda, um desastre maritmo ou simplesmente o canto das sereias.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16934420-5812931779251380768?l=djdolores.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://djdolores.blogspot.com/feeds/5812931779251380768/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16934420&amp;postID=5812931779251380768&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/5812931779251380768'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/5812931779251380768'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://djdolores.blogspot.com/2010/05/diario-da-dinamarca-7.html' title='Diario da Dinamarca #7'/><author><name>Helder</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14139404676657431741</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SUoQWcMXEPY/S_YT6l5lT_I/AAAAAAAAABw/kedH7wB17qs/S220/Foto62.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16934420.post-5860961631023304791</id><published>2010-05-20T18:14:00.003-03:00</published><updated>2010-05-20T18:19:42.805-03:00</updated><title type='text'>diaria da dinamarca #6</title><content type='html'>Domingos são longos e desérticos e, lembro-me que, certa vez, quando me recuperava de um profundo estado de depressão, recebi um telefonema – dez horas da manha de um primeiro dia do ano - de Lulu Santos e ele disse “eh preciso atravessar nossos desertos com serenidade” (pop como sua musica). Sigo seu conselho e decido ficar soh nesse dia da semana que tanto me afeta desde que me entendo por gente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como tenho de viajar de novo na segunda-feira, incremento meu domingo com duas aventuras adiadas ha algum tempo: fazer a barba e lavar as roupas acumuladas em 15 dias fora de casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As mulheres e alguns homens afortunados não entendem como pode ser complicado fazer a barba quando se tem pelos grossos, firmes em sua vontade de crescer e se  multiplicar numa pele sensível. Vou ao banheiro e planejo meticulosamente como executar essa tarefa dentro das dimensões e condições do banheiro da casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Separo o estritamente necessário, que consiste em espuma de barbear, um aparelho descartável, toalha e sabonete. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A melhor hora de se barbear eh na parte da manha pois os danados dos pelos ainda estão sonolentos e de bobeira, então fica mais fácil e menos doloroso remove-los. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira etapa dessa ação eh entrar no chuveiro, tirar toda a oleosidade do rosto com sabão e, na sequencia, ir para frente da pia onde estarão as ferramentas necessárias para realizar tal complexa operação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro passa-se a espuma de barbear pela parte que deve ser raspada, depois simplesmente usa-se a lamina com movimentos suaves e sem muita pressão para que ela faca sua parte e deixe o rosto liso como o de um bebe.&lt;br /&gt;A maneira mais eficiente de fazer a barba eh cortar os pelos no sentido contrario ao seu crescimento, removendo-os o mais perto possível da sua raiz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro obstáculo eh que, por causa do tamanho do banheiro, todo o vapor da água quente se acumula no espelho, embaçando-o terrivelmente e atrapalhando todo o trabalho. Por isso a presença da toalha ao alcance das mãos, com o objetivo de enxugar o vapor e tornar a imagem do espelho a mais límpida possível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O possível, nesse caso, eh uma mancha que parece vagamente comigo, um borrão onde se distingue os olhos escuros, a espuma branca e um espaço cor-de-pele. Não ha sutilezas nessa geografia facial: o monte que seria o nariz não se destaca e muito menos as rugas ou os pequenos sinais que marcam meu rosto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com paciência executo a tarefa e vejo pequenos pontinhos pretos ocuparem o espaço da pia. Então surge o segundo problema: eh preciso retira-los de la com  calma e atenção mas isso soh será feito quando a primeira etapa for concluída. Um pouco de tato ajuda a identificar o que os olhos não conseguem ver no espelho e pouco a pouco estou barbeado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De volta ao chuveiro, sinto a água escorrendo sobre a pele lisa, um prazer imenso, uma espécie de limpeza espiritual!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O banho segue ordinário como qualquer outro banho mas o fim so chegara posteriormente com a limpeza completa do chão, com auxilio de um pequeno rodo e a eliminação total dos vestígios de pelo sobre a parte interna e bordas da pia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contente por ser bem sucedido nessa empreitada, começo a sonhar com a próxima, de nível de dificuldade maior, que eh cortar o cabelo com a maquina que trouxe comigo na bagagem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, a segunda atividade do domingo: lavar as roupas. Antes, combino o almoço com uma batida de campo para que nada de errado. La esta ela, a lavanderia com suas potentes maquinas industriais que molham, torcem, enxáguam e secam com perfeição. Ainda bem que na época e no lugar onde Cartola morava não havia nada disso ou teríamos perdido uma das mais belas musicas do cancioneiro brasileiro: “ensaboa, mulata, ensaboa; ensaboa, to ensaboando...”&lt;br /&gt;Confiro se esta aberto, se tem muita gente, se as maquinas estão funcionando e descubro que esta tudo OK. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho fé que as coisas vão da certo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me dirijo a um restaurante especializado em saladas, a coisa mais próxima de um self service brasileiro, por aqui. As porções ficam expostas, protegidas por um vidro e escolhe-se o que quer, na quantidade desejada. Brócolis, cogumelos ao molho de tomate, um pouco de cuscuz marroquino e uma porção de pasta de atum. Detalhe que me incomoda bastante por aqui: come-se frio, da salada ao peixe, e mesmo um almoço a la carte não vem da cozinha, sabe-se la por que.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu peco para por meu prato no micro ondas por alguns instantes, explico que sou latino, que nos comemos quente e me divirto com a cara espantada do funcionário.&lt;br /&gt;Enquanto espero minha comida, lembro de uma historia que Manu Chao contou-me uma vez, logo que o conheci: ele disse que estava tocando na Espanha, apoiando uma greve dos estivadores, quando rompeu uma tremenda confusão com a policia. O pau cantou feio ate a hora em que a sirene da bóia tocou e, imediatamente, cessou-se a briga e todos – operários e policia - correram para almoçar antes que a comida esfriasse. Comida fria não da sustança, parece que não alimenta e a gente se sente fraco e sem graça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levei dois sacos de plástico cheio de roupas sujas, um com as pretas e outro com as brancas. La dentro, aquecedor ligado, tento descobrir como fazer as maquinas funcionarem. Como perdi todas as aulas de dinamarquês na escola, infelizmente não consigo entender as instruções e peco ajuda a uma mulher que, muito pacientemente, me explica o que fazer e ainda por cima me da uma boa quantidade de sabão, detalhe que me havia escapado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sincero interesse em ajudar quem precisa de uma informação, a gentileza natural e genuína, o respeito as diferenças que constituem a cultura do pais estão me seduzindo fortemente. Esse comportamento esta no cerne do povo e foi moldado lentamente apos séculos de lutas, derramamento de sangue, brigas territoriais, invasões... eh um pais maduro, onde o estado reflete as aspiracoes do povo e nao de um lider filho da puta, com um espírito de cidadania que se baseia em dois princípios básicos: respeito e confiança.&lt;br /&gt;No cotidiano isso pode  ser notado através da absoluta honestidade de comerciantes, taxistas, garçons... e se, por exemplo – se você for brasileiro ou franco-brasileiro -, você quiser entrar num club gatuitamente, apenas diga que saiu para fumar. O porteiro certamente lhe dara credito!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(A roupa acaba de ser lavada e agora eh momento de por na secadora. Para secar, enfia-se algumas moedas num painel e aperta-se o botão com o numero correspondente a maquina. Cada minuto custa um krono, ou coroa, a moeda local.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comparado a Dinamarca, o Brasil revela-se um pais grotesco e bruto. Na falta de um passado de glorias, coisa que alimenta e une a idéia de nação,o povo brasileiro se crê gentil quando, na verdade, trata-se da mais pura conveniência preguiçosa. Discutir da muito trabalho...melhor sorrir falsamente!  Uma piada contada por um suíço diz que “no Brasil as coisas são assim: não se deve roubar, mas você pode roubar e você rouba; não se deve pegar a mulher do amigo, mas você pode e pega” e a conclusão, entre outras coisas que não se deve e se faz eh que “no Brasil a única coisa que não pode eh ser antipático”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(E la vou eu, colocar mais 2 kronos na maquina e penso quem inventou esse sistema louco em que não se resolve de uma vez o tempo de secar a roupa, no que um dinamarquês presente concorda sorrindo, “eu também não entendo”, diz ele).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não posso imaginar como conciliar esse espírito brasileiro, construído historicamente na base da mentira e corrupção com um sentimento de cidadania e dignidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(depois de muitas moedas, finalmente minhas roupas estão secas. Sinto o calor e a maciez delas em minhas mãos enquanto dobro-as carinhosamente, orgulhoso de ter superado mais um obstáculo do dia-a-dia)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando a Kapuscinski, ele conta um encontro com um democrata russo na era da perestroika e, em suas argutas palavras, “eh uma vitima voluntária pois se deixou envolver pela problemática comunista” pois “a mente do democrata ocidental move-se com naturalidade por entre os problemas do mundo atual, reflete sobre como viver bem e feliz, o que fazer para que a tecnologia moderna sirva cada vez melhor ao homem e como proceder para estimular o ser humano a produzir cada vez mais bens materiais e espirituais”, concluindo, “ esses assuntos estão fora do horizonte intelectual do democrata moscovita”.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Estado brasileiro eh tão medíocre que discuti-lo – levando em consideração todos os seus lideres messiânicos, malucos, arrivistas, vaidosos, egocêntricos, personalistas ou, simplesmente, criminosos -soa como afundar numa poça de merda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(chove fininho e uma parte da roupas, ponha na mochila de costas, enquanto outra parte carrego num saco plástico que balanço ao som da musica gypsy que vem do headphones)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na segunda-feira, tomo mais uma vez o trem para Ahrus, seguido por um trem municipal ate Bjerringbro onde darei uma rápida aula sobre musica brasileira, das origens ate o presente. Uma introdução, obviamente, para quem conhece apenas o exótico e estereotipado de um pais tão grande e complexo. A paisagem ja eh familiar e aguardo com ansiedade a travessia subaquática do Great Belt, um braço do oceano que divide a ilha onde esta Copenhagen de outra ilha, onde ficam as cidades para onde estou indo e para onde já fui anteriormente.  &lt;br /&gt;No escuro do túnel o ouvido reclama, perde-se o contato com a internet – sim, tem conexão dentro do trem!!! – e do lado de fora eh puro breu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O novo esta no trem seguinte: campos vastos, casas de madeira que aquecem com eficiência e podem ser construídas muito rapidamente, grama verde com pequenas flores brotando como estrelas, bucolismo e paz, como se a civilização não existisse e tudo aquilo não passasse de um filme. Mas, como num filme de David Linch, imagino como será a vida privada dessas pessoas. O que fazem nos interiores de seus lares, que perversões conduzem suas vidas, que desejos secretos as devoram por dentro, o que habita em seus sonhos, qual a real natureza dessas pessoas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os turcos usam a borra do café para ler o futuro e alguns vão aos jornais em busca do horóscopo. Números mágicos, nuvens no céu, entranhas de animais, fogo, o desenho que se forma nos troncos de arvores cortados...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qualquer coisa serve como oráculo. O meu oráculo eh o ipod, no modo shuffle, aleatório e hoje, bons sinais através da doce voz de Ella Fitzgerald: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“From this happy day, no more blue songs,&lt;br /&gt;Only whoop dee doo songs,&lt;br /&gt;From this moment on.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguido por Hyldon:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Eu vou esquecer de tudo,&lt;br /&gt;das dores do mundo,&lt;br /&gt;não quero mais saber quem fui&lt;br /&gt;mas quem eu sou.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Promessas boas, tão confiáveis como as enigmáticas  previsões de Quiroga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou recebido muito formalmente e levado a escola de musica que fica ha uns dez minutos a pe da estação. La,  alunos que terminaram o equivalente ao nosso secundário vão ter a chance de se educarem musicalmente antes de entrarem na faculdade e, finalmente, se definirem como profissionais de mercado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A escola eh uma espécie de internato, com quartos, cantina, biblioteca, um enorme labirinto asséptico e funcional. Depois de instalado, depois de montar laptop, teclado, depois de por livros na mesa e arrumar a cama, saio para dar uma volta nesse novo ambiente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para meu completo estranhamento não ha ninguém nos corredores ou, se ha, eh um gato pingado aqui e outro acolá. Silencio absoluto, apenas quebrado pelo sons de pássaros que vem do jardim, coisa estranhíssima para uma escola de musica! Computadores ligados com acesso a internet, latas vazias de cerveja, maquinas de refrigerante, uma voz trazida pelo vento, tudo isso indica que estudantes estão por ali. Mas...onde?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tanto o professor que foi me buscar na estação e o que me convidou deram ênfase a hora do jantar: 18:30 – aqui usa-se o sistema de 24 horas. Isso foi repetido, em ambos os casos, mais de uma vez. Quando cheguei no restaurante, estava lotado de cabeças loiras, simplesmente todas as mesas ocupadas e um tímido buffe de dois pratos no balcão, embora que, nas mesas, houvesse bastante comida. Desnorteado, me servi  com a comida la exposta e procurei um lugar para sentar dentro do meu campo de visão quando achei um vazio numa mesa ocupada pelo que me pareciam ser indianos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedi pra sentar, no que fui aceito com ênfase fora do comum e, diante da minha timidez, me ofereceram pratos quentes, água e sempre que chegava algo, imediatamente me davam a honra de ser o primeiro. Tentei puxar assunto me indicaram um adolescente sentado a minha frente. Ele falava inglês fluente mas sem sotaque britânico ou americano, esse mesmo inglês internacional, lento e forçando uma  pronuncia inteligível que uso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conversando, descobri que eram uma família do Sri Lanka, que a mãe dele trabalhava na cozinha e que o filho caçula era motivo de orgulho de toda a família por ter ganho seis mil e tantos Kronos num programa “Talent”, em cadeia nacional na Dinamarca, imitando Michael Jackson.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de comer peguei um dois últimos exemplares que me restavam do meu disco e dei para o moleque que ficou bem feliz, ainda mais porque eu disse que conhecia  Diplo, namorado de M.I.A., a grande estrela pop do Sri Lanka.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No quarto, uma questão aterrorizante: seriam todas aquelas pessoas fantasmas? De onde surgiram, para onde forma depois da refeição? O ambiente inteiro da escola cheira a silencio e eh de uma calma pertubadora...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já de noite, não consigo dormir pois ouço meu coração batendo forte e alto sob os cobertores. A vida atrapalha o sonhos, literalmente, sem metaforas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16934420-5860961631023304791?l=djdolores.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://djdolores.blogspot.com/feeds/5860961631023304791/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16934420&amp;postID=5860961631023304791&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/5860961631023304791'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/5860961631023304791'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://djdolores.blogspot.com/2010/05/diaria-da-dinamarca-6.html' title='diaria da dinamarca #6'/><author><name>Helder</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14139404676657431741</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SUoQWcMXEPY/S_YT6l5lT_I/AAAAAAAAABw/kedH7wB17qs/S220/Foto62.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16934420.post-3858564019557176289</id><published>2010-05-15T20:37:00.001-03:00</published><updated>2010-05-15T20:40:30.221-03:00</updated><title type='text'>Diario da Dinamarca #5</title><content type='html'>Perdi minha verdinha... me foi dada com carinho e com afeto, como um doce predileto, embrulhada num papel prateado, uma promessa deliciosa. A verdinha eh boa para muitas coisas, uma panacéia de fato: glaucoma, depressão, tristeza, tédio,  males de amor e derrota no futebol; a verdinha alimenta a vida, aumenta o tesão e da fome.&lt;br /&gt;Procurei-a por todo o quarto, nos cantinhos, nas meias sujas, na sacola de lixo, vasculhei no fundo da memória, nos bolsos da mochila e em compartimentos da mala dos quais nem sabia da existência.&lt;br /&gt;E nada...&lt;br /&gt;Estará embaixo da cama? Sob algum dos Cds que eu trouxe? Foi-se para sempre, como minha juventude: num piscar de olhos!&lt;br /&gt;Ah, essa verdinha que alegraria essa noite fria e me trataria como uma amante ciumenta, tomando-me soh para si, levando-me noite adentro em sonhos estranhos e dando-me em troca, inspiração.&lt;br /&gt;No dia seguinte, lembrei: estava dentro de um pacote de cigarros que eu tinha posto no lixo.&lt;br /&gt;Adeus, minha adorada...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anteontem foi dia de festa – algo agendado de ultima hora, em completo improviso - e a noticia que eu tocaria  atraiu a atenção da comunidade brazuca local, ou melhor, das brasileiras. Alguem notou, passou um torpedo para outra e logo a rede de comadres estava formada. La pelas onze da noite começaram a chegar as mocas, a maioria solitárias, embora algumas trouxessem maridos e namorados a tiracolo. Um único brasileiro homem alem de mim era uma espécie de travesti moreno de formas delicadas, louco para se jogar no baile funk.&lt;br /&gt;Ah, essa mistura de doçura e safadeza, de fragilidade e determinação, de ingenuidade e sabedoria intuitiva nata que tornam as brasileiras completamente irresistíveis para o homem europeu, envolvido numa verdadeira guerra de sexos, herança da cultura feminista de emancipação. Some-se a isso um fato importante: as mulheres as que me refiro não vieram estudar, construir uma carreira ou, como turista, gastar dinheiro numa utopia escandinava. Em sua maioria são pessoas simples, de origem humilde, sem muitas chances em seu pais de origem, sem perspectivas de vida senão através do homem branco e bem sucedido que realizaria seus sonhos de Cinderela. Destituídas de educação formal, economicamente não competitivas, concentram sua energia na forca vital da sedução e a pista de dança eh o terreiro apropriado para que um antigo ritual primitivo se renove. Envoltas em roupas justas que potencializam seus corpos carnudos e curvilíneos, com gestos universais que dizem muitos mais que palavras, elas evocam um sabath contemporâneo como poderosas feiticeiras que encontram na dança a fuga de um mundo que costuma frequentemente subjuga-las.&lt;br /&gt;Dessa vez toquei para elas e sem nenhum pudor de mixar funks e tecnobregas com tracks obscuros e bootlegs perdidos, de faze-las felizes e, consequentemente, contaminar o resto do ambiente. Num certo momento notei que uma delas discutia com o namorado, de cara amarrada, chocado com a espontaneidade sexy da dança. Queria eu poder traduzir Chico Buarque para o dinamarquês e oferece-lhe um conselho de amigo: “por isso para o seu bem, ou tire ela da cabeça, ou mereça a moca que você tem”.&lt;br /&gt;(não posso deixar de lembrar de uma passagem de “O Buda do Subúrbio, de Hanif Koreishi, quando o pai do protagonista, um indiano picareta que se faz de guru dos ricos ingleses, aconselha ao seu jovem filho: “Acumular cultura, ter sabedoria, nada disso importa, o mais importante eh ser sedutor”.Cito de memória, talvez não seja extamente assim, mas eh desse jeito que lembro.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final ainda rolou um back to back – quando dois DJs tocam juntos mixando sua musica com a do outro – com o Anders que não tirava um enorme sorriso dos lábios.&lt;br /&gt;Noite divertidíssima e despretensiosa, sem egos, todos em harmônica comunhão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Varias vezes me perguntei qual a função de um DJ. Seria demonstrar técnica, intelecto, representar um estilo, traficar canções, fazer as pessoas pensarem? Minha resposta atual eh: tudo isso mas, prioritariamente, entreter o publico. E não ha nada que me agrade mais nesse trabalho que ver uma audiência inteira se entregar de corpo e alma a uma faixa que nunca ouviu e provavelmente não ouvira de novo por ser completamente deslocada de sua cultura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No começo da tarde do dia seguinte tentei me perder em Copenhagen, andei as cegas sem prestar atenção ao caminho, apenas flanando entre os pedestres como aquele personagem descrito por Edgar Alan Poe em “Um homem na multidão”. Mas por mais que eu me embrenhasse nas ruas curvas e becos estreitos do centro da cidade sempre me via de volta a um lugar conhecido, a uma referencia já vista, ao caminho de casa. &lt;br /&gt;As cinco, Marisa me ligou avisando que estava em Copenhagen e fomos nos encontrar num café que tenho freqüentado quase diariamente. Logo Anderrs se juntou a nos e entre rodadas de cerveja, café, armanhaque e Jameson, resolvemos alguns problemas do mundo, aprendemos novos palavrões, conhecemos novas musicas, filmes e terminamos a noite no Saxon’s, um antigo bar de reggae e hip-hop, hoje tomado pela molecada do dubstep. &lt;br /&gt;O dubstep eh um estilo muito ligado a cena de Londres. Filho eletrônico do reggae, so eh possivel por causas das maquinas capazaes de produzir freqüências extremamente baixas daquelas que, literalmente, sentimos no corpo como uma massagem. Na inglaterra fui a clubs especializados, basicamente freqüentado por uma molecada chapada que balança a cabeça e move o corpo devagar, em precário equilíbrio. A lentidão dos tracks e o experimentalismo de alguns DJs fazem do estilo uma musica pra dançar mais com a cabeça que com o corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Saxon’s lotado por uma faixa etária em torno dos 18 anos, pouca chapacao e muito hype. Não eh a toa que me fez lembrar de São Paulo e suas cenas mal clonadas, falsas como os peitos de uma celebridade televisiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peguei o trem para Arhus  com o objetivo de participar de um festival de literatura. Rodrigo, o cara que me convidou e planejou  essa viagem, mora lah e foi me buscar na estação para irmos direto ao pequeno teatro onde o evento se realizaria. Desde o primeiro contato com os organizadores senti que tinha caído numa roubada. Minha impressão era que tanto produtores quanto atrações tinha aquela mania irritante de cultivar um mundinho “artístico” que tanto detesto e desprezo. Aquele tipo de ghetto punheteiro, aquela atitude medíocre e mesquinha de se refugiar na “arte” como algo puro, milhas alem do mundo la embaixo, arte como status intelectual e superior, arte separada da vida. A aparência nunca mente: os caras se vestiam como se estivessem num jazz club da década de 50 ou numa academia russa, molhando o bigode de cha acompanhado por Gogol. Barbas estapafurdias, sobretudos de brechó, boinas francesas, olhar e fala grave somado a um bovino  ar de superioridade intelectual. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na mesa, cercado de cuzoes, pela primeira vez encarei a grosseria dinamarquesa: ninguém dirigia a palavara a mim e falavam apenas em sua língua, com gestos definitivos de quem estavam descobrindo alguma grande verdade. O pior eh que eu estava quietinho no meu canto, lendo um livro, e foram eles que insistiram para que eu me juntasse ao grupo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegar em Arhus deu um enorme trabalho: três horas de trem carregando uma mala pesada, sem cachê nem hotel. Eu deveria ficar hospedado na casa de um dos voluntários que so iria embora no fim de tudo, lah pelas duas da manha. Por acaso eu também era a ultima atração e ainda eram seis da tarde. Rodrigo muito gentilmente ofereceu-me um pouso em seu apartamento, onde pude dar uma breve cochilada e, feito isso, voltei ao ninho dos bárbaros. Meu amigo Jack (Daniels) me aguardava por lah. &lt;br /&gt;Alguns bebem cerveja, eu bebo uísque ou bourbon no mesmo tipo de copo e na mesma quantidade, cheio ate a borda. Depois de meio copo eu estava pronto para circular, tagarelar e, quem sabe, descobrir alguem bacana naquela poça de merda. &lt;br /&gt;Acho que estou doente de bomhumorismo crônico pois nada alem de sono ou cansaço tem me abalado, então acabei me divertindo, mesmo quando um clone pretensioso e sem graca de Fausto Fawcet subiu ao palco para derramar no publico sua auto-indulgencia (“eu era herói quando os heróis costumavam vencer, bla, bla, bla...”).  com uma dramaticidade afetada ele jogava no chão as paginas lidas de sua “obra”, lambia o dedo para vira-las – ah, como eu queria um Humberto Eco aqui, para por arsênico no papel e ai sim, teríamos um show de verdade! – fazia sons estúpidos com a boca e, acreditem, havia gente interessada naquela baboseira. Tem gosto pra tudo, pro bem e pro mal.&lt;br /&gt;No camarim, puxo conversa com um senhor negro que la estava, sentado no mesmo lugar, posição ereta, terno escuro de onde saltava um inesperado chaveiro com uma zebra de pano na ponta. Cabelos brancos, olhos acinzentados, mãos firmes sobre os joelhos, tinha um  impressionante ar de dignidade que me chamava atenção ha horas e soh depois de botar a timidez para correr, perguntei para ele se era musico ou autor, no que ele respondeu que iria tocar e ler seus poemas.&lt;br /&gt;Sem saber eu estava diante de Henry Grimes, multinstrumentista que tem em seu currículo, colaborações com grandes nomes do jazz como Gerry Mulligan, Sonny Rollins, Thelonious Monk, Benny Goodman, Charles Mingus e Don Cherry, entre outros. Uma verdadeira lenda viva de 75 anos de idade! Muitas imagens devem ter passado no espelho de sua íris, mudanças de costumes, pobreza e luxo, fama, multidões, sortes de varias naturezas... como eu gostaria de ver o filme da sua vida, os ensaios, os rostos do publico e suas roupas que cambiavam com o tempo, clubes, lagrimas de alegria e tristeza, descobertas e inquietações que nem conseguimos sequer imaginar, chegadas em terras distantes, despedidas, perdas e, claro,  as mulheres olhando de volta, encantadas pela musica sublime.&lt;br /&gt;Penso nos cheiros da comida de infância de sua Filadélfia natal, nos perfumes e camarins empestados de fumaça e suor e a doce frangrancia  das estações em diferentes partes do mundo.&lt;br /&gt;Sua manager tinha uma completa e estranha devoção por ele e conversando com os dois, defendi as possibilidades positivas da internet como meio de espalhar cultura, obviamente, não os convenci mas, em certo momento e, apesar de reclamar do youtube, ela me mostrou orgulhosamente a quantidade de vídeos sobre ele naquele site. &lt;br /&gt;Quando comecei meu show já não havia quase ninguém na platéia mas Rodrigo, ja um pouquinho alto pela cerveja, e sua namorada estavam la e bem animados. Toquei para os dois que dançavam - como na musica de Van Morrison -  “the way young lovers do”.&lt;br /&gt;Para mim essa viagem não trata de carreira ou dinheiro mas de auto-descoberta e reaprendizado, então adorei retribuir a gentileza de duas pessoas que me trataram tão bem e com um carinho que suspeito não merecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A noite ainda me traria Anna, minha anfitriã, que me levou para casa – segunda vez que ando em carro particular na Dinamarca pois ninguém precisa disso por aqui -, ofereceu-me sua cama quente e confortável e ainda tocou double bass para alegrar esse velho senhor.&lt;br /&gt;No dia seguinte acordei so e um pouco aperreado. Onde estará Anna? Tento esconder essa pergunta e manter-me calmo diante de um lugar que não conheço, isolado e perdido num condomínio residencial, numa terra estranha e fria. Bebo água, vou ao banheiro e tenho uma grande surpresa: alem da cama de Anna ser a melhor ate agora, seu banheiro eh grande, aquecido e confortável. Tomo aquele longo banho, demoro-me curtindo a água, o calor, a sensação de limpeza e, diante disso, o dia parece sorrir cheio de bons ventos. Ah, mais uma coisa: havia um espelho grande, de modo que pude observar meu corpo por inteiro, coisa que não fiz desde que cheguei. Acho que não engordei e arrisco ate a dizer que a barriga esta encolhida apesar dos kebabs e das massas.&lt;br /&gt;Minha anfitriã retorna meia-hora depois e inicia um belo ritual de café da manha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na ida a Arhus, uma coisa me encantou no trem: o homem que vendia comida e bebida era um senhor grisalho, sorridente e de extrema gentileza. Depois de passar com o carrinho pelo meu vagão, ele retornou trazendo uma pêra sobre um guardanapo vermelho, apoiado em suas mãos em concha. Seus movimentos eram de absoluta perfeição estética, como se levasse uma oferenda para algum Deus, como se o futuro da humanidade residisse naquela fruta. Admirei-o, invejei-o, pois sei que nunca conseguirei carregar uma fruta com tamanha elegância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anna me fez lembrar esse homem pois ela também movia-se com precisão e detalhe dentro da pequena cozinha, pondo paes no forno, descascando e espremendo laranjas, arrumando a mesa e montando uma cestinha para quando os paes estivessem quentes. Em nenhum momento uma sombra sequer de rudeza ou aflição, uma pequena e bela coreografia particular num cenário banal e cotidiano.&lt;br /&gt; Sua gentileza infinita fez-lha me levar ate dentro do trem, ajudar-me a por a pesada mala na prateleira sobre meu assento e soh então nos despedimos.&lt;br /&gt;Voltei tendo a frente um homem grande e entediado e, de lado, uma adolescente estourando espinhas diante de um espelho portátil e ouvindo hop-hop tão alto que eu conseguia distinguir cada uma das faixas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comprei um gravador pequeno, de alta definição, bem poderoso – eh como um binóculo sonoro! -  e meu hobbie agora eh gravar sons ambientes com o objetivo de fazer um soundscape, uma paisagem sonora, como jah fiz quando visitei Cuba pela primeira vez. Com ele posso ouvir alem do que o ouvido alcança. Na noite que parece silenciosa ouço crianças falando na vizinhança, cachorros, sons monocordicos de tv, risos, copos brindando, talheres sendo depositados em pratos, vozes, pássaros cantando... enfim, descubro que na escuridão ha vida e que a vida segue por ai, independente do que nos aconteça.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16934420-3858564019557176289?l=djdolores.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://djdolores.blogspot.com/feeds/3858564019557176289/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16934420&amp;postID=3858564019557176289&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/3858564019557176289'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/3858564019557176289'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://djdolores.blogspot.com/2010/05/diario-da-dinamarca-5.html' title='Diario da Dinamarca #5'/><author><name>Helder</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14139404676657431741</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SUoQWcMXEPY/S_YT6l5lT_I/AAAAAAAAABw/kedH7wB17qs/S220/Foto62.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16934420.post-2666160232432959393</id><published>2010-05-12T10:12:00.000-03:00</published><updated>2010-05-12T10:13:28.694-03:00</updated><title type='text'>Diario da Dinamarca #4</title><content type='html'>Muita chuva no dia de hoje, o que significa ficar em casa mais um dia. A noite toco num lugar super agradável chamado Barbarelah ao lado do Anders, membro do Junkyard – conhecido e excelente grupo de dub local – e da Carla, carioca, ex-back vocal de Daude, atualmente morando na ponte Rio-Copenhagen. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A chuva foi uma boa chance de testar uma jaqueta que comprei ontem sob sugestão de um amigo. Eh basicamente um jaqueta para esporte no frio então eh leve, protege do vento externo e transpira-se sem problemas. Ela ficou toda molhada mas eu sai incólume, sequinho, quente e sem a sensação de estar vestindo uma armadura como era o casacão anterior, muito útil, muito eficiente mas pesado como a consciência de um deputado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui num kebab comer algo – um kebab, claro! – e estava exepcionalmente delicioso. A carne do Kebab eh o que no Basil se chama churrasco grego, aquele cilindro de carne processada e bem temperada. O Maior que eu jah vi foi em Istanbul e tinha uns dois metros que era consumido rapidamente em poucas horas.&lt;br /&gt;Para preparar, o cara do restaurante corta a carne em fatias fina, mistura com salada, enrola numa massa igualmente fina e esta pronto. Comida completa com proteína, carbohidrato, legumes e com uma boa relação custo beneficio. Em alguns lugares esse tipo de ambiente parece sujo e descuidado mas aqui inspira higiene, portanto, sem problemas para o corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andando sob a chuva me lembrei de um pequeno poema de Bertold Brecht :&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Para Ler De Manhã E À Noite&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquele que amo&lt;br /&gt;Disse-me&lt;br /&gt;Que precisa de mim.&lt;br /&gt;Por isso&lt;br /&gt;Cuido de mim&lt;br /&gt;Olho meu caminho&lt;br /&gt;E receio ser morto&lt;br /&gt;Por uma só gota de chuva.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já repeti isso pra mim varias vezes em muitas viagens, em momentos difíceis e desanimadores quando havia um porto seguro, um lar e uma razão para voltar a casa.&lt;br /&gt;Hoje tem apenas a casa e nesse momento cuido de mim apenas por mim. Meu amor virou o trabalho e eh a ele que não quero desapontar. Ficar doente significa perder shows ou comprometer a qualidade deles. Para um homem de formação romântica como eu eh meio desapontador tornar-se isso.&lt;br /&gt;(como dizem os russos, “ A vida eh assim mesmo”.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amor, como a liberdade ou a arte são conceitos vagos que se adequam a visão daqueles que os buscam e não tem princípios morais nem significam necessariamente o belo, o bom, o certo... Liberdade para mim tem sido a solidão, a idéia de que posso sumir, que posso não voltar, que meu desaparecimento não afetara a vida de ninguém. Exerço meus vícios com demasia ou simplesmente me protejo da chuva. Tanto faz e esse tanto faz eh um verdadeira representação do espirito livre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andando pelas ruas penso como nos, no Brasil, somos um povo cheio de diferenças físicas bastante visíveis, a mistura de raças gerou seres feitos em moldes diferentes, cores, tamanhos, cabelos, gestos e linguajar tão vastos quanto a dimensão do pais. Rostos ossudos são primos de caras redondas como a lua, gordinhos sararas tem irmãos magros e de pele amarronzada, e casais, um deles pode ser loiro, com pentelhos escuros combinando com uma  morenas de cabelo amarelado.&lt;br /&gt;Isso traz tipos marcantes, resultados de tantas misturas, imagens fortes e singulares a qual nos acostumamos no dia-a-dia e que estranhamos a ausência quando num pais mais homogenico como o Japão ou ... a Dinamarca.&lt;br /&gt;As loiras são tão parecidas umas com as outras que já me dão enjôo. Não sei distingui-las, todas saídas de uma fabrica onde as maquinas estão bem reguladas e o controle de qualidade eh rígido e exato. Quando encontro minha room mate no ambiente externo levo alguns segundos para separa-la mentalmente de seu grupo de amigas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda por cima vestem-se de modo idêntico: roupas escuras, sóbrias, botas de frio e,eventualmente uma luva. Para mim soa como um exercito de anônimos onde a idéia de moda como forma de expressão esta diluída numa formula simplória. Ou, quem sabe, o simplório sou eu...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falando de cores, estou lendo um livro de Ryszard Kapuscinski, “Imperium”, sobre seu contato com a extinta União Soviética. La pelas tantas, descrevendo a brancura absoluta da paisagem siberiana, um nada feito da ausência de cor, sagrado por seu vazio, onde cultua-se os animais brancos como divinos, ele nota o valor do preto e do branco em culturas diferentes: &lt;br /&gt;“ Em civilizações onde cultiva-se a angustia da morte, os enlutados vestem-se de negro para afugentar a morte, isola-la, restringi-la ao defunto. Contudo, la (na Sibéria) onde a morte eh vista sob outro prisma, a postura existencial também eh outra: os enlutados vestem-se de branco e de branco vestem o morto – o branco aqui eh a cor da aceitação, desígnio do destino.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As roupas nas lojas dos “árabes” são pudicas mas, inesperadamente, ha uma cor forte e viva saltando misturado a dourados e pratas enquanto nas lojas dinamarquesas a discrição dos cinzas e pretos se sobressai alternando-se com tons pasteis desprovidos de energia vital.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16934420-2666160232432959393?l=djdolores.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://djdolores.blogspot.com/feeds/2666160232432959393/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16934420&amp;postID=2666160232432959393&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/2666160232432959393'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/2666160232432959393'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://djdolores.blogspot.com/2010/05/diario-da-dinamarca-4.html' title='Diario da Dinamarca #4'/><author><name>Helder</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14139404676657431741</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SUoQWcMXEPY/S_YT6l5lT_I/AAAAAAAAABw/kedH7wB17qs/S220/Foto62.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16934420.post-7936823342058364294</id><published>2010-05-10T15:24:00.000-03:00</published><updated>2010-05-10T15:25:03.683-03:00</updated><title type='text'>Diario da Dinamarca #3</title><content type='html'>Duas peruas dinamarquesas passam na rua, exatamente como personagens de Sex and the City: cabelos escovados, roupas caras e fazendo toc toc com suas botas de grife. Dois garotos “árabes”, vestidos a caráter do melhor estilo b-boy falam alto enquanto discutem alguma coisa que não parece ser grave, uma linda mãe pedala sua bicicleta adaptada com um carrinho de bebe e, la dentro, escondidinho segue sua cria protegida do frio por uma manta grossa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um homem sorri para mim enquanto uma ruiva de cabelos cacheados para a bicicleta bem na frente de casa e toca a campanhinha. Logo percebo que vai ter mais um jantar por aqui, fruto da sociabilidade da minha room mate.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Grande parte do meu tempo eh restrito a esse quarto e o mundo não passa de uma janela que abro com freqüência para fumar. Ontem, no domingo, cheguei de um show, o primeiro de muitos que virão, e estava tão feliz e cheio de energia que queria sair, conversar, falar besteiras mas não tinha nenhuma companhia. Comprei uma bebida, baixei um monte de filme e fiquei trancado no quarto enquanto um animadíssimo jantar acontecia na sala. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei muito pouco ou quase nada sobre a pessoa que me alugou esse lugar apesar de estarmos sobre o mesmo teto. Isso eh bem comum por aqui – quero dizer, em toda a Europa. Não consigo me imaginar agindo desse jeito no Brasil, mesmo que eu alugasse uma parte do meu apartamento exclusivamente por dinheiro. Nosso caráter eh gregário, moldado por uma cultura complexa que nos ensina a se envolver com estranhos e abraça-los como irmãos ao mesmo tempo em que se cultiva a fofoca e a bisbilhotice, instituições que andam de mãos dadas com a intimidade. Aqui, sabe-se e leva-se a serio a máxima que “intimidade eh um caminho sem volta”. Melhor evitar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No sábado fui para Odensa, um vilarejo a pouco mais de uma hora de Copenhagen. Tive meu momento de orgulho pois chamei o táxi por telefone – dois minutos depois ele estava na porta de casa -, comprei as passagens e cheguei na estação certa. Muito bom para um leso confesso que nem eu, cabeça-de-vento assumido, aéreo como um balão...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentei-me numa poltrona larga e confortável com um travesseiro azul para encostar a cabeça. Na minha frente, uma senhora lia um livro em espanhol, ao meu lado, um homem grande resmungava diante de uma revista de ofertas, típicas de trens e aviões. Mas o meu primeiro interesse caiu sobre a bela mulher de quarenta e poucos anos, largada na poltrona em diagonal com a minha, muito elegante, que deixou escorrer uma lagrima redonda como uma bola de gude, quando o trem começou a se mover. Enxugou-a com  gestos de Catherine Deneuve, discretamente chique. Volta e meia olhava-a com o rabo do olho, curioso em saber a origem da lagrima. La pelas tantas, ela dormia de boca aberta, emitindo um ronco suave que demonstrava que saiu o espírito de La Deneuve dando lugar a Didi Moco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viagem entorpecida pelas paisagens pálidas e sem majestosidade, coisas da vida no campo sob a luz mortiça da tarde. Nada pra fazer a não ser observar ao redor: do outro lado do corredor, uma mulher enorme de gorda acariciava as mãos de seu par, um homem magérrimo e com os braços cobertos de pelos claros, aparentemente um espécime raro nessa terra imberbe. O bilheteiro era um senhor com certa idade e um ar completamente feminino. Entendam: não gay mas feminino mesmo, como se o tivessem posto no corpo errado. Pouco antes da chagada puxei assunto com a senhora sentada na poltrona da frente e ela revelou-se uma viajante solitária, sensível e de conversa fácil. Tinha olhos cansados e ar de quem viveu muito mais do que o que podia ter vivido.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chego na estação: uma italiana de sorriso tímido e uma garota de dreads me esperavam. Contato visual feito e já sabia que seriamos amigos.  A coisa melhorou no local do show: uma mulher de origem italiana, a organizadora do evento, esbanjava simpatia, gosto por conversar e aquele sentimento raro – da minha seita favorita – de quem ama musica acima de qualquer coisa. Some-se isso ao fato de surgir mais um nome no grupo: Lotte, dinamarquesa loirinha, jovem e também de dreads, acompanhada por um pro-seco italiano que foi compartilhado com generosidade entre o grupo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava me sentindo em casa pela primeira vez! Passei no hotel, menos para descansar, mais para fazer a barba pois ainda não consigo imaginar como me barbear nesse banheiro minúsculo e apertado da casa. Deve haver um jeito! Minha técnica para tomar banho melhorou bastante: empurro a cortina com a cabeça, me ensaboou e ao mesmo tempo sinto a água quente, fervendo, nas costas.&lt;br /&gt;Se sair debaixo da água quente bate aquele frio insuportável e junto vem a tristeza que surge sorrateiramente como um gato a quem se oferece um peixe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomei banho, fiz a barba, dei uma cochilada e resolvi voltar ao lugar do show mesmo sendo muito cedo. De qualquer modo la estavam minhas novas amigas, havia outros shows e gente para olhar, conhecer, pois as atrações eram tão diversas que grupos sociais bem diferentes compartilhavam do mesmo ambiente. Havia uma banda que usava verdadeiras raridades analógicas, como um mooog original, um inovator, filtros antigos, mesas do tempo do comecinho do kraftwerk. O som era incrivelmente bonito, timbres clássicos de sintetizadores  mas a musica era horrível e sem imaginação. Coisa de quem gosta de equipamento e não de musica. Na seqüência, um proto-Bowie, de cabelo laranja, magro como um tuberculoso e com trejeitos andróginos berrava que “para você ser uma celebridade tem que deixar de lado a dignidade”. Boa desculpa para seu fracasso pessoal, pois certamente seu sonho era estar num grande palco, viajando pelo mundo, transando com homens e mulheres e não ali, numa cidadezinha perdida no interior da Dinamarca.  O fato, muito simples de entender, eh que ele não tinha o menor talento. Tinha pose e look. E ponto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oliver Sacks em seu livro, “Alucinações Musicais”, descreve varias pessoas que por causa de algum trauma mudaram sua relação com a musica. Tem o critico que passou a ter fobia de musica e, entre outros casos, tem o cara que levou um choque e desenvolveu ouvido absoluto, ou seja, a capacidade de distinguir cada nota.&lt;br /&gt;Esse homem passou a tocar piano com perfeição técnica, chegou a dar concertos e mudou completamente sua vida por causa da estranha e repentina paixão por musica clássica. Mas,apesar da técnica impecável, do ouvido absoluto, ele não parecia ter talento, essa coisa magica e inexplicável que reúne mais que a capacidade técnica, mas tambem empatia, vivencia pessoal, neuroses e sei la mais o que.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o primeiro disco de Ed Mota foi lançado, Tim Maia dizia que ele não era bom interprete de soul pois “era jovem demais e não tinha levado chifre suficiente para saber o tom do sofrimento”.  &lt;br /&gt;(Ou coisa parecida, escrevo de acordo com o que ficou na memória...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esses shows aconteceram do lado de fora e eu me sentia de volta aos anos oitenta com suas roupas coloridas, enormes sobretudos, cabelos fosforescentes, gestos afetados e pose visivelmente fake em demasia.&lt;br /&gt;Mas era um bom circo! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No palco interno, dois cantores – um com um mullet de tempos imemoriais, outro com jeito de quem fugiu do escritório de contabilidade – tentavam animar uma platéia de saltos-agulha e homens sem nenhuma pré-disposicao para o balanço no corpo. Hilário como uma festa de novela onde os figurantes fingem que estão se divertindo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marisa contou-me que, particularmente, ela não gostava daquela banda mas que salsa eh um ritmo muito popular na dinamarca, portanto la estavam eles para agradar a audiência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando comecei a tocar o salão, que havia se esvaziado, logo encheu e a festa foi super boa. Durou mais tempo do que normalmente gosto de tocar. Usei minha técnica  de DJ experiente: escolhi as minhas novas amigas e toquei para elas, tornando-as meu termômetro particular que indicava se aquele caminho era bom ou ruim. As garotas mais jovens, Ananda e Lotte, dançavam alegremente uma com a outra com aquela energia juvenil que certamente nunca mais terei. Trágico como sempre, me lembrei de Nelson Cavaquinho, que via nas flores seu futuro enterro. Pensei como a juventude eh um dom incrivelmente belo e como a vida a desfaz com seus medos, dores e ilusões. Garotas, aproveitem ao maximo!!! Como na musica dos Meeters “ Be fool, be young, be happy”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fim da noite – eram três da manha – fomos nadando para o hotel e me despedi delas com uma sensação ótima de ter estado cercado de gente acolhedora e gentil. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, por acaso, encontrei Shack e fomos passear pelos cafés, cruzamos o cemitério e ele me mostrou a galera das gangues locais, arruaceiros típicos, rivais dos Hell’s Angels a ponto de traçarem tiros em nome da diferença. &lt;br /&gt;Mas nada que se compare com a nossa velha e forte violência domestica genuinamente brasileira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora estou em casa, faz um frio danado mesmo com o aquecedor no maximo. Me pergunto o que houve. Será que esta quebrado? Será que o aquecimento central foi desligado porque eu usava muito forte? Será que eh porque eh caro? Diante da distancia com minha room mate, diante do meu desconhecimento das regras locais, não sei como aborda-la para resolver essa duvida. Alguem tem uma sugestão?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16934420-7936823342058364294?l=djdolores.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://djdolores.blogspot.com/feeds/7936823342058364294/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16934420&amp;postID=7936823342058364294&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/7936823342058364294'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/7936823342058364294'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://djdolores.blogspot.com/2010/05/diario-da-dinamarca-3.html' title='Diario da Dinamarca #3'/><author><name>Helder</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14139404676657431741</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SUoQWcMXEPY/S_YT6l5lT_I/AAAAAAAAABw/kedH7wB17qs/S220/Foto62.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16934420.post-4791475718966468570</id><published>2010-05-07T12:09:00.001-03:00</published><updated>2010-05-07T12:09:35.452-03:00</updated><title type='text'>Diario da Dinamarca #2</title><content type='html'>Acordei tarde hoje e talvez a razão talvez seja ter comido as nove da noite. Coisa leve: carne e salada. Mas carne a noite nunca eh uma boa idéia pois a digestão eh lenta e gera pesadelos dignos de Goya. Foi o meu caso! &lt;br /&gt;Sonhei com aberrações, imobilidades, doenças da alma, mutilações no corpo, sonhei com um gibi ótimo que na melhor parte da historia terminava e eu jamais saberia o final. Sonhei que todos os meus irmãos fumavam compulsivamente e nossos encontros familiares eram envoltos numa espessa nuvem de tabaco para completo desespero dos meus pais. Sonhei que, finalmente, a casa era realmente assombrada – isso me fez feliz pois a falta de contato com o sobrenatural sempre me deixou frustrado – e vultos chiando como um vento atravessavam a porta fechada do meu quarto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda zonzo, com meu estoque de comida findo – resta apenas aquele pão estranho, meio doce,meio salgado, bem granulado e massudo, “schwarzsbrot” eh o nome do danado – não tive outra opção senao fazer um café preto e tomar puro para por as idéias no lugar e começar o dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais assustador que os pesadelos foram dois espirros que saltaram repentinamente de mim. Apesar de não ser nem um pouco hipocondríaco, me pelo de medo de pneumonia nesse frio miserável. Ou melhor, fico mesmo eh com medo de cair doente e estar sozinho sem ninguém para cuidar e ainda por cima perder minhas gigs. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anotar no caderninho: conhaque e limão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez fumar menos... O cigarro que tenho fumado aqui se chama KING’S eh livre de aditivos orgânicos, dando a idéia que seria um cigarro saudável. Foi esse o slogan usado na época do lançamento. Obviamente, o anuncio foi proibido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anteontem foi um grande dia! Pra começar, encontrei meus amigos Shack e Carla, ele DJ dinamarquês, ela cantora brasileira. Eles moram a três quadras daqui e la fui recebido com aquele carinho nordestino, portas abertas, cuidados, palavras boas, abraços e beijos. Shack me ofereceu uma bike mas era grande demais para mim. Quero dizer, dava pra guiar mas não era exatamente confortável. Talvez seja melhor assim, sou muito aéreo, perco as coisas facilmente, sempre pensando em algo que não esta ali e a possibilidade de fazer um merda no transito se eu estiver com uma bike sozinho, sem um guia,  eh muito grande. &lt;br /&gt;Sai de la com um casaco quentíssimo que mudou radicalmente minha vida. Parece que estou vestido numa armadura mas tornou-se obvio que minhas fraquezas repentinas, um certo cansaço vindo de não-sei-onde, era resultado do frio do qual meu belo e elegante Gianni, 100%  pele de cordeiro, não evitava. Na noite, Shack me levou para um city tour pela cidade dentro de um carro com aquecedor no talo. Fomos nos clubs principais da cidade, conheci o Simon, que já foi um dos maiores DJs de Copenhagen, com um mixtape estourado e espécie de pop star local. Esse ano ele vai mixar num dos palcos do Roskild, um dos grandes festivais da Europa, usando como matéria-prima, as bandas que por la já tocaram, ou seja, quase tudo de relevante nesse mundo ocidental incluindo o papai aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conheci também Daniel, entusiasta de musica, dono de um restaurante com pista de dança que me convidou para tocar na próxima quarta-feira acompanhado pelo percusionista do Junkyard, um dos grupos com quem devo interagir. Fiquei em estado de pura felicidade. Vamos inaugurar um palquinho que será montado por esses dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a rede de contatos aumentando, meu preconceito e medo em relação a cultura local caiu bastante. Estou cada vez mais a vontade e certo que que a temporada vai ser boa. Já se passaram 6 dias e, pensando bem, vai ser rápido, talvez ate eu sinta que devesse ficar mais um pouco no momento da partida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem, outro grande ganho na qualidade de vida: a dona da casa me informou que tem uma cortina na janela, tão discretamente posicionada que eu não havia percebido. Agora tenho mais sensação de privacidade e nada de luz da manha. Posso dormir tranqüilo e sentindo-me protegido dos olhares das janelas dos prédios ao redor. Pequenas coisas que fazem diferença...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devidamente encasacado, sai pra passear e flanei pelas ruas da cidade, lindamente. Mais um detalhe favorável: achei meu ipod que estava no fundo da mochila. O dia era de sol – embora o vento frio não desse trégua – e as ruas estavam cheias de pessoas fazendo compras, passeando, tirando o mofo, correndo... enfim, vida!! Nos imensos calçadões do centro da cidade, toda a sorte de artista de rua tentava encher o chapéu usando de sua perícia. Um Michael palido e desengoncado divertia adolescentes, uma mulher coberta de branco fazia-se estatua, cantores de country, blues e folk escandinavo também tentavam uns trocados animando o enorme fluxo de gente que circulava no local.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;LUVAS, baratas, combinadas com o casaco e o cachecol me tornaram um homem independente, um aventureiro sonhador e disposto a qualquer aventura. Nem neve, nem granizo, nem tempestades ou tizunamis são capazes de deter esse Sir Richard Burton tropical.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem tive que retornar a uma papelaria pois comprei um caderninho preto de anotações e ele veio cheio de palavras em “árabe”. Vandalismo de algum moleque. Troquei na boa, sem problemas... mas, falando nisso... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do outro lado da rua, bem na frente da minha janela tem uma espécie de creche e atrás, uma quadra de futebol. De vez em quando, especialmente no fim da tarde, jovens mulçumanos se aproximam do local de carro, abrem o porta-malas e detonam hits de house music e hip hop enquanto batem uma bolinha. Meu amigo dinamarquês, gente finíssima e viajado, disse que esse bloco eh barra-pesada e um dos motivos eh esse. Os outros são furtos de bicicleta e a fama dos “árabes” serem batedores de carteira, único crime grave registrado com freqüência por aqui. Alguns dos blocos ao redor também são majoritariamente ocupados por imigrantes que formam uma comunidade unida e trabalhadora. São eles que fornecem kebabs baratos, frutas frescas e bebidas para os decadentes europeus cachaceiros.  Gente pobre, não se preocupam em contar a família e procriam que eh uma beleza em oposição a sobriedade europeia que tem uma taxa de crescimento em níveis preocupantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fodidos e explorados pelos europeus, esse povo de passado glorioso se vinga lentamente. Como um fogo lento vai consumindo, tomando os espaços que lhes foram roubados por anos de colonização, intervenções internas, delapidacao cultural e toda o tipo de sacanagem orquestradas por papas e políticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os “árabes” – ou, como se chama por aqui, “cabeças de pano” – são os “novos negros”, os bárbaros, o terror da civilização ocidental. E eu tenho a maior simpatia por eles, talvez por gostar dos temperos, uma razão bastante prosaica e pouquíssimo politizada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amanha, parto sozinho para o primeiro show. Tenho que levar meus apetrechos de barbear pois ainda não consegui pensar em como fazer a barba no banheiro local. La, na outra cidade, ficarei num hotel e tudo será mais fácil.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16934420-4791475718966468570?l=djdolores.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://djdolores.blogspot.com/feeds/4791475718966468570/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16934420&amp;postID=4791475718966468570&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/4791475718966468570'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/4791475718966468570'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://djdolores.blogspot.com/2010/05/diario-da-dinamarca-2.html' title='Diario da Dinamarca #2'/><author><name>Helder</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14139404676657431741</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SUoQWcMXEPY/S_YT6l5lT_I/AAAAAAAAABw/kedH7wB17qs/S220/Foto62.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16934420.post-7090222917201014443</id><published>2010-05-05T06:44:00.000-03:00</published><updated>2010-05-05T07:07:16.341-03:00</updated><title type='text'>Diario da Dinamarca #1</title><content type='html'>Diário da Dinamarca&lt;br /&gt;(Parte1)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, pela primeira vez, acordei cedo e não voltei a dormir, ao contrario, pus uma bermuda e fui correr. Aproveitei para levar o lixo acumulado pra fora e achar uma lixeira adequada foi apenas parte de um dos meus problemas de desadequacao. O outro, bem mais serio, eh  localizar no supermercado o que procuro. Assim acabei comprando molho de tomate quando queria suco de tomate e requeijão quando queria manteiga. Tudo eh escrito nessa língua pouco familiar, quase nada em inglês, embora todo mundo domine essa língua e ate parece gostar de usa-la, talvez gostem de sentir-se ingleses, talvez tenham algum senso de inferioridade... não saberia dizer com certeza mas acho que, mesmo com toda a riqueza, ha um certo espírito periférico assombrando o pais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje sonhei que dominava a arte da telepatia que consiste em visualizar as imagens do outro e, desapontado, me sentia ainda incomunicavel pois não era capaz de decifrar os códigos visuais dos dinamarqueses mesmo que entrando em suas mentes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando a corrida, o ar frio estava cortante e não aliviava a pele, então entendi porque todos usam roupas colantes, especialmente projetadas para corrida. O pior eh que não da pra suar e aquece-se muito pouco. Algumas quadras depois eu estava com frio e esbaforido. Desisti e fui comprar cigarros, meu melhor e único amigo na solidão pois nem a musica esta presente: esqueci meu ipod em casa. &lt;br /&gt;Esqueci também luvas e um belo casaco de frio que havia comprado em Londres no ano passado. Eis uma prova inquestionável do meu otimismo – ou de uma estupidez incorrigivel: achei que a primavera dinamarquesa era mais quentinha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma bicicleta seria bem vinda pois eh o principal meio de transporte dessa cidade cheia de pequenas regras de convivência no transito. Sinal fechado vale para todos, inclusive pedestres, sob pena de multa. Isto eh, se houver algum policial por perto. Nesse quatro últimos dias vi policia apenas duas vezes. No domingo eles somem e algumas delegacias simplesmente fecham. &lt;br /&gt;Os ciclistas levantam a mão num gesto que lembra os marcianos na ficção cientifica ao falarem “levem-me ao seu líder”. Levanta-se o braço de modo que a palma da mão aberta fica a altura da cabeça. Isso quer dizer “vou parar”. Apontar para os lados discretamente com o indicador significa que vai dobrar a esquerda ou direita.&lt;br /&gt;Por falta do meu conhecimento disso uma velhinha bateu na traseira da bicicleta publica que eu estava usando no domingo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra solução, muito comum entre os nativos, eh pegar uma bike sem cadeado ou corente e levar. Diz-se que “achei-a”. E tudo bem. Ainda não me sinto ambientado o suficiente para fazer isso mas o farei certamente numa noite fria voltando de algum club.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou num quarto alugado na zona oeste da cidade, o que pouco significa pois tudo eh bem perto e da para se virar a pe mesmo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na casa mora uma dinamarquesa loira e simpática chamada Laura. Eventualmente seu namorado aparece mas a maior parte do tempo estou sozinho, ouvindo o ranger fantasmagórico das madeiras do assoalho de algum vizinho. A casa eh pequena, tem dois quartos, uma sala, uma cozinha e um banheiro minúsculo. Do lado de fora, um belo jardim com parque e quadra de futebol mas com o frio que faz so da para freqüenta-lo munido de cha quente ou um drink forte e destilado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Usar um banheiro eh uma aventura dolorosa a começar do frio polar do assento. Todo o corpo reage quando a bunda senta naquele lugar gélido. Trava-se tudo! Eh preciso esperar que o corpo aqueça o assento para que o metabolismo siga seu fluxo normal. Tomar banho eh outra ginastica pois o boxe apertado tem uma cortina que cola  no corpo. No final, pega-se um pequeno rodo para enxugar o piso. Muito trabalho por um banho mas, na falta do que fazer, chego a tomar dois banhos por dia, mais por prazer do que necessidade já que simplesmente não transpiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já tomei banhos de diversa natureza: banho de lama ou de tinta em Olinda durante o carnaval; deliciosos ou inconvenientes banhos de chuva nas ruas por onde andei; lembro de um banho quase mágico num igarapé, sob olhares ávidos de índias ianomâmis impressionadas com minha glande exposta – um tabu para elas. Ficar embaixo do chuveiro, sentir a água escorrer eh o momento de solidão, reflexão, meditacao e prazer. Aqui, eh como um abraço quente de um ser imaginário. Fico um tempão sentindo a água morna, pelando, sobre o corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comer, definitivamente, tem sido meu problema diário! Nos dois primeiros dias comi em kebabs mas apenas a carne e a salada. Fico paranóico de faltar vitaminas então comprei frutas e tomates e como-os enquanto trabalho em casa. Ontem tentei um sanduíche de queijo e presunto no almoço mas estava tão oleoso que passei mal durante boa parte do dia. Pra falar a verdade entrei naquele lugar- uma livraria especializada em literatura espanica – apenas para jogar conversa fora com os proprietários e devo voltar la todos os dias ao para conversar um pouco sobre qualquer coisa. Na noite, acompanhado por um amigo franco brasileiro que mora aqui ha quatro anos, consegui minha primeira boa refeição: uma sopa quentinha que eu não sabia se abraçava ou devorava. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bebe-se muita cerveja por aqui – coisa que já esta fazendo-se presente na definição do meu ventre - e eu sempre tenho um bom uísque no quarto que me aquece e me distrai das agruras das noites frias. Sinto falta de abraço, não num sentido sexual – se eh que eh possível haver algo não sexual – mas pelo simples contato humano que nos da a certeza que não estamos sos. Beijinhos na bochechas das meninas também não eh uma atitude comum e faz-me falta sentir o perfume e o cheiro natural das nucas mulheres que são o estimulo da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre ando muito quando acordo, antes de começar o trabalho em casa e, incrivelmente, os canais da cidade – são quatro aqui perto de casa – me fazem lembrar o cruzamento da Conde da Boa Vista com a Rua da Aurora, numa escala maior, mais rica e mais elegante.&lt;br /&gt;A cultura do design eh muito forte e nada eh tosco ou simples, tudo eh pensado cheio de “pra que isso”, uma forma de encher o tédio dessas pessoas de vida tão regrada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui em Chritiania, a Olinda local, turbinada por hippies profissionais, despojadas do espírito incial de comunidade squater. Hoje eh apenas uma feirinha de bugigangas onde, eventualmente, compra-se maconha e haxixe e diverte-se os turistas. Entrando mais fundo descobre-se as casa dos antigos moradores, os pioneiros, reclusos e desconfiados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As roupas nas lojinhas do centro de Copenhagen são simples e elegantes embora muito caras. Decidi que hoje vou na H&amp;M comprar luvas e meia-calcas para tornar minhas saídas menos desconfortáveis e amenizar esse frio terrível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com poucos dias na cidade já prevejo poucas relações humanas duradouras. A frieza da cultura local impede isso e pela primeira vez desejo encontrar brasileiros, latinos, gente do leste que tenham esse riso fácil e espontâneo tão raro por aqui. Ha uma barreira clara entre homens e mulheres e o discurso feminista levou esse povo a um conservadorismo tacanho ao invés de idéias de liberdade e igualitarismo. Talvez o contato com os músicos me leve a mudar o ponto de vista. Assim espero e torço com muita vontade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(De qualquer modo, apesar da aparencia saudável, cabelos tratados e pele de porcelana, não trocaria um dúzia de loiras locais por uma morena do Cabo, de Olinda, Casa Amarela e adjacências. Falta-lhes aquele charme e tempero, a brabeza de fêmea alternada por extrema docura, o riso sedutor que tanto nos envolve como tambem aos gringos que tiveram a sorte de conhece-las. Já os homens... Bom, homens são bobos em qualquer parte do mundo!)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No bairro, os árabes – uso esse termo genérico pois não consigo distinguir as etnias – estão em grande numero e interagem bastante mas soh entre eles. A língua eh mais complicada e áspera, boa de se ouvir pois parece um canto de Raí ou coisa semelhante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gosto de vê-los – os imigrantes de um modo geral – e eh o que me faz mais falta no Recife. Tanta gente diferente, tantas culturas, comidas e roupas surpreendentes, cheiros novos e exóticos, sons de uma humanidade vasta e perdida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16934420-7090222917201014443?l=djdolores.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://djdolores.blogspot.com/feeds/7090222917201014443/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16934420&amp;postID=7090222917201014443&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/7090222917201014443'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/7090222917201014443'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://djdolores.blogspot.com/2010/05/diario-da-dinamarca-1.html' title='Diario da Dinamarca #1'/><author><name>Helder</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14139404676657431741</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SUoQWcMXEPY/S_YT6l5lT_I/AAAAAAAAABw/kedH7wB17qs/S220/Foto62.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16934420.post-5240311267999691708</id><published>2010-04-07T09:35:00.001-03:00</published><updated>2010-04-07T09:36:56.619-03:00</updated><title type='text'>Chico Buarque</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Não tenho nenhuma opinião sobre Chico Buarque, tenho lembranças! Meus primos paulistas cantavam suas músicas ao violão e lembro da minha mãe ouvindo “A Banda”, que meu pai massacrava no banjo, dando ênfase ao ritmo mais que a melodia. Acho que li a letra de “A Banda” bem antes de ouvir a música pois estava lá, impressa no meu livro de alfabetização, doce, otimista e ingênua canção de ninar nos tempos de medo e enjôo da ditadura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos militares, ele dizia que “você não gosta de mim, mas sua filha gosta”. Mesmo agora, passado tantos anos, Chico Buarque conseguiu manter o amor das mães que ensinaram as filhas a admirar a beleza de seus olhos claros e de suas palavras ternas ao descrever o espírito feminino da classe média brasileira. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Lindo, lindo, dizem as moças)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chico Buarque é uma entidade que pode aparecer no calçadão de Ipanema ou num night club em Paris, mas também dizem que ele está jogando futebol nesse exato momento ou ainda que deu o ar de sua graça no sonho de alguma dona-de-casa entediada.&lt;br /&gt;(Lindo, lindo, berram em coro as donas-de-casa)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Homens enciumados defendem que ele é um péssimo cantor enquanto outros, conformados com sua pequenez tentam copia-lo. Mas faltam os olhos, aqueles olhos! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Aqui em Pernambuco há quem afirme com convicção que ele é o pai biológico do governador do estado, dono de semelhante olhar verde-hipnótico).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tive a honra de fazer o que deve ser o único remix consentido em sua carreira. A música, “Ode aos ratos” está presente no álbum “Carioca” e me rendeu a oportunidade de defender, como goleiro, as cores do Polyteama, onde nossa lenda viva exerce o papel de zagueiro e fundador. O homem de olhos verdes e jeito de moleque me chamava de “minha muralha”, não sei se por ironia –sou baixinho e jogo mal -, por carinho, ou por ambos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso aconteceu em Berlim, na última copa do mundo, era um jogo absolutamente informal entre brasileiros e alemães, sem nenhuma divulgação, mas ainda assim ouvia-se vozes femininas em tom de histeria a gritar: “lindo, lindo”!!!!&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16934420-5240311267999691708?l=djdolores.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://djdolores.blogspot.com/feeds/5240311267999691708/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16934420&amp;postID=5240311267999691708&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/5240311267999691708'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/5240311267999691708'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://djdolores.blogspot.com/2010/04/chico-buarque.html' title='Chico Buarque'/><author><name>Helder</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14139404676657431741</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SUoQWcMXEPY/S_YT6l5lT_I/AAAAAAAAABw/kedH7wB17qs/S220/Foto62.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16934420.post-9045718581373068379</id><published>2009-08-04T08:36:00.001-03:00</published><updated>2009-08-04T08:38:28.429-03:00</updated><title type='text'>O homem que caiu na terrinha</title><content type='html'>Encontro Johnny Hooker numa mesa, separados por copos de uísque (eu)  e cerveja (ele).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhando atentamente ele não parece tão sexualmente ameaçador quanto no palco. Ao contrário, vejo um garoto magro e tímido, um nerd de olhar vago que demora a relaxar e soltar a língua, muito diferente do seu alter ego:  o rockstar/super herói, inicialmente concebido para proteger uma paixão adolescente, a “putinha” da escola, a típica garota livre que as meninas invejam e os caras desejam, a moça que fascinou nosso Clark Kent e o inspirou a se transformar num Hooker, o cafetão alienígena, o anjo que caiu na terra e se deixou perverter pelo nosso mundo, cego por poder, doente de excessos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Johnny tinha 15 anos quanto, influenciado por “The Rise and Fall of Ziggy Stardust and The Spiders from Mars”, de David Bowie, resolveu construir seu próprio mito usando a música como forma de expressão. Por detrás da cópia descarada, uma associação inquieta: o balbuciante e saguinário Coronel Kurtz, do filme Apocalipse Now, também ele um anjo caído, corrompido pela horror da realidade. Seis anos depois, longe da sombra de Bowie e empenhado em construir sua identidade musical, Johhny, de fato, se tornou um alienígena na cidade do Recife e seus tambores e reverências ao, cada vez mais institucionalizado, Mangue Beat. Roqueiro e assumidamente retrô, suas influências são obsessivas e datadas, sua postura andrógina não permite a piada da caricatura gay mas espalha amor e desprezo em grandes quantidades.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Nosso homem que caiu na terrinha se faz acompanhar por um clássico power trio, o Candeias Rock City, o que sugere uma contradição: por que um grupo tão deslocado do tempo e do espaço se auto batizaria com o nome de um bairro de Jaboatão dos Guararapes? A resposta, no release é  que “todo artista deve eleger um lugar como seu, se apropriar do espírito, dialogar com seus personagens, contar sua história...”&lt;br /&gt;Johnny é fruto de uma geração que tem a região metropolitana do Recife como referência mas - diferente dos mangueboys da década de 90 - não se preocupam em expor isso como força estética ou bandeira idealista. A música é do Recife porque é feita aqui. E ponto final! Niilistas cheirando a leite, filhos de uma classe média apática e entediada, moleques superdosados de internet, filmes e games, assistindo a tragédia do mundo em telas de LCD, passeando pelas ruas sebosas do Recife Antigo, coerentes na insatisfação irônica como na letra da Caravana do Delírio, uma das bandas favoritas do próprio Johnny: “o povo unido sempre sai ferido” (...) “ te cuida, meu filho, não deixa o sistema nervoso”. Cinismo em baldes, descrença mas não falta de inteligência, “o belo travesseiro do caos”, apregoado pelo filósofo romeno Emil Cioran aplicado à cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez um dia, na saída do aeroporto, vejamos um cartaz de Procura-se. Nele, a foto do nosso Hooker e abaixo, seu crime: transformar jovens machos bairristas pernambucanos em bichas céticas e abusadas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Go Johnny, go!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16934420-9045718581373068379?l=djdolores.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://djdolores.blogspot.com/feeds/9045718581373068379/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16934420&amp;postID=9045718581373068379&amp;isPopup=true' title='36 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/9045718581373068379'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/9045718581373068379'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://djdolores.blogspot.com/2009/08/o-homem-que-caiu-na-terrinha.html' title='O homem que caiu na terrinha'/><author><name>Helder</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14139404676657431741</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SUoQWcMXEPY/S_YT6l5lT_I/AAAAAAAAABw/kedH7wB17qs/S220/Foto62.jpg'/></author><thr:total>36</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16934420.post-5831493238892891921</id><published>2009-07-27T11:26:00.002-03:00</published><updated>2009-07-27T11:29:18.336-03:00</updated><title type='text'>OUVINDO O TEMPO PASSAR</title><content type='html'>Era uma dessas tardes de verão na década de 80, quando ninguém se preocupava em usar protetor solar, não se falava em aquecimento global e tínhamos a certeza juvenil de que seríamos eternos e saudáveis mesmo que tomássemos todas as drogas e bebêssemos garrafas e mais garrafas de vinho barato nas noites tediosas daquela pequena cidade. A Modinha - loja de discos obsessivamente visitada por nós, adolescentes em busca de novidades – trazia em sua vitrine um disco que me fez sonhar desde a capa, uma foto de dois caras com roupas de jaqueta de couro preto, o da direita portava um infame bigodinho sob o bico afetado dos lábios; o da esquerda, de óculos escuros, tirava um pacote do que parecia ser alguma droga do casaco. No alto, à esquerda, o nome do grupo: Soft Cell. Os dois eram, evidentemente, duas bichas desavergonhadas, chocantes em qualquer parte do mundo e mais ainda naquele lugar onde “os homens eram homens e as mulheres tinham que ter senso de humor”.&lt;br /&gt;Fiquei encantado com a síntese visual da capa do LP e logo, já em casa, com a agulha deslizando pelos sulcos do disco lentamente entrei num mundo de perversões, vícios, duplas identidades, amores dramáticos e hiper-sexualizados.  A narrativa que começava na capa se estendia nas letras, num conceito forte e como um bom livro nos puxava da realidade ensolarada para um mundo misterioso desde que dispuséssemos do tempo suficiente que o álbum nos pedia.&lt;br /&gt;A década de 80 ainda cheirava a ditadura com seu obscurantismo e horror à diferença, não era tão fácil ter acesso às informações, não havia internet e cada disco que chegava, cada revista ou livro adquirido era saboreado como uma especiaria rara trazida por algum Marco Pólo contemporâneo de alguma parte distante do planeta. Degustava-se lentamente cada álbum, faixa a faixa, encarte à mão, decifrando as letras, absorvendo o completo conceito do artista.&lt;br /&gt;Os anos 80 eram lentos, vagarosos e modorrentos...&lt;br /&gt;Aí chegou a web com suas ramificações que quebravam a noção de distância e tempo; os relógios aceleraram, o dia podia ser noite pois, repentinamente, estávamos num limbo além da nossa posição geográfica. Se antes esperava-se um mês até a chegada de um disco novo, agora podia-se ter a discografia inteira do artista em apenas algumas horas de download, além de informações recentes, fofocas, fotos e até mesmo a sensação de contato direto com seu ídolo. HDs saturados de músicas de várias categorias, coleções imensas de coisas que jamais seriam ouvidas ou, se ouvidas, sempre com o dedo no fast forward, em busca da batida perfeita, da melodia grudenta, numa seletividade frenética, implacável, acelerada pela quantidade da oferta, um restaurante self service cultural onde come-se com os olhos e enche-se o prato de porções de tudo o que se oferece, movidos por uma gula sem harmonia, uma fome voraz além do que o corpo realmente precisa. &lt;br /&gt;Mudou-se o modo de ouvir música. A geração que cresceu com a internet, com seus MP3 players lincados permanentemente nos ouvidos, conexões de banda larga em constante transmissão de dados, overdoses de hypes e tendências ultra segmentadas movidas por boatos mitificadores, conseguiu desvirtuar – não falo com um sentido moral, mas sim por sua própria natureza transformadora -  o que seria um paraíso democrático de conhecimento e, paradoxalmente, achatou padrões sob a forma de compressões destinadas a ter níveis de áudio sempre altos, sem a dinâmica som/silêncio que é uma das características mais interessantes da música. &lt;br /&gt;Não se ouve mais discos inteiros mas apenas faixas isoladas, o que modifica o antigo modo de criação - antes baseado num conceito total do álbum - com introdução, climas, ápices, final, enfim, a narrativa lítero-musical. A música destinada a essa geração é urgente e sintética, abstrata em sua forma virtual, sem corpo físico, um recado breve e direto, com prazo de validade curto pois o tempo encolheu e a vida segue num trem de alta velocidade...&lt;br /&gt;O vinil continua sendo uma opção slow food  ao consumo superficial de música, o prato pensado pelo chef obstinado em criar a obra perfeita que nos arranque da mediocridade das nossas vidas, que nos faça sonhar em cada sulco percorrido, o objeto que enche nossos olhos pela beleza gráfica da capa, o brinquedo lúdico que, como mágica, faz um mar de sons invadir a sala de estar afundando-nos na música, doce música.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16934420-5831493238892891921?l=djdolores.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://djdolores.blogspot.com/feeds/5831493238892891921/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16934420&amp;postID=5831493238892891921&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/5831493238892891921'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/5831493238892891921'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://djdolores.blogspot.com/2009/07/ouvindo-o-tempo-passar.html' title='OUVINDO O TEMPO PASSAR'/><author><name>Helder</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14139404676657431741</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SUoQWcMXEPY/S_YT6l5lT_I/AAAAAAAAABw/kedH7wB17qs/S220/Foto62.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16934420.post-1109840861040605183</id><published>2008-05-11T11:31:00.002-03:00</published><updated>2008-05-11T11:33:26.613-03:00</updated><title type='text'>O rei do pedaço</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Todos querem ser reis! Há um lado alimentado por supostas intenções idealistas, que serve para impressionar quem acredita nisso, mas a mais pura realidade é que queremos ser reis para moldar o mundo ao nosso gosto, adequado aos nossos maiores caprichos. (Comentário sussurrado pelo velho &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Nietzsche" title="w:Nietzsche"&gt;&lt;span style="color: windowtext; text-decoration: none;"&gt;Friedrich Wilhelm Nietzsche&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, “humano, demasiado humano”). &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;            Mas a verdade é que poucos conseguem reinar de forma absoluta como Seu Leo, dono do bar/reino que leva o seu nome, bem ali, no mercado municipal de São Luis, no Maranhão, norte do Brasil.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;O reino do Seu Léo não é grande e não precisa de fortificação. Reconhecido pelo povo, ele é respeitado e não teme invasões bárbaras. No início era apenas um barraca de cerveja e petiscos mas com o tempo Seu Léo, o conquistador, espalhou uma decoração característica pelo corredor do mercado e ampliou seu domínio em, pelo menos, uns &lt;st1:metricconverter productid="16 metros quadrados" st="on"&gt;16 metros quadrados&lt;/st1:metricconverter&gt;. Peças que evocam a música brasileira e o artesanato maranhense dominam as paredes de modo único, sem que seja necessário placas ameaçadoras de advertência.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;As fronteiras do Bar do Léo estão demarcadas pela música. Ele é o único DJ autorizado a tocar, ele é quem manda no gosto alheio e ai de quem reclamar: terá o visto cassado e alguma dificuldade para obtê-lo de volta. Visto de trabalho, nem pensar! Estrelas da música popular brasileira com Zeca Baleiro e Fagner tiveram o &lt;i&gt;work permit&lt;/i&gt; negado para uma jam rápida e sabe-se apenas de uma exceção, o recheado Ed Mota , que teve direito de tocar uns acordes e balbuciar umas sílabas bossanovísticas .&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Fanático por café, Seu Léo dorme pouco e trabalha muito. De manhã até o começo da madrugada, lá está ele, à frente de sua vasta coleção de CDs, espalhando sua cultura musical para as barracas de peixe e quando cai a noite, para boêmios inveterados.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Visitar terra tão peculiar não carece muito dinheiro, apenas o valor de uma cerveja e, se a fome apertar, um pratinho da deliciosa tripa frita que tem gosto de quero-mais.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Ah,, uma dica: se ele tocar “Ave Maria do Morro” significa que é hora de voltar para casa. E nem tente contrariar o imperador....&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16934420-1109840861040605183?l=djdolores.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://djdolores.blogspot.com/feeds/1109840861040605183/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16934420&amp;postID=1109840861040605183&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/1109840861040605183'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/1109840861040605183'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://djdolores.blogspot.com/2008/05/o-rei-do-pedao.html' title='O rei do pedaço'/><author><name>Helder</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14139404676657431741</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SUoQWcMXEPY/S_YT6l5lT_I/AAAAAAAAABw/kedH7wB17qs/S220/Foto62.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16934420.post-116017567651013478</id><published>2006-10-06T19:59:00.000-03:00</published><updated>2006-10-06T20:01:16.520-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 18pt;"&gt;Minha casa fica suspensa no ar sobre o Rio Capibaribe.Não flutua de fato mas assim a imagino. Pela janela vejo rio seco nas manhãs que anunciam o verão ardente que chegará um dia na minha cidade depois desse período de chuvas que costumamos chamar de inverno. No fim da tarde o rio torna-se cheio e frequentemente barcos solitários se arriscam à pesca de peixes diminutos como a fartura desses pescadores. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 18pt;"&gt;Um vento constante traz pequenos barulhos da rua para dentro de casa. O Recife sopra sua música nos meus ouvidos ...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16934420-116017567651013478?l=djdolores.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://djdolores.blogspot.com/feeds/116017567651013478/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16934420&amp;postID=116017567651013478&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/116017567651013478'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/116017567651013478'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://djdolores.blogspot.com/2006/10/minha-casa-fica-suspensa-no-ar-sobre-o.html' title=''/><author><name>Helder</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14139404676657431741</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SUoQWcMXEPY/S_YT6l5lT_I/AAAAAAAAABw/kedH7wB17qs/S220/Foto62.jpg'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16934420.post-115107969633073674</id><published>2006-06-23T13:21:00.000-03:00</published><updated>2006-06-23T13:21:36.366-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Pegando um bronzeado na Suécia&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;As revistas pornôs suecas educaram uma geração a qual pertenço, uma era de sombras e moralismo hipócrita, misto de teocracia e militarismo. Assim era o Brasil das meus dez anos de idade, na distante Aracaju. Cada revistinha sueca – podiam ser dinamarquesas, mas o registro que ficou é que eram suecas – promovia uma pequena orgia visual entre os meninos enquanto as garotas – já em pleno exercício do peculiar cinismo feminino - fingiam não se interessar por aquelas fotos de corpos pálidos e magros, expostos em posições sexuais que duvidávamos nossos pais fossem capazes de fazer. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Depois da primeira olhada, as meninas eram as mais ávidas e seguiam-se comentários como “nunca vou fazer isso com meu marido”, ou “que horror” para mais uma devoradora varredura visual no que era a coisa mais próxima de um manual de sexualidade que chegava em nossas mãos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Agora estou de volta a Suécia, em Gontomborgue, em pleno verão, vestindo camisetas e reclamando do sol quente queimando meu corpo. Talvez apenas eu reclame pois a população local rola na grama dos parques e cobre-se de trajes minúsculos para melhor aproveitar os poucos dias de pleno verão numa terra que se caracteriza por longas noites de frio intenso e introspecção. Antes eu já havia estado em Mälmo, num grande festival internacional que cobria toda a cidade e, desde aquela época me perguntava onde estava toda aquela permissividade sueca das minhas memórias juvenis. Calados, fechados em si, não ha sequer uma troca de olhares ou um gesto sedutor entre esses seres da raça humana. A nudez é tão banal que se esvazia de sensualidade e o respeito – ou seria medo – do próximo deve ter raízes fortes nessa cultura a ponto de inibir gestos maiores de alegria e tristeza. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Alcool e cigarros são tão perseguidos que as crianças olham com nojo para os fumantes e beber uma saideira é coisa que não faz parte do repertorio desses galegos contidos. Como em qualquer cultura reprimida, basta uma cabelinho de sapo para que a liberdade se torne libertinagem. Junks sombrios se esgueiram pelas ruas, alcoólicos enlouquecidos discutem com fantasmas interiores e, voltando para o hotel depois do show, pude contemplar o esporte favorito entre as jovens suecas embriagadas: o ass hooker ou, traduzindo livremente, queda de bunda, uma variação da queda de braço só que com duas moças deitadas no chão numa posição que, agora sim, me fazia retornar aos bancos da quarta serie.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16934420-115107969633073674?l=djdolores.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://djdolores.blogspot.com/feeds/115107969633073674/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16934420&amp;postID=115107969633073674&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/115107969633073674'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/115107969633073674'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://djdolores.blogspot.com/2006/06/pegando-um-bronzeado-na-sucia-as.html' title=''/><author><name>Helder</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14139404676657431741</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SUoQWcMXEPY/S_YT6l5lT_I/AAAAAAAAABw/kedH7wB17qs/S220/Foto62.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16934420.post-114995453305677237</id><published>2006-06-10T12:47:00.000-03:00</published><updated>2006-06-10T12:48:53.073-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Da lama ao caos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     É junho e estou em pleno carnaval. Alguém pôs algo em meu drinque? Não, é que estou em Berlin e nesse período pré-Copa do Mundo a farra começa cedo com um bizarro carnaval à moda alemã. Cheguei até aqui trazido pelo pessoal da Radio Multi Kulti para uma aparição breve em sua transmissão especial no meio da folia.&lt;br /&gt;      La fora, imigrantes indianos desfilam carros alegóricos incensados em aromas exóticos, seguidos por uma fanfarra composta em sua maioria por galeguinhos e galeguinhas que, gradualmente,  aceleram a musica até o limite do hardcore, tudo acompanhado por curiosos olhos claros. Suas mentes devem estar dançando, mas seus corpos estão paralisados. Movimento apenas nos dedos indicadores, disparando fotos com câmeras digitais.&lt;br /&gt;      Exótico, sem duvida, mas nem tanto quanto o afoxé baiano que envolveu participantes e publico com uma intensidade genuína. O contrario disso foi o fiasco apresentado pelos caras do Jazzanova na Casa das Culturas do Mundo, um DJ set baseado em hits da MPB da década de oitenta, bobo e com o pior do gênero tipo, Djavan!&lt;br /&gt;      Na noite anterior, o Bonde Faz Gostoso, liderado pelo figura que se auto-intitula Rogério, o Fenômeno, com participação de um dos MCs do Bonde do Vinho trouxe o baile funk vivo e esperneando para o publico alemão. Reação: homens embasbacados pela audácia das dançarinas, mulheres – brasileiras, claro – derramando libido na pista esvaziada de locais. Sem entender as letras e fora do ambiente dos bailes e seus poderosos sound systems, os pancadoes perdem a força. Mesmo asssim, por aqui, já estão associados a cultura brasileira, assim como o samba e aqueles drumanbeissinhos fuleiros com samples de violão.&lt;br /&gt;      Pois e: tem gente que ainda se importa com drum’n’bass! E caras como Doc Scott e os heróicos Metalheadz, diretamente de Londres, assombram as noites iluminadas da cidade com batidas a mais de 180 BPM enquanto festas ao estilo Bollywood se proliferam em tracks cada vez mais incríveis num equilíbrio entre a completa cafonice e batidas perfeitas. Para se jogar no curry!!!&lt;br /&gt;      Falando em pista cheia, em outro ponto da cidade, festeiros 24 horas recebiam Ricardo Vilalobos e Carl Craig no club Panorama, o lugar em que as portas estão sempre abertas para o hedonismo clubber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      Do caos à lama&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      Nada mais bacana que andar rápido, sem parar – estilo Jack Kerouac – enquanto as trilhas sonoras se alternam nos restaurantes, lojas, bares e mesmo em traillers de lanches. Ouve-se de tudo nessa Babilônia sonora: banghras, calypso, reggae, rock clássico, reggaeton – em baixa depois do estouro no ultimo verão – tecno e os indefectíveis tracks de lounge music – “lounge e um lugar que não existe”, diria o gaiato.&lt;br /&gt;      Para cada estilo musical, um estilo de vida, um pedaço de cultura deslocado, se instalando em outro pedaço de mundo. Éticas diferentes, vidas cruzadas, confrontos lingüísticos. Isso sim podemos chamar de diversidade cultural.&lt;br /&gt;      Recife, minha cidade ensolarada, tanto quanto equivocada, se ufana anacronicamente do curto período da presença holandesa. O tipico orgulho que o cachorro tem do seu dono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      Um homem roubado nunca se engana&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      Bootlegs – ou smash ups -, tão citados nessa coluna, são faixas não autorizadas, versões que fundem outras musicas em hibridos, geralmente voltadas à pista de dança. Na rua onde estou hospedado tem uma lojinha com bootlegs em vinil. Graciosos sete polegadas com In the ghetto, do repertorio de Elvis em versão dub jamaicana ou um insolito encontro entre os Beastie Boys e o Gordo e o Magro, maxi-singles em que o atormentado Jim Morrison sacode as ancas ou um incrível remix pirata de jazz etíope.&lt;br /&gt;      As copias tem tiragens caseiras e não tem selo, por isso são chamados de white labels (selos brancos, literalmente, por não ter nada impresso no papel que fica no centro do disco).&lt;br /&gt;      Multiculturalismo fonográfico, sem fronteiras, independente de critica e de executivos, de DJs para DJs.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16934420-114995453305677237?l=djdolores.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://djdolores.blogspot.com/feeds/114995453305677237/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16934420&amp;postID=114995453305677237&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/114995453305677237'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/114995453305677237'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://djdolores.blogspot.com/2006/06/da-lama-ao-caos-junho-e-estou-em-pleno.html' title=''/><author><name>Helder</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14139404676657431741</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SUoQWcMXEPY/S_YT6l5lT_I/AAAAAAAAABw/kedH7wB17qs/S220/Foto62.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16934420.post-114950418488577793</id><published>2006-06-05T07:42:00.000-03:00</published><updated>2006-06-05T07:43:04.906-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Tavares!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; São duas horas da manhã na Praça Vermelha. Turistas, nativos, policiais e músicos perdidos mundo afora como eu circulam maravilhados diante da beleza extravagante das construções locais, sopas de pedras cosmopolitas sob as intenções arquitetônicas do cristianismo ortodoxo.&lt;br /&gt; Moscou é a Nova Iorque do leste europeu - e bem mais doida! -, catalisadora multiracial, pátria de expatriados, a cidade que nunca dorme. O trânsito nas largas avenidas parece ter a mesma intensidade seja às duas da tarde, seja na madrugada fria e iluminada. Para aquecer, uns goles de vodka, acompanhados pelo tira-gosto local composto de um picles de pepino enrolado por uma fatia generosa de gordura suína.&lt;br /&gt;  Meu amigo, Oleg, bate no peito - um gesto tão popular por aqui - para afirmar que “nós vencemos todas as guerras em que entramos”. No entanto, nas lojas modernas de Moscou, as prateleiras se enchem do pop ocidental mais vagabundo e achar discos de música russa fora do padrão americano é trabalho de garimpeiro. Talvez seja uma reação ao passado, tempos duros em que a molecada tinha acesso ao rock - proibido pelo regime - em fitas cassetes mil vezes copiadas ou em precários discos de acetato feitos com sobras de folhas de raio X. Pelo mesmo motivo concertos de bandas new wave da década de 80 atraem quarentões - agora já comportados pais de família - aos milhares, em busca do tempo perdido. &lt;br /&gt; Nas inúmeras barracas enfileiradas na calçada, a pirataria controlada pela máfia manda bem e pode-se comprar DVDs legendados em russo do recém lançado Código da Vinci, CDs com novos hits da MTV ou a versão  mais recente de softwares da microsoft por poucos rublos. Acesso a internet ainda é coisa cara e difícil de achar mas a visão de negócios dos piratas não perdeu tempo na hora de faturar com a web. Sites em russo - como o www.binural.ru -, hospedados em negligentes servidores locais, disponibilizam quase tudo o que for sucesso em aúdio, vídeo e softwares de um modo tão descarado e simples que faz a gente refletir mais uma vez sobre o futuro da indústria cultural na era digital. &lt;br /&gt; PS: Já ia esquecendo: o Tavares do título era o cumprimento comum durante o regime socialista, algo como o camarada, popularizado entre nós em filmes de espionagem.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Moscovitas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O que fui fazer em Moscou? Fui tocar durante o lançamento de uma marca de cerveja brasileira por aquelas bandas. Do palco a céu aberto eu contemplava 12 graus, de chuva e frio. Na platéia, a molecada de jeans e camiseta parecia  acreditar que aquilo era mesmo verão - para eles deve ser - e se jogava na lama tipo, to nem aí.&lt;br /&gt; Depois do show, uma esticada numa club local. Alguém que parecia ser o gerente recebe nossa trupe - paletó de veludo, camisa aberta e nada de gavata - com garrafas de black vodka. Minha amiga pergunta se ele é o dono do club, mais ou menos, é a sua resposta. O alemão ao lado susurra que na verdade, ele é o dono do bairro. &lt;br /&gt; A máfia é uma instituição tão forte quanto os pequenos ovos/porta-jóias cravejados de brilhantes na cultura russa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Biscoitos finos&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Disco é o melhor presente e se for em vinil e compacto, melhor ainda. Acabei de ganhar dois bem bacanas: o Raconteurs, badalado projeto paralelo de Jack White - o carinha do White Stripes - é simpático e despretencioso, de um lado tem Steady, as she goes, do outro, Call it a day; em outra praia, Gnarls Barkley soa como o encontro do DJ Shadow com o Outkast em Just a thought e simplesmente pop de primeira em Crazy.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16934420-114950418488577793?l=djdolores.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://djdolores.blogspot.com/feeds/114950418488577793/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16934420&amp;postID=114950418488577793&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/114950418488577793'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/114950418488577793'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://djdolores.blogspot.com/2006/06/tavares-so-duas-horas-da-manh-na-praa.html' title=''/><author><name>Helder</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14139404676657431741</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SUoQWcMXEPY/S_YT6l5lT_I/AAAAAAAAABw/kedH7wB17qs/S220/Foto62.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16934420.post-114892985520744997</id><published>2006-05-29T16:10:00.000-03:00</published><updated>2006-05-29T16:10:55.313-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p class="MsoPlainText"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&lt;span style=""&gt;        &lt;span style="font-size:130%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b style=""&gt;Ah, esses moços ...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoPlainText"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 14pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;Foi no Rio de Janeiro que passei a primeira noite nessa mais recente volta ao Brasil. Noite inquieta sob as sombras do Arcos da Lapa, onde música, sexo barato e paraísos artificiais ditam a regra da farra. Uma confusão do outro lado da rua me acorda na madrugada e, debruçado na janela, acompanho o filme envolvendo um senhor de cabelos brancos, uma moça excessivamente maquiada e uma dupla de policiais. “Não comeu? – pergunta o cana – “Então pague!” e logo ouve-se um sonoro tapa, desses dados com a mão aberta. Pagou, é claro. Ninguém resiste a um bom argumento aliado a uma demonstração de força.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;A Lapa sempre foi assim: pura boêmia que se adapta com o tempo e uma nova geração disputa espaço entre travestis, pinguços e damas da noite: B-boys e rappers apresentam suas batidas enquanto no Semente – simpática casa de samba - alguma revelação desabrocha; folcloristas revivem o Jongo da Serrinha enquanto roqueiros balançam suas cabeças ao som de hardcore, tudo na santa paz ou até onde isso é possível.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;Apesar da aparente diversidade uma palavra é consenso nas cabeçinhas desses moleques: raiz. Tudo tem que ser de raiz! Reggae bom tem que ser de raiz, o samba, idem, também o rock e até mesmo os DJs. O que é um DJ de raiz? Deve ser aquele que usa vinis, mesmo que isso reduza seu set a coisas que só foram lançadas nesse formato que não é barato e nem fácil de achar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;Enquanto a cerveja vai enchendo o copo, enquanto a língua molha a seda do cigarro, um Caboclo Ariano – o Caboclo Africano é gente fina - baixa nos moleques e tome conversa em busca do que é ou não puro...de raiz. Houve mesmo o caso de um mestre de jongo duramente criticado por inserir uma harpa no seu brincante. O mestre é do povão mas os puristas, obviamente, são universitários de classe média que, sem perceber, tornam-se gatilhos do reacionarismo cultural mais rasteiro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;Gosto de dizer que Dona Lia de Itamaracá merecia ser Madona, no seguinte sentido: ela merecia ter videoclipes bacanas, tocar na rádio e na MTV, fazer tournês internacionais por que ela é uma das mais interessantes cantoras que conheço, uma artista carismática e inteligente. Já dividi o palco com Mestre Salustiano mais de uma vez. Eu e minhas máquinas. Ele e sua rabeca. Funcionou divinamente pelo fato de que antes de ser eleito como um símbolo ele é músico e suas aspirações são, portanto, musicais e não sociológicas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;Como dizia Walter Franco nos loucos anos 70: “Quem tem raiz é planta”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoPlainText"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoPlainText"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;&lt;b style=""&gt;Som de preto 1&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoPlainText"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoPlainText"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;Houve uma época em que o hip-hop não era feito por moleques com pose e caras de malvado e apenas – apenas? -servia de suporte para louvar a positividade da cultura vinda dos guetos, uma louvação à auto estima, esperançosa por tempos mais justos porém sem a amargura dos rappers atuais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoPlainText"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;Esse tempo bom está registrado na compilação “Big Apple Rappin’ – The Early Days of Hip-Hop Culture in New York City”, lançamento imperdível do selo Soul Jazz Records.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoPlainText"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoPlainText"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;&lt;b style=""&gt;Som de Preto 2&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoPlainText"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoPlainText"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;Do hip-hop para o Acid house foi um passo! E o Soul Jazz segue desvendando a era primitiva da dance contemporânea numa outra compilação básica: Acid, com os pioneiros – negros em geral – que aceleraram a batida do hip-hop até um formato muito familiar aos ouvidos dos clubbers de hoje em dia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoPlainText"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;Na bolacha, nomes como Sleezy D (um dos codinomes do lendário Marshall Jéferson), Lil’l Louis, Armando e Green Velvet.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoPlainText"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoPlainText"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;&lt;b style=""&gt;Som de cinema&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoPlainText"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoPlainText"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;Vem de um dos componentes do grupo Troublemakers, East, uma trilha sonora bem interessante mesmo que fora do mundo das imagens: “13 Tzameti”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoPlainText"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;Embora predomine temas ambient, há momentos de flerte com o trip-hop e abstrações sonoras com diálogos que por si já são visuais. Ah, se certas percussões lhe soarem familiar fique sabendo que a culpa não é daquele cigarro que você fumou antes de ouvir o disco. A culpa é de nosso Mr. Jam, meu ex-companheiro de Santa Massa, hipnotizando os franceses com sua sabedoria percussiva.&lt;/span&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16934420-114892985520744997?l=djdolores.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://djdolores.blogspot.com/feeds/114892985520744997/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16934420&amp;postID=114892985520744997&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/114892985520744997'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/114892985520744997'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://djdolores.blogspot.com/2006/05/ah-esses-moos.html' title=''/><author><name>Helder</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14139404676657431741</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SUoQWcMXEPY/S_YT6l5lT_I/AAAAAAAAABw/kedH7wB17qs/S220/Foto62.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16934420.post-114824142378336908</id><published>2006-05-21T16:41:00.000-03:00</published><updated>2006-05-21T16:58:10.190-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt;font-family:courier new;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;Um encontro com Mia Couto&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:courier new;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt;font-family:courier new;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Um dos lugares mais interessante do mundo para testar o tamanho da resistência dos nossos estômagos é Portugal. A comida, proporcionalmente deliciosa ao seus efeitos nefastos, é baseada em sangue, tripas, orelhas e partes menos nobres dos animais. Ha algo de medieval na culinária popular portuguesa, lembrança de eras de extrema dificuldade, compensado agora por uma incrível fartura. Come-se e bebe-se bem nesta terra. Mas é preciso muita saúde! &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt;font-family:courier new;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Entre um gole de vinho do porto e uma ginja, entre uma bagaceira – aguardente feita com o bagaço da uva –&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;e uma alheira - lingüiça de pão inventada pelos judeus – sentia-me um Dom João decadente e empanturrado - mesmo com uma mala cheia de livros, DVDs e discos – faltava-me outra fonte de alimento, uma luz, um brilho especial para aqueles três longos dias parados depois de um show na Casa da Musica. Uma rápida olhada no jornal e acho algo para exercitar o espírito: o escritor moçambicano Mia Couto estaria presente na Universidade do Porto para uma palestra. Fa que sou de suas tortuosas narrativas, de sua escrita poética privilegiada, não poderia perder essa. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt;font-family:courier new;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Meu escritor africano favorito acaba de lançar mais um livro, “O Outro Pé da Sereia” e mais uma vez seus personagens atormentados se vêem em viagens numa frustrante busca da identidade. E é sobre esse tema que ele inicia sua palestra. “ não existe uma identidade, somos varias identidades em um so corpo”, sentencia, pra completar “ a busca em si representa o achado, a viagem é o fim e não um meio de chegarmos a uma resposta pragmatica”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt;font-family:courier new;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Ele mesmo, um caso curioso: branco e sem raízes além do fato de ter nascido e crescido numa grande metrópole africana – Maputo, capital de Moçambique – tem confundido críticos desatentos que esperavam um negro originário de alguma tribo “pura”. “A nossa essência é feita de contradição”, diz ele enquanto este colunista, deliciado, toma para si tal afirmação.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:courier new;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt;font-family:courier new;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;Monoculturais&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:courier new;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt;font-family:courier new;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A coluna passada gerou um bombardeio de emails na minha caixa postal. Talvez por conter um comentário critico ao intocável Ariano Suassuna, o ultimo bastiao de uma suposta pureza elitista e conservadora, símbolo vivo do que ha de pior no passado – e no presente - do estado de Pernambuco. Esse tipo de construção da identidade nordestina ainda esperneia - e fácil ser conservador! – alimentado por intelectuais incautos, em busca de tabuas de pensamento unânimes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt;font-family:courier new;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Enquanto os Mias, os Guimaraes, ou mesmo os Joyces vêem na língua uma grande obra coletiva que se recria, sem donos, sem certos ou errados, de natureza mutante, culturalmente permissiva feito quenga bondosa que oferece suas tetas para qualquer falante, temos do outro lado os latifundiários culturais que gostariam de mandar no saber coletivo como se este lhe pertencesse, nostálgicos da monocultura, acham que o mundo e uma enorme plantação de cana cercado por cabras de olhares mortos pastando entediadas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:courier new;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:courier new;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt;font-family:courier new;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;Em que prateleira?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:courier new;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt;font-family:courier new;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Inclassificável – o que é um elogio –, underground e muito interessante é o disco do inglês Capitol K, “Nomad Junk”. Seu nome de batismo é Kristian Craig e ele é responsável pela parte eletrônica da banda que acompanha minha colega de selo europeu, Cibelle.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt;font-family:courier new;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Sua técnica – ele usa ditafones em alguns momentos – remete ao trabalho do experimentador profissional Holger Czukay, ex-Can. Produto da era do laptop, cada faixa tem inúmeras referencias, muita sujeira, pouca linearidade e me deixou desnorteado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:courier new;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Será que da pra baixar da rede?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:courier new;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style=""&gt;      &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt;font-family:courier new;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;Tango&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:courier new;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt;font-family:courier new;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Quem esta lançando novo disco é o trio franco-argentino Gotan Project. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:courier new;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Mais cool e fortemente acústico, o disco parece afirmar o amadurecimento do conceito de tangos e milongas contemporâneos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:System;font-size:10;"  &gt;&lt;span style=";font-family:courier new;font-size:130%;"  &gt;Como no anterior, uma versão para um tema de cinema. Se antes era para a faixa de abertura de “O ultimo tango em Paris”, dessa vez eles fizeram uma menos obvia e tristissima releitura de “Paris, Texas”, de Ry Cooder.&lt;/span&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style=""&gt;&lt;span style=";font-family:System;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16934420-114824142378336908?l=djdolores.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://djdolores.blogspot.com/feeds/114824142378336908/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16934420&amp;postID=114824142378336908&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/114824142378336908'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/114824142378336908'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://djdolores.blogspot.com/2006/05/um-encontro-com-mia-couto-um-dos.html' title=''/><author><name>Helder</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14139404676657431741</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SUoQWcMXEPY/S_YT6l5lT_I/AAAAAAAAABw/kedH7wB17qs/S220/Foto62.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16934420.post-114737013880773126</id><published>2006-05-11T14:52:00.000-03:00</published><updated>2006-05-11T14:55:38.846-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b style=""&gt;Técnica X Intuição&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;O mundo é injusto!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Tomemos duas amostras casuais, o músico &lt;b style=""&gt;R&lt;/b&gt; e o músico &lt;b style=""&gt;L&lt;/b&gt;. O primeiro demonstrou queda para a música desde pequenininho, matriculou-se no conservatório, dedicou-se arduamente a estudar escalas – desenrola as pentatônicas como se assobiasse - técnicas de dedilhado, acordes difíceis e ritmos em divisões de tempos complexos. Seus dedos estão calejados pelas cordas, sua boca ferida pelo bocal, as costas reclamam do peso do instrumento. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Depois de tanto tempo investindo em seus estudos, o Sr. &lt;b style=""&gt;R&lt;/b&gt; se vê trabalhando em ambientes de pretensões jazzísticas, mas maculados por goles de cerveja, risadas jocosas e caôs amorosos. No fim da noite, o Sr. &lt;b style=""&gt;R&lt;/b&gt; está arrasado, ressentido com a raça humana – essa cambada de ignorantes! – pois ninguém respeita seu trabalho, sua técnica sofisticada, sua filosofia berkeeniana ... seu virtuosismo!!!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Por outro lado, o SR. &lt;b style=""&gt;L&lt;/b&gt; chegou até a música por causa da maloqueiragem. Entre uma cerveja, um baseado e a roda de amigos, aprendeu a tocar um instrumento. Desenvolveu sua técnica de modo intuitivo, montou acordes copiando cifras de revistas, não sabe ler nem escrever partituras e – pasmem! – pendura a guitarra de modo desleixado, lá embaixo da cintura.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Mas o Sr. &lt;b style=""&gt;L&lt;/b&gt; tem qualidades: sua música simples seduz o público, tem noção de tempo e sabe como timbrar seu instrumento conferindo-lhe personalidade. Seus erros – erros sob o ponto de vista da escola do Sr. &lt;b style=""&gt;R&lt;/b&gt; – são inovadores por subverterem uma linguagem conservadora. O resultado veio em shows e carinho do&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;público – gentalha, diria o círculo de amigos do Sr. &lt;b style=""&gt;R&lt;/b&gt; – que imita seu estilo de pegar a guitarra em inspiradas &lt;i style=""&gt;air guitars&lt;/i&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Com todo seu saber intuitivo o Sr. &lt;b style=""&gt;L&lt;/b&gt; virou referência não só no país, mas também fora e deve ser lembrado durante muito tempo como alguém dono de um estilo próprio.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Para o Sr. &lt;b style=""&gt;R&lt;/b&gt;, resta o consolo de seus pares injustiçados que, entocados nos porões do virtuosismo, se exibem uns para os outros.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Não, o mundo não é injusto. A gente é que sabe escolher o que a gente gosta.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;b style=""&gt;A escola&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;A Escola de Berkelee virou paradigma de virtuosismo musical. Para alguns, é claro. De lá saíram os músicos mais chatos do planeta, emoções esmagadas pela técnica pura, pela afetação exibicionista, uma presunção elitista baseada em enquadrar a música popular na escrita acadêmica. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Sua corrente de pensamento acredita na música como algum tipo de esporte que pode ser medido com exatidão numérica, como se a quantidade de notas num solo ou o número de acordes – sempre bastante complexos – determinasse uma progressão musical.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Os caras fizeram o impossível: pegaram o jazz e o blues e encaretaram ao suprimirem o que tem de melhor nesses estilos: a espontaneidade generosa dos seus intérpretes.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;E agora eles tem uma cadeira para DJs. Encaixotaram o scratch!!!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Alguém aí lembra dos nossos armoriais?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b style=""&gt;A Casta&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Existe sempre alguém tentando nos convencer que alguns são absolutamente melhores que os outros. O velho embate do gosto é o esporte favorito das elites para nos convencer que seu dinheiro gerou cultura de qualidade. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Puro engodo retórico!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;O sistemas de castas culturais cansa a minha paciência e me faz ter essa horrível sensação de perda de tempo. Lembro-me, por exemplo, de uma palestra onde o venerável Ariano Suassuna ardia em chamas irritado com a presença da guitarra – esse objeto alienígena – na &lt;i style=""&gt;pureza&lt;/i&gt; da nossa música brasileira. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Fred Zeroquatro, então um jovem punk, lembrou que o piano – tão usado na construção armorial - era um instrumento europeu.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;E o velho mestre corou e engasgou diante da platéia do Centro de Artes.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Seria apenas cômico se tantos não o levassem a sério.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16934420-114737013880773126?l=djdolores.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://djdolores.blogspot.com/feeds/114737013880773126/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16934420&amp;postID=114737013880773126&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/114737013880773126'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/114737013880773126'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://djdolores.blogspot.com/2006/05/tcnica-x-intuio-o-mundo-injusto.html' title=''/><author><name>Helder</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14139404676657431741</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SUoQWcMXEPY/S_YT6l5lT_I/AAAAAAAAABw/kedH7wB17qs/S220/Foto62.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16934420.post-114679095711205041</id><published>2006-05-04T22:00:00.000-03:00</published><updated>2006-05-05T18:06:48.086-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b style=""&gt;O legado do suicida&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Troquei o aprazível bairro de Casa Forte, perto do silêncio gilbertiniano de Apipucos, pelas margens do Capibaribe, &lt;st1:personname productid="em Santo Amaro" st="on"&gt;em Santo Amaro&lt;/st1:personname&gt;, de onde nunca deveria ter saído. Mudanças são sempre terríveis! Mudar de rotina, desarrumar gavetas, mexer em compartimentos sentimentais que estavam quietinhos num canto, descobrir novos caminhos entre a cama e o banheiro são experiências enervantes.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Mas o pior é ter que arrumar a coleção de discos de vinil! &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Como cataloga-los? Por estilos? E deixar um Elvis Costelo ao lado do The Dark Side of The Moon, do Pink Frog? Como catalogar “L’ascultation Cardiaque”, uma bolacha grossa que registra diversos batimentos cardíacos diferentes? E os white labels do seminal Congo Natty? Ficam em eletrônica – por causa do lado jungle – ou vão para junto dos 45 RPM de ragga jamaicanos? &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Minha única certeza é a respeito dos discos da Nação Zumbi e o único do Mundo Livre que saiu &lt;st1:personname productid="em vinil. Esses" st="on"&gt;em vinil. Esses&lt;/st1:personname&gt; estão juntinhos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Caramba!!! Pelos pentelhos retocados da Gal Costa (na capa de “Índia”)!!! Descubro que tenho uma vasta coleção de MPB que inclui Guilherme Arantes, Jessé e até mesmo o hipongo seboso, Ednardo. Como isso veio parar em minhas mãos? Estaria este DJ sob os efeitos de um alucinógeno poderoso quando comprou esses discos? &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Hum.... Pensando bem, me lembro da origem deles. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Eu estava tocando numa festa privada, apenas para amigos, aí chegou um cara e disse que tinha uma coleção de vinis de MPB, queria desfazer-se daquilo mas não de qualquer modo. Apenas deixaria com quem tivesse cuidado, que amasse as queridas bolachas negras. Demonstrei interesse e combinamos de nos encontrarmos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Perdi seu número, o tempo passou e já havia esquecido da criatura quando, num belo dia, sem aviso nenhum, ele me liga: &lt;i style=""&gt;Oi, é fulano, aquele da festa, você ainda quer os vinis?&lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt;Então, ligo de novo quando você estiver por aqui&lt;/i&gt;. Concordei.&lt;/span&gt; Respondi que sim mas que estava viajando. &lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Durante os dias seguintes ele me ligou insistentemente mas calhava sempre de eu estar fora, trabalhando. Da última vez ele carregava os discos no carro e se ofereceu para deixa-los em algum lugar. Sugeri o escritório de um amigo em comum. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Dias depois voltei e fui pegar os vinis. Eram mais de cem discos de MPB. Algumas pérolas incríveis e algumas bobagens. Quando eu levava a última caixa para o carro, meu amigo comentou: &lt;i style=""&gt;O mais estranho é que dois dias depois de deixar os discos aqui ele se suicidou.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Minhas pernas tremeram e me vi, eternamente, guardião do legado do suicida.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b style=""&gt;A dúvida&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;E se eu não tivesse aceito os tais discos, teria prorrogado sua vida por mais dias? Será que ele mudaria de idéia?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b style=""&gt;O Manual&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Li &lt;i style=""&gt;Suicídio, modo de usar&lt;/i&gt;, de Claude Guillon e Yves Le Bonnice ainda na adolescência, escondido dos olhos vigilantes de minha mãe – tive que compra-lo mais de uma vez pois ela jogava os exemplares no lixo quando os achava. O livro é um libelo individualista que prega o direito de optarmos pela vida ou pela morte e situa histórica e filosoficamente a prática do auto-extermínio.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O capítulo dez, cheio de dicas, foi banido em vários países mas não no Brasil onde saiu pela obscura EMW Editores e está fora de catálogo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Para ler sem rancor do mundo e saborear a lógica extremista dos autores.&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16934420-114679095711205041?l=djdolores.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://djdolores.blogspot.com/feeds/114679095711205041/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16934420&amp;postID=114679095711205041&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/114679095711205041'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/114679095711205041'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://djdolores.blogspot.com/2006/05/o-legado-do-suicida-troquei-o-aprazvel.html' title=''/><author><name>Helder</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14139404676657431741</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SUoQWcMXEPY/S_YT6l5lT_I/AAAAAAAAABw/kedH7wB17qs/S220/Foto62.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16934420.post-114679084440434967</id><published>2006-05-04T21:59:00.000-03:00</published><updated>2006-05-04T22:00:44.420-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b style=""&gt;Lado B&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O Hotel Astória a um clássico português. Da janela posso vislumbrar a parte antiga de Coimbra, seus becos e historias de um passado secular como o resto do pais. O olhar não é sereno pois tenho uma coluna para escrever e muito pouco tempo para fazê-lo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Estou na Europa para apenas três shows e, ainda desnorteado - mudança de fuso, horas dentro de aviões, troca de aeroportos, caras novas e agenda cheia –, resolvo compartilhar com os leitores o outro lado dessa vida de DJ viajante.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Saímos – eu, cinco musicos, técnicos e produtor - na segunda-feira a noite do aeroporto do Guararapes, num vôo da TAP direto para Lisboa. Deveríamos ir direto para Londres mas um compromisso surgido de ultima hora – convite para abrir o festival de cinema brasileiro na França – nos colocou numa cilada de transporte e a coisa ficou assim: Recife – Lisboa – Londres (Heathrow) – um táxi ate Lotum, do outro lado da cidade, de onde sairia o vôo para Paris e, finalmente o Charles DeGaulle.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Chegamos depois de quase quatorze horas de vôo mas mesmo estropiado procuro um lugar bacana para jantar e acho um boteco iugoslavo, bem na esquina, tocando fanfarras e cheio de imigrantes falando alto, fumando e bebendo. Estou em casa!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Apesar do cansaço o sono não chega fácil e a madrugada é longa. No dia seguinte, já tem compromisso com imprensa e show. Lavo o rosto, engulo um drinque forte e encaro a vida. A vida, assim chamada nesse momento, é o show de abertura do Festival de Cinema Brasileiro na França. O local demora a encher na expectativa do publico que foi conferir “A Máquina”. Começamos a tocar pouco depois da meia-noite para um publico animadíssimo mesmo para uma quarta-feira européia. Chegamos no hotel as três e logo mais, as sete eu já estou de pé para encarar mais um vôo ate Lisboa.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Um problema ocorre com o ticket e antes de ir para o aeroporto tenho que passar no DHL. Stress absoluto! O tempo corre enquanto o trafico parisiense sussurra que vou perder esse avião. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;No fim tudo corre bem e depois de mais duas horas de carro chego a Coimbra.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Daqui a pouco tem mais uma passagem de som e amanha bem cedinho encaro Londres onde reencontrarei a banda que foi direto de Paris para lá.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Vida de glamour? Garotas e Champagne? Festas privês?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Nada disso!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Se você acha que através da musica você vai achar facilidades, meu amigo, vá trabalhar num banco ou ser médico.&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16934420-114679084440434967?l=djdolores.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://djdolores.blogspot.com/feeds/114679084440434967/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16934420&amp;postID=114679084440434967&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/114679084440434967'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/114679084440434967'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://djdolores.blogspot.com/2006/05/lado-b-o-hotel-astria-um-clssico.html' title=''/><author><name>Helder</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14139404676657431741</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SUoQWcMXEPY/S_YT6l5lT_I/AAAAAAAAABw/kedH7wB17qs/S220/Foto62.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16934420.post-114557298380678315</id><published>2006-04-20T19:42:00.000-03:00</published><updated>2006-04-20T19:45:49.003-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;     Música espiritual&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Francis Wells é cirurgião, enquanto Marcus Woxneryd é artista plástico. Juntos, eles planejam fazer um mapeamento sonoro do corpo humano. Com o auxílio de equipamentos de ponta vão samplear e, posteriormente, editar os sons que o corpo humano gera, muitos deles familiares aos médicos.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;     O resultado será exposto numa instalação de caráter mais artístico que científico – se é que é possível desassociar duas formas igualmente genuínas de interpretar a vida – em Londres até setembro deste ano de 2006.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;     Os sons emitidos por nossos corpos representam a música da vida enquanto grunhidos e cânticos primais estão na essência do que chamamos civilização. Foi em torno da música que conceitos básicos de civilização como a linguagem, por exemplo, se desenvolveram. As primeiras gramáticas – orientais e não norte-americanas como pode supor Bush Jr. e seus asseclas – tinham a música como suporte, pois o objeto de estudo era a palavra cantada, suporte da língua considerada sagrada, o sânscrito, o jeito certo de falar com os deuses. Só para se ter uma noção estamos falando de uma era pré-cristã.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;     Os cânticos em brâmane eram minuciosamente decorados a ponto de se distanciarem da vida cotidiana e se tornarem específicos para poucos iluminados.&lt;br /&gt;     &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;     Esse colunista agnóstico, despido de qualquer fé no místico sabe separar o espiritual do religioso e é capaz de enxergar o paraíso em vida nas ladainhas dos cantadores, nas teclas do Duke ou em texturas sintetizadas de Carl Craig.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;     Música é sagrada! Não é possível toca-la mas é possível senti-la – agora penso na massagem de graves poderosos mexendo em cada milímetro dos nossos corpos – e, mesmo abstrata, toca naquele ponto crucial que gera as emoções vindas de um passado além da memória consciente feito criatura onisciente, onipresente, atravessando o tempo e espaço, uma voz infinita nos chamando para um mundo além das nossas vidas ordinárias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Espírito cantante&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     O paquistanês Nusrat Fateh Ali Khan, cantou temas de amor e religiosidade sufi durante sua estada no planeta. Em dezenas de discos gravados, o chamada Rei do Quawwali, levou a música praticada em sua religião para o resto do mundo, quebrando barreiras de casta, credos e linguagem. A maior parte dos discos, gravados ao vivo, contém canções que – curtinhas – não tem menos de 14 minutos de puro transe.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;     Para você, não-iniciado, recomendo a versão modernosa do mestre – não menos boa – Must must, lançado pelo selo Real World. Tem até dois belíssimos remixes assinados pelo Massive Attack.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Espírito remixante&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Quer participar e um concurso internacional e ter seu remixe divulgado por um selo respeitável? É isso que a Cramed Discs está propondo numa parceria com o site Creative Commons.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;     Para participar, vá até &lt;/span&gt;&lt;a href="http://ccmixter.org/crammed"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;http://ccmixter.org/crammed&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;, baixe vocais, instrumentais ou loops de artistas como Cibelle, Apollo Nove ou desde DJ Dolores e mexa à vontade no nosso pirão. Tempere do seu jeito, mude o tempo e acrescente coisas. Depois mostre pra gente que a gente se encarrega de mostrar pro mundo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;     Tudo no bom espírito de compartilhar música.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16934420-114557298380678315?l=djdolores.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://djdolores.blogspot.com/feeds/114557298380678315/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16934420&amp;postID=114557298380678315&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/114557298380678315'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/114557298380678315'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://djdolores.blogspot.com/2006/04/msica-espiritual-francis-wells.html' title=''/><author><name>Helder</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14139404676657431741</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SUoQWcMXEPY/S_YT6l5lT_I/AAAAAAAAABw/kedH7wB17qs/S220/Foto62.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16934420.post-114505011411041359</id><published>2006-04-14T18:28:00.000-03:00</published><updated>2006-04-16T23:10:19.026-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Invenções&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A gente se inventa o tempo todo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A gente se inventa gordo, baixo e feio. Ou belo, sarado e gostoso. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;            A gente pensa que é inteligente, bacana e que nossa conversa desagrada somente aos bárbaros. Bárbaros, sim, pois a gente se inventa também como iluministas da raça humana.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;            O Recife, nosso corpo maior – somos células, pedacinhos que compõem essa cidade – se inventa do mesmo jeito.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;             O Recife inventa tradições, um passado glorioso - embora baseado na escravidão e na monocultura – de poder e influência política e se inventa nobre e aristocrático mesmo que a verdadeira nobreza – senso comum na contemporaneidade – resida na democracia, na tolerância e diversidade, o contrário do comportamento da elite local.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;               O Recife inventou que tem a cena musical mais rica e interessante do país e muitos vociferam “do mundo”, em seu mundinho – de Olinda a Candeias – como pastores de uma nova religião.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;                Se inventa a importância da maior avenida em linha reta, o maior shopping center da América Latina e até mesmo, piada involuntária caruaruense, o maior cuscuz do mundo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;                (E cá entre nós: a Caxangá é de uma feiúra de dar dó – ou de doer – e não tem um segundo maior cuscuz para servir de parâmetro para o primeiro)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;                O foco dessa coluna é música, daí volto ao assunto: temos mesmo a cena mais bacana, mais atuante ou influente do Brasil?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;                E por que não temos um único clube interessante com bandas nova tocando diariamente? O que acontece com a cena de DJs, imobilizada pela auto complacência de tocar apenas para amigos – estrutura de som, luz e ambientação beirando o zero - &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;ou, por outro lado, baseada apenas em hits fáceis de boites que mal abrem as portas já fecham sem realmente conquistar uma audiência fiel?&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Paulistanos inventam que o Recife é uma maravilha enquanto recifenses migram para Sampa em busca de oportunidades. Mudar o lugar ou mudar de lugar? Eis a questão que assombra nós, moradores dessa cidade! &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Pergunta: quantas bandas realmente boas, bem sucedidas, ficaram por aqui fomentando seu sucesso do Recife para o mundo? Quantas optaram pela não demagogia bairrista e, a partir daqui, dialogaram com o mercado e, consequentemente, com um público maior que seus vizinhos de bairro? Sim, existem algumas poucas...mas nada que justifique a imagem que a cidade inventou de si própria.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;            Termino, inconcluso, com a lembrança de uma letra de Zeroquatro – herói local – recontextualizado: &lt;i style=""&gt;é tudo uma grande invenção&lt;/i&gt;. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;b style=""&gt;In-Bolada&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;O que pode fazer um garoto ou uma garota pobre numa cidade como o Recife senão montar um grupo de hip-hop?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Despretensiosa e de baixo orçamento porem eficiente é a compilação &lt;i style=""&gt;Dialeto Sonoro Contemporâneo&lt;/i&gt;, do selo In-Bolada Records. Respondendo a questão formulada na coluna de hoje, eles optam por mudar a cidade a partir da periferia. Mais que uma posição geográfica, a periferia é tratada como cultura à parte ou como uma forma de identidade.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;A produção é simples mas convence em faixas como &lt;i style=""&gt;Geografia dos subúrbios&lt;/i&gt;, do Aps ou As rosas falam sim, remix idealizado pelo DJ 9Ato para o grupo Rosas Urbanas. Minha favorita é &lt;i style=""&gt;Cantarolanado&lt;/i&gt;, das Donas, que faz uma interessante ponte entre o rap e a embolada de rua.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b style=""&gt;Viciante&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O Vício Louco, destaque na estréia do populista – além de gordo e mal vestido – Central da Periferia, da Rede Globo, é um dos grupos mais bacanas da cidade. Eles tem um hit contagioso e hilário contendo um sampler do pica-pau, aquele personagem do desenho animado e são espécies de estrelas de uma cena que não freqüenta nossos cadernos culturais. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O &lt;i style=""&gt;Picapau&lt;/i&gt; (a grafia no disco é assim) pode ser achado em qualquer camelô. È só pedir. E não é pirataria: é informalidade consentida, pois o dinheiro vem de shows e não de vendas de CD.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b style=""&gt;B-Boys, B-Girls&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Sob o interessante conceito de crew – equipe que reúne MCs, grafiteiros, dançarinos – a U.B.I. Zulu Kingz reúne cerca de vinte b-boys, garotos e garotas, entre pichototinhos e o líder, o veterano Pacheco, da primeira formação do Sistema X.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Articulados com o resto do país, planejam abrigar até o fim do ano o evento de dança aqui no Recife. Por detrás da articulação, Soldier, b-boy das antigas que no dilema já citado optou por mudar de lugar e se mandou para São Paulo mas sem perder a conexão Recife.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Abençoados pelo grande pai Bambaataa – Zulu Kingz é o nome de seu próprio crew -, os meninos dançam e a gente curte.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16934420-114505011411041359?l=djdolores.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://djdolores.blogspot.com/feeds/114505011411041359/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16934420&amp;postID=114505011411041359&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/114505011411041359'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/114505011411041359'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://djdolores.blogspot.com/2006/04/invenes-gente-se-inventa-o-tempo-todo.html' title=''/><author><name>Helder</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14139404676657431741</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SUoQWcMXEPY/S_YT6l5lT_I/AAAAAAAAABw/kedH7wB17qs/S220/Foto62.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16934420.post-114441456314596542</id><published>2006-04-07T09:55:00.000-03:00</published><updated>2006-04-07T09:56:03.163-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b style=""&gt;Minha Utopia freak&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O problema do álcool só acontece quando não há mais uma gota na garrafa e nossas almas secas ainda não foram saciadas. Aí, como alimentar a alegria e a música&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;sem mais uma rodada? Como encontrar aquele amor eterno – enquanto dure a bebedeira, que fique claro – sem a ajuda valiosa de um bom uísque? &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Ah, senhoras, nada melhor que um hi-fi para romper tantas tiranias acumuladas em séculos de opressão. E depois subir ao balcão, proclamando-se livre, dona dos seus corpos, almas aladas sob a proteção da sabedoria de antigas feiticeiras. Nessas horas, calem-se os discursos feministas diante da transformação da realidade proposta pelo champagne.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O problema do fumo é recente. Os mais velhos fumavam desde criança e não morriam de câncer! Quando foi que inventaram isso? E os nossos índios, apreciadores do ato de inspirar e expirar a branca fumaça de tudo o que se pudesse queimar enrolado em folhas secas? O que seria do jazz se tivesse que se desenvolver nos insípidos ambientes dos bares americanos da atualidade? Era a fumaça – maldita e amada – que compunha a atmosfera exata, acolhedora, para a chuva de notas se misturarem promiscuamente e, juntas, formarem as harmonias que nos emocionam. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O problema da droga é a má qualidade. Tirem esse tema das mãos da polícia e ponham nas mãos dos médicos. Deixem que especialistas determinem o nível de pureza dos ecstasys, LSDs, Cocaína, MDA ou qualquer outra droga química e que o usuário saiba o que está tomando. Cobrem impostos e parem com essa hipocrisia! &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;E quem quiser ficar tonto como uma barata depois de uma dose de inseticida, que fique! Deixem os bêbados rolarem na calçada e os fumantes se entupirem de nicotina. Num mundo ideal ninguém seria ditador do corpo e da mente alheia.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Vamos desvincular o tema da moralidade tacanha e ignorante. Vamos exorcizar o glamour que atrai jovens impressionáveis e deixem que a informação e a ajuda circulem livremente, longe das grades e do crime. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b style=""&gt;Na terra&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Em tempo de final de campeonato, advirto aos leitores: esse colunista odeia esportes! Mais que isso: fica perplexo quando vê palhaços que correm, chutam e pulam se transformarem em ídolos. Isso diz muito sobre a personalidade desse país de analfas militantes. O pior é a mitologia que se inventou relacionando esporte com cidadania e bom-caratismo. Gente como Romário, Edmundo e os brutamontes da família Gracie, entre tantos outros – trapaceiros e entupidos de anabolizantes – estão aí para provar o contrário.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;b style=""&gt;No ar&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Ninguém agüenta mais o tal astronauta brasileiro. O cara deve ser saudável, não fumante, anti-drogas e deve comer alimentos diets, o que não o livra de ter um ar embasbacado e espírito deslumbrado. Se diz cientista mas levou para o espaço uma experiência ridícula, grãos de feijão no bolinho de algodão pra ver se nasce uma plantinha. As pesquisas aeroespaciais mais importantes da atualidade sairam de sondas não tripuladas e enquanto isso o Brasil – nós, contribuintes - gasta 22 milhões de reais nessa brincadeira.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Tem mais: o cara compõe música – horrivelmente pretensiosa – e a gente é obrigado a ouvir. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b style=""&gt;Na caixa&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Foi lançada a caixa “De Gainsbourg a Gainsbarre”, que reúne onze CDs com a obra desse músico que inspirou a coluna de hoje. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Serge Gainsbourg, para quem não sabe, é o autor de “Je t”aime, moi non plus”, clássico tema erótico com tecladinho de churrascaria à frente e gemidos de Jane Birkin, sua musa e companheira durante vários anos. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Fumante inveterado, alcoólico convicto, construiu um trabalho alinhado à caretíssima música popular francesa ao mesmo tempo em que provocava os valores dos fãs com uma anti moral bastante particular.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16934420-114441456314596542?l=djdolores.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://djdolores.blogspot.com/feeds/114441456314596542/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16934420&amp;postID=114441456314596542&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/114441456314596542'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/114441456314596542'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://djdolores.blogspot.com/2006/04/minha-utopia-freak-o-problema-do-lcool.html' title=''/><author><name>Helder</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14139404676657431741</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SUoQWcMXEPY/S_YT6l5lT_I/AAAAAAAAABw/kedH7wB17qs/S220/Foto62.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16934420.post-114398642596167511</id><published>2006-04-02T10:56:00.000-03:00</published><updated>2006-04-02T11:08:35.966-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b style=""&gt;Idéias conspiratórias (para pessoas otimistas)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;  &lt;/p&gt;     &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;  &lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;  &lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;  &lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;  &lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Existe um trecho em Santo Amaro, na Rua da Aurora, entre a Capitão Lima e a Mário Melo – uma muralha formada por edifícios, arrumados feito altar à civilização – onde ventos transatlânticos trazem aromas africanos para os moradores dos andares mais altos. Lá, num daqueles quartos – à meia luz, como tango clássico – um pirralho ou uma pirralha – só pra não desagradar minha amiga do S.O.S. Corpo – está à frente de um computador. Luz azulada no rosto, dedos clicando o mouse e, na tela, uma idéia em processo de execução.&lt;br /&gt;           Quem sabe, um blog? Ou um filme? Um final alternativo para o último livro Harry Poter – talvez melhor que o original? Uma música incrível? Ou um remix ilegal – não autorizado pela gravadora – que vai circular entre amigos, objeto e trilha sonora de ato de desobediência civil.&lt;br /&gt;                  Não só na Rua da Aurora. Mas também &lt;st1:personname productid="em Casa Amarela" st="on"&gt;em Casa Amarela&lt;/st1:personname&gt;, na silenciosa Apipucos do mestre Gilberto Freyre, em Surubim ou &lt;st1:personname productid="em S￣o Raimundo Nonato" st="on"&gt;em São Raimundo Nonato&lt;/st1:personname&gt;, no Piauí, em Angola, na Argélia, sob o céu que protege os confins do mundo, o fenômeno se espalha: um monte de gente expressando-se através da música, de texto, de imagens, de games e até mesmo de softwares. Para que isso aconteça, apenas a ajuda humilde de um computador. Pouca grana, pouco compromisso com o lucro e o desprendimento de deixar os outros copiarem gratuitamente sua obra. Retorno mais que justo para quem não paga para recriar a obra alheia.&lt;br /&gt;          Dividir informações em texto, áudio, vídeo, programações e tudo mais que for digitalizável, com o resto do mundo em softwares – Soul Seek, Kaazar, Limeware e tantos outros – que estão no limite da ilegalidade faz um enorme bem para a civilização e deveria ter o mesmo apelo que leva alguém a acreditar na solidez que um prédio de 20 andares pode oferecer aos seus moradores ou na engenharia de um avião que vai chegar inteiro ao seu destino.&lt;br /&gt;&lt;i style=""&gt;          The times, they are a-changin&lt;/i&gt; – hey, Bob Dylan! –, é um genial jogo de palavras que relaciona dor e mudanças, muito bem aplicável a esse momento de transformação: downloads, freewares, troca de arquivos, Creative Commons (http://creativecommons.org) e a informalidade digital dos camelôs representam a mudança, enquanto leis do tempo do ronca e executivos da velha guarda são as dores de um mundo decadente que resiste ao que a gente anseia pro futuro.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;   &lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16934420-114398642596167511?l=djdolores.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://djdolores.blogspot.com/feeds/114398642596167511/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16934420&amp;postID=114398642596167511&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/114398642596167511'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/114398642596167511'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://djdolores.blogspot.com/2006/04/idias-conspiratrias-para-pessoas.html' title=''/><author><name>Helder</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14139404676657431741</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SUoQWcMXEPY/S_YT6l5lT_I/AAAAAAAAABw/kedH7wB17qs/S220/Foto62.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16934420.post-114315613426641481</id><published>2006-03-23T20:20:00.000-03:00</published><updated>2006-03-23T20:22:14.303-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b style=""&gt;Do armário para a pista&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Sob o luar do sertão pernambucano um poeta – sertanejo raro, assumido apreciador de rapazes – bradava seus versos provocantes:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;i style=""&gt;Eu não gosto de mulher&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;i style=""&gt;Beleza nela eu não acho&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;E seu opositor metralhava, continuando o mourão voltado:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;i style=""&gt;Eu também não gosto dela&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;i style=""&gt;Eu gosto é de cabra macho&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;E a resposta – exemplo de orgulho homo, versão cabocla – vem em seguida:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;i style=""&gt;Eu, vendo um cacete ereto&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;i style=""&gt;Abro as cortinas do reto&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;i style=""&gt;E desço ladeira abaixo&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Se a bíblia estava certa e Deus criou o mundo usando palavras tal como &lt;i style=""&gt;faça-se a luz&lt;/i&gt; e a luz foi feita, o mesmo acontece na sociedade contemporânea. Natureza e cultura se confundem de tal modo que as palavras regem nossas vidas e desenham a realidade.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Associado ao desejo pelo mesmo sexo, criou-se um termo – &lt;i style=""&gt;gay&lt;/i&gt; – que logo virou gênero, mercado consumidor, ou &lt;i style=""&gt;público alvo&lt;/i&gt;, como gostam de dizer os fazedores de propaganda. No balaio gay – termo historicamente recente – todos parecem iguais e a individualidade se dissolve como se não estivéssemos tratando de pessoas tão diferentes entre si, independente de suas preferências sexuais.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Diferente do homossexualismo clássico – o simples desejo –, a cultura gay gira em torno de vocabulário, estereótipos e padrões de beleza peculiares – e há quem reivindique uma &lt;i style=""&gt;sensibilidade gay&lt;/i&gt; –, resultando num segmento de consumo ou, numa hipótese mais simpática, uma força política baseada na sexualidade.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;As origens do orgulho gay e o nascimento da música eletrônica – no sentido dance – se misturam. Foi em guetos &lt;i style=""&gt;mal freqüentados&lt;/i&gt; – latinos, homossexuais, negros – das grandes cidades americanas que os primeiros experimentos de tecno e house surgiram para embalar a felicidade de quem tinha que andar à margem da triste moral norte americana. O que era voz de uma subcultura se transformou com o tempo e penetrou nas FMs, tomou a sociedade &lt;i style=""&gt;careta&lt;/i&gt; e ela mesma – a cultura clubber – absorvida pela indústria, esvaziada de seus ideais, tornou-se chata e mero produto para enganar trouxas deslumbrados.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O que não mudou mesmo foram os preconceitos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b style=""&gt;O informante&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Quem me contou essa paradinha dos poetas foi Lira, aquele moço de branco à frente do Cordel do Fogo Encantado. Cauteloso, ele só contou a mágica e guardou pra si o segredo: &lt;i style=""&gt;é que o cara pode estar casado a essa altura&lt;/i&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b style=""&gt;O mestre&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;David Mancuso&lt;span style="color: red;"&gt; &lt;/span&gt;é um pioneiro da pista de dança como a gente conhece hoje. Seu loft &lt;st1:personname productid="em Nova Iorque" st="on"&gt;em Nova  Iorque&lt;/st1:PersonName&gt; abrigou festas memoráveis e introduziu gerações e instituiu o ambiente de festa como algo transcendental, um espaço de igualdade e respeito tendo a música como algo sagrado e o DJ como seu sacerdote.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Seu respeito pelas faixas que tocava – um espectro em torno das várias vertentes da black music – era tanto que ele não mixava as faixas entre si, deixando-as tocar até o final e, conta-se, era obcecado com a qualidade do som.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Curioso? Então procure as compilações &lt;i style=""&gt;The Loft &lt;/i&gt;e se entregue ao prazer de escutar verdadeiros remédios para a alma.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;b style=""&gt;A vítima&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Vocês lembram daquele rapaz que foi espancado pela polícia durante a festa Liquid Sky, na Casa da Cultura? Sua tranqüilidade e colaboração para com os representantes da lei – do cão? – não impediram um processo que resultou em obrigatoriedade de consultar serviços psiquiátricos. Amigos, vejam bem: o cara apanhou de graça, virou acusado e, na seqüência.... maluco de carteirinha. Enquanto isso os espancadores de uniforme cavalgavam no meio da platéia do Rec Beat brandindo seus cassetetes horrorizando turistas e nativos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Claro que o cara é preto e durango. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Isso é tão comum no Brasil que a gente às vezes até pensa que é normal. Não é! Não deixe passar em branco o descaso da justiça. O CENDHEC (3222 6177) fornece assistência jurídica gratuita e, mais especificamente ligado à violência policial, temos o GAJOP (3222 1596).&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16934420-114315613426641481?l=djdolores.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://djdolores.blogspot.com/feeds/114315613426641481/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16934420&amp;postID=114315613426641481&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/114315613426641481'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/114315613426641481'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://djdolores.blogspot.com/2006/03/do-armrio-para-pista-sob-o-luar-do.html' title=''/><author><name>Helder</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14139404676657431741</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SUoQWcMXEPY/S_YT6l5lT_I/AAAAAAAAABw/kedH7wB17qs/S220/Foto62.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16934420.post-114276765917669190</id><published>2006-03-19T08:25:00.000-03:00</published><updated>2006-03-19T08:27:39.196-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Felicidade não é Chiclete&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; font-family: times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Felicidade, segundo Flea, baixista do Red Hot Chili Peppers, é acordar, acender um cigarro que passarinho não fuma e ouvir Captain Beefheart a todo volume. Bingo!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Já Tom Zé, numa de suas mais inspiradas letras promete a amada que no dia seguinte &lt;i style=""&gt;a felicidade vai desabar sobre os homens&lt;/i&gt;, para completar que ela – a felicidade – &lt;i style=""&gt;mete medo&lt;/i&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Música e felicidade sempre andaram juntas – insinua-se até que há algo mais entre as duas – e a cara sisuda de João Cabral de Melo – que dizia não gostar de música – só reforça essa idéia. Em qualquer comemoração há sempre alguém que puxa um tema e é logo seguido por outros cantores de última hora. É inimaginável uma festa silenciosa nem mesmo em aniversário de surdo, capaz de sentir as vibrações das ondas sonoras.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;O filho da minha amiga, em seu primeiro carnaval no Recife, indaga: &lt;i style=""&gt;pra quê tanta felicidade?&lt;/i&gt; Eu me pergunto o mesmo diante de Chicletes, Ivetes, Evas e coisas do gênero. Tanta necessidade de se afirmar feliz soa como desespero. Em todas as letras tem sempre um &lt;i style=""&gt;tira o&lt;/i&gt; &lt;i style=""&gt;pé do chão, balança, quero ver todo mundo dançando ...&lt;/i&gt; Palavras de ordem gritadas em tom de histeria como verdadeiros nazis da alegria, homicidas da espontaneidade que ficou do lado de fora da corda por falta de grana.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; font-family: times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;i style=""&gt;Pula! Mexe! Mamãe sacode!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; font-family: times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Grana e desespero movem a cultura em torno da axé music e talvez por isso sua natureza seja tão arrivista. A noção de segmentação de classe social é tão forte quanto as cordas de isolamento e seus tentáculos econômicos impregnam secretarias de cultura de todo o país em busca da diversão fácil. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; font-family: times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;No mundo axé, não há espaço de reflexão e para garantir isso o som é alto e agudo, as cores berrantes enchem os olhos, as luzes fortes iluminam os sacerdotes –cabelos sebosos, belas pernas, litros de tintura, modos de pop star - turbinados por algum super Prozac berram no microfone &lt;i style=""&gt;rebola, sobe, desce ...&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; font-family: times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Não há estudo sobre isso mas arrisco dizer que a indústria da estupidez é a que mais cresce nesse mundo, é a mais lucrativa e, no fluxo global, a axé music vergonhosamente representa o Brasil.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; font-family: times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; font-family: times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Água&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; font-family: times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; font-family: times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O Dilúvio é o nome de uma revista/fanzine gaúcha não só bem intencionada como efetivamente bem resolvida. Entrevistas longas, textos politizados e, eventualmente, uma dose de ingenuidade necessária. Numa das edições, entrevista super bacana com nosso querido Bactéria, do Mundo Livre s.a.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; font-family: times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Nos últimos exemplares a revista traz como opção um cd com novos nomes da cena de Porto Alegre.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; font-family: times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Como comprar?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; font-family: times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Manda email pro Tiago Jucá: &lt;a href="mailto:revistaodiluvio@yahoo.com.br"&gt;revistaodiluvio@yahoo.com.br&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; font-family: times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Para checar sem gastar um puto, tente o &lt;a href="http://www.necessito.com.br/odiluvio/"&gt;http://www.necessito.com.br/odiluvio/&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; font-family: times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; font-family: times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Anarquia&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; font-family: times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; font-family: times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Estou relendo e adorando mais uma vez “O curto verão da anarquia”, de Hans Magnus Enzensberger. O livro – com subtítulo “romance” – reúne um apanhado de depoimentos devidamente editados, que nos conduzem a vida de Buenaventura Durruti, líder anarquista espanhol que, em plena guerra civil, montou um enclave utopista em Zaragoza.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; font-family: times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Seus feitos e aventuras são quase inacreditáveis, daí o autor batizar de “romance” embora cercado de registros dos fatos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; font-family: times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Editado pela Companhia das Letras em 1987, está fora de catálogo e é minha recomendação de compra para a próxima vez que você, amigo leitor, for num sebo de livros.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Gibi&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Um dos repórteres de guerra mais importantes da atualidade registrou suas impressões &lt;st1:personname productid="em quadrinhos. Seu" st="on"&gt;em quadrinhos. Seu&lt;/st1:PersonName&gt; nome é Joe Saco. Depois de ter estado na guerra da Bósnia e encarar áreas de assentamento palestino em conflito com o exército israelense, ele nos oferece um pouco de humor em &lt;i style=""&gt;Derrotista&lt;/i&gt;, uma compilação de trabalhos antigos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;A primeira série tem desenhos muitos influenciados por Crumb e personagens satíricos como o contador marxista que colabora para a derrocada do capitalismo consumindo mais café e chá que o suportável na firma onde trabalha ou o ecologista que promove uma greve de fome ... no seu gato.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;O álbum é recém lançado e facinho de achar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; font-family: times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16934420-114276765917669190?l=djdolores.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://djdolores.blogspot.com/feeds/114276765917669190/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16934420&amp;postID=114276765917669190&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/114276765917669190'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/114276765917669190'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://djdolores.blogspot.com/2006/03/felicidade-no-chiclete-felicidade.html' title=''/><author><name>Helder</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14139404676657431741</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SUoQWcMXEPY/S_YT6l5lT_I/AAAAAAAAABw/kedH7wB17qs/S220/Foto62.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16934420.post-114202177546428186</id><published>2006-03-10T17:13:00.000-03:00</published><updated>2006-03-10T17:21:44.903-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>A voz do povo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Depois de seis messes escrevendo esse espaço no Diário, o colunista faz um balanço e resolve compartilhar alguns resultados. Soube que a coluna tem repercutido em listas de discussões, virou pauta em sala de aula e o texto sobre a eletrocooperativa se desdobrou em outras matérias por aí, Brasil afora. O breve debate em torno do funk com meu vizinho do andar de cima teve uma recepção positiva mesmo entre amigos do meio jornalístico. Aplausos para o Diário por sustentar uma polêmica interna saudável!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    O mais bacana é ler os emails escritos por pessoas que gastaram um precioso momento de suas vidas para dar apoio ou malhar essas linhas tão despretensiosas. A primeira reação aconteceu logo no começo: “seus sampleados, junto com toda a sua computação gráfica nem um pouco decorativa, não valem um único 'traço tosco' de Gil Vicente”. Confesso que errei feio. Nosso artista domina plenamente a técnica de desenho e eu escrevi aquilo a partir de uma imagem publicada no jornal. Mas mantenho minha opinião acerca do conceito da obra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Pra compensar, o carinho da Liliana Falangola, neta do pioneiro do cinema pernambucano Ugo Falangola, que me enviou um pedaço de sua intimidade: uma foto do avô numa espécie de altar familiar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Alguns emails são bastante inteligentes e me fazem pensar, como os de Luiz Pattoli, de São Paulo - breve reflexão sobre as mudanças da indústria fonográfica - ou a pergunta de Bruno Lins: ele começa afirmando que "busco o discernimento que se deve ter quando do julgamento de fenômenos como o brega, o funk, e outros ritmos populares sob pena do estabelecimento de uma inflexibilidade nos critérios que dizem respeito à 'qualidade' do que é produzido atualmente no país " pra na seqüência me questionar sobre o porquê de eu detonar a axé music. Essa rende uma coluna. Tá anotado!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Roupa suja&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Mas, queridos leitores, se eu conheço o temperamento pernambucano, acho que o que vocês querem mesmo é saber das arengas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Falar sobre baile funk de modo respeitoso significa confusão: "isto é papo de romântico babaca", me escreve um furioso anônimo para terminar com um "Quanta hipocrisia!"  Isso apenas por que tratei Deise Tigrona e Catra como artistas que eles são. Não tem jeito: é mesmo guerra de classes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Já Romilson se invocou e diz que venho "de longe - Sergipe - esculhambar o nosso frevo" e me manda estudar história. Porém, no fim, não posso deixar concordar com ele: "Sinceramente, nós lemos cada coisa em jornal!!!!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Se existe uma linha tênue entre o amor e o ódio, devo tomar cuidado para que um guitarrista local não se apaixone perdidamente por mim. Por causa de quatro palavrinhas “ares de rock progressivo” - que, a meu ver, não combinava com o palco do Rec Beat -, fui bombardeado em três emails longos numa incrível demonstração de atenção e respeito a cada letrinha contida nessa coluna. O missivista externa seus sentimentos em palavras duras, sem rodeios: "entendo suas mágoas, seus infinitos rancores e recalques e, mais pra frente você tentou criar um sucesso virtual junto com seus amigos jornalistas jabazeiros e comunas , arrumou um bico nessa coluna pra não morrer de fome" - mal sabe ele que escrevo por prazer, meu ganho é essa troca de idéias com os leitores - para concluir com um conselho positivo, “é possível sair da tua mediocridade, explore mais sua beleza, sua indefinida sexualidade”... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra completar, num dos emails o cara se despede com ... um beijo (?). É ruim, hein?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;APR&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confirmado: Diple, DJ/Produtor, parceiro da badalada M.I.A. vai estar presente no Abril Pro Rock desse ano. Gostou? Então escolha uma roupa leve, sapatos confortáveis e caia nos pancadões do rapaz. Esse ano a sexta-feira do festival está para os pés de valsa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16934420-114202177546428186?l=djdolores.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://djdolores.blogspot.com/feeds/114202177546428186/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16934420&amp;postID=114202177546428186&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/114202177546428186'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/114202177546428186'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://djdolores.blogspot.com/2006/03/voz-do-povo-depois-de-seis-messes.html' title=''/><author><name>Helder</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14139404676657431741</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SUoQWcMXEPY/S_YT6l5lT_I/AAAAAAAAABw/kedH7wB17qs/S220/Foto62.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16934420.post-114157589154927455</id><published>2006-03-05T13:22:00.000-03:00</published><updated>2006-03-05T13:43:02.886-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;font-size:130%;" &gt;Sem Juízo&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ryan Larkin é o nome de um ex-animador canadense que foi indicado ao Oscar e tornou-se referência no mundo dos filmes desenhados. Sobre ele foi feito um documentário (Ryan, de 2004) bastante perturbador, com recursos de 3D com ares de caricatura hiper realista espiritual (!?). O detalhe importante é que Ryan, no auge da sua carreira, despencou num abismo de álcool e cocaína que o tornou um mendigo igual a tantos outros nas ruas de Toronto.&lt;br /&gt;Num dos depoimentos, do produtor executivo dos filmes de Ryan, uma chave-mestra: “Como tantos artistas Ryan tinha medo de perder o juízo”. Muitas vezes abrimos mão de muitas coisas, jogamo-las fora pelas janelas da vida para manter nosso senso de equilíbrio entre a fantasia, o desejo e a realidade.&lt;br /&gt;Das várias formas de arte, a música parece tocar as pessoas mais facilmente e o músico é aquele cara bacana que toca o que a gente gosta de ouvir e nos representa do alto do palco. Sim, por que se sentir representado é a cola que atrai o público. Em meio a bajulações, paparicos, grana a rodo, sexo abundante e elogios fáceis, é muito comum qualquer um perder irremediavelmente seu precioso juízo.&lt;br /&gt;Aliás, nem é preciso ir tão longe. Aqui mesmo na cidade já houve casos em que a fama – pequena, minúscula, quase microscópica – subiu à cabeça de alguns, conduzindo-os numa viagem sem volta ao mundo cego da vaidade e da autodestruição. Amigos traídos, ideais comprometidos e talento desperdiçados pela fama, fatal fama.&lt;br /&gt; Imaginem, camaradas, quando se está no topo do mundo como um Elvis inchado, isolado, sem amigos verdadeiros – apenas assessores puxa-saco – que o ponham no chão e evitem o suicídio da consciência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:130%;" &gt;Carnavália 1&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;O Porto Musical seguido do carnaval é um verdadeiro teste para a saúde da gente. Esse ano devo ter perdido alguns milhões de neurônios torrados pelo sol ou largados nas ladeiras da vida.&lt;br /&gt; O Porto cresceu significativamente esse ano, o que expôs alguns problemas de conceituação – a temática é tão ampla que se dilui na extensa programação em relatos de experiências pessoais nem sempre interessantes – e formatação – seria ótimo ter debates mais longos, com bons mediadores, aprofundamento dos temas e interação maior com a platéia... do jeito que está, tem-se muitas vezes a sensação de que nada ficou depois de uma hora de monólogo e colocações fragmentadas da audiência. A falta de um tronco conceitual também se reflete na programação dos shows que esse ano foram demasiadamente irregulares. Os vazios na Praça do Arsenal eram um claro demonstrativo de que faltou pegada em alguns grupos para manter o público atento.&lt;br /&gt; O evento é jovem – essa é apenas a segunda edição – e deve melhorar com o tempo e os ajustes necessários.&lt;br /&gt; A parte boa foi possibilitar o encontro de músicos da região com profissionais de porte internacional – não é todo dia que a gente esbarra com o programador do Barbican Center, de Londres, ou do mega festival Dinamarquês, Roskilde, nas ruas do Recife –, resultando em convites para shows e articulações de lançamentos de discos no mercado exterior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:130%;" &gt;Carnavália 2&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt; Vazio de público também estava o Rec Beat, numa das mais equivocadas programações do festival, referência sólida do carnaval recifense. É inexplicável a presença de um grupo de cover dos Beatles ou aquele estranho sopro de rock progressivo e o horrível arremedo tecno no palco do festival que costuma ser tão bacana.&lt;br /&gt; Entre os acertos, veteranos como Riachão e o Carimbó Uirapuru ou os óbvios Nação Zumbi, Eddie e Academia da Berlinda, tiros que nunca erram no gosto do público. Faltou ousadia e espero ansioso por uma programação mais inspirada no ano que vem.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16934420-114157589154927455?l=djdolores.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://djdolores.blogspot.com/feeds/114157589154927455/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16934420&amp;postID=114157589154927455&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/114157589154927455'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/114157589154927455'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://djdolores.blogspot.com/2006/03/sem-juzo-ryan-larkin-o-nome-de-um-ex.html' title=''/><author><name>Helder</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14139404676657431741</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SUoQWcMXEPY/S_YT6l5lT_I/AAAAAAAAABw/kedH7wB17qs/S220/Foto62.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16934420.post-114074173507178501</id><published>2006-02-23T21:40:00.000-03:00</published><updated>2006-02-23T21:42:15.096-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;Meu Carnaval&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Morei em Aracajú, capital de Sergipe, até os 18 anos e durante esse tempo todo o carnaval pra mim se resumia ao desfile de escolas de samba mixurucas e bêbados desorientados na Barão de Maruim. Íamos – toda a família – observar aquelas fantasias tão simplórias e desprovidas de glamour que faziam o evento se assemelhar a um desfile de sete de setembro – caso os militares tivessem senso de humor – que acontecia anualmente na mesma avenida.&lt;br /&gt;O primeiro carnaval em Recife me meteu medo. Meus olhos de roqueiro provinciano – esses tipos são realmente radicais – enxergavam uma tragédia humana naquela loucura – por que não repetir o clichê? – contagiante! A idiotia voluntária tomava conta de todos – quem jogou cogumelos alucinógenos no reservatório de água? – e foliões ensandecidos se jogavam na lama da ansiedade, secos por diversão. Demorei e fugi sempre que pude desse tsunami durante anos até que fui obrigado a encará-lo quando apareceu o primeiro convite para tocar no carnaval. Foi um batismo duplo: no palco com a banda e na tenda eletrônica, solitário DJ deslocado em terreno de êxtase hedonista.&lt;br /&gt;E não é que passei a olhar o carnaval de modo diferente? De lá de cima do palco dá gosto de ver o povo metamorfoseado em bichos saltitantes, uma massa corpórea desprovida de individualismos, todos juntos reunidos numa pessoa só. &lt;br /&gt;Imagine isso no tempo em que o frevo, essa música peculiar à cidade, existia a ponto de gerar disputas acirradas em busca de destaque nos carnavais recifenses... Nas calçadas da Dantas Barreto, num beco sujo paralelo à Concórdia, naquele primeiro andar de um prédio escondido na Manoel Borba encontra-se um pouco do que restou de uma era capitaneada por selos que costumavam lançar suas apostas para cada ano em compactos de 7 polegadas. Músicas exalando o frescor de uma era dourada que sumiu na fumaça do tempo. Através desses disquinhos podemos comprovar as mudanças do estilo em termos de composição e técnica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;7 polegadas de música&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Discos de 7 polegadas são aqueles pequeninos também conhecidos como compactos. Na antiga época dos vinis eles serviam para lançar e testar uma faixa de trabalho, ou seja, a que “estouraria”. Fazer um disco era muito caro, tinha-se então que pisar mansamente nesse chão desconhecido que é o gosto do público.&lt;br /&gt;E há coisas fantásticas, deliciosas mesmo hoje em dia, se bem que esquecidas. Uma das minhas favoritas se chama Quem não bebe!... É bebido... dos Irmãos Valença onde eles destilam a seguinte resolução: Eu hei de viver bebendo com um bom copo na mão para, numa inspiração sobrenatural e assustadora concluir: Quem não bebe nesse mundo, no outro mundo será bebido. O nome do pretinho é Frevos para o carnaval de 1966.&lt;br /&gt;Outro de capa linda traz dois maracatus de Capiba, de 1977, interpretados por Nadja Maria. Êh! Luanda! e Êh! Uá calunga têm arranjos bem contemporâneos, com um balanço quase funky. Bem gravado, bom pra samplear ou simplesmente saborear em audição atenciosa. &lt;br /&gt;Por fim, um pedaço desconhecido do grande Nelson Ferreira está em Monólogos, composto de dois poemas de Aldemar Paiva, declamados por ele mesmo enquanto o grande maestro improvisa ao fundo com piano de modo bastante eclético. Seria impressão minha ou há ares de Satie em alguns momentos? Surpreendente são os versos de introdução de Monólogo para Papai Noel onde se ouve Não gosto de você Papai Noel, nem gosto desse seu papel de vender ilusões a burguesia. &lt;br /&gt;Punk!!!!!!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;7 toneladas de machismo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não adianta argumentar: pode até vender e ganhar prêmios – eles adoram se autopremiar - mas a publicidade no Brasil parece ser feita por jecas! As propagandas de cerveja nessa época do ano se empenham em usar a música – pobre música – para fortalecer seus estereótipos. E tome samba, mulheres “gostosas” – loiras e magras em geral –  ou eletrônica para descrever “mudernos”.&lt;br /&gt;Por detrás desses filmes bem fotografados, bem iluminados, repletos de moças bonitas e atrizes globais há a mentalidade de um sujeito bronco, coçando o saco, amuado na frente da TV.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16934420-114074173507178501?l=djdolores.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://djdolores.blogspot.com/feeds/114074173507178501/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16934420&amp;postID=114074173507178501&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/114074173507178501'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/114074173507178501'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://djdolores.blogspot.com/2006/02/meu-carnaval-morei-em-aracaj-capital.html' title=''/><author><name>Helder</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14139404676657431741</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SUoQWcMXEPY/S_YT6l5lT_I/AAAAAAAAABw/kedH7wB17qs/S220/Foto62.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16934420.post-114019499053109793</id><published>2006-02-17T14:48:00.000-02:00</published><updated>2006-02-18T15:04:54.976-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;Quem critica a crítica?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Junto com os primeiros discos de punk rock – e tudo o mais que caía nas mãos, naqueles verdes anos – vieram as histórias por detrás da música. Informação que ia além das faixas e me fazia torrar meu parco dinheiro com revistas e jornais – na verdade o caderno cultural de algumas publicações. O objetivo: sentir o mundo que aquela música representava.&lt;br /&gt;Quase tanto quanto os poetas e romancistas, os críticos de música me faziam sonhar. Lendo as revistas da época eu me instalava na Oxford Street, em Londres, e me imaginava atirando pedras na polícia, me sentia parte das orgias de sexo e drogas – inventadas, diga-se de passagem – pelo maluco Ezequiel Neves ou me indignava com o conservadorismo americano como Ana Maria Bahiana fez numa memorável resenha para  The Bells, de Lou Reed.&lt;br /&gt;O tempo passou e conheci Bia Abramo, colaboradora da Bizz e Folha de São Paulo no auge das minhas descobertas adolescentes.  Logo depois dos cumprimentos de praxe, disparei: você sabia que grande parte da minha coleção de discos foi influenciada por sua opinião? Ela ficou séria e respondeu que já havia pensado sobre isso, sobre a responsabilidade que se tem ao opinar sobre um livro ou um disco.&lt;br /&gt;Fui educado por alguns bons jornalistas imersos na cultura de massa. Não quero parecer nostálgico - apenas tratava-se de uma boa safra – mas quando leio alguns artigos nos cadernos de cultura penso no estrago que um texto, do alto de sua arrogância – todo ignorante tem certeza que é um sábio – pode fazer numa cena. &lt;br /&gt;A lei obriga os jornalistas a terem diploma. O que é um diploma? Um pedaço de papel que diz que você teve paciência - ou astúcia para driblar os professores – e concluiu seu curso. Você sabe escrever uma sentença mas de onde vem sua opinião? Viajou? Gastou horas se informando? Acompanha a obra do autor? Conhece a origem daquela música? Tem parâmetros comparativos para julgar o objeto de crítica? &lt;br /&gt;Tantas vezes percebemos que é puro “achismo”, o pão com manteiga do lar que se leva até a redação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Caso 1&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não deveria acontecer mas acontece com muita freqüência. O jornalista vem me entrevistar e não sabe absolutamente nada sobre o meu trabalho. É incapaz de me questionar e se torna um mero porta-voz das besteiras que esse DJ é capaz de falar.&lt;br /&gt;Há dois dias atrás uma moça irritou-se porque sugeri que ela desse uma olhada no Google antes de prosseguirmos, visto estava que ela não sabia nada a respeito de música eletrônica. Indignada ela retrucou: “sou jornalista e não preciso conhecer o assunto pra escrever sobre ele.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Caso 2&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse colunista recebe inúmeras notas – muitas vezes em tom opinativo – de assessorias de imprensa. As relações entre as assessorias e os jornalistas são tão viciadas que as notas já vêm prontinhas para serem publicadas! Bom para quem está na redação, são algumas linhas a menos para se dar ao trabalho de pensar; bom para quem envia pois está lá sua publicidade com o aval do jornal. &lt;br /&gt;Ruim mesmo é para nós, leitores que gostamos de opinião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O resultado ...&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das mais originais atrações que poderíamos ter nesse carnaval seria uma autêntica aparelhagem de Belém do Pará, cedida sem custos ao Recife ou Olinda. Um muro de som à disposição dos organizadores do Rec Beat com intuito de promover a cultura musical de Belém e interagir com os DJs locais. &lt;br /&gt;Não rolou pois as autoridades da área de cultura – tanto de Recife quanto de Olinda – não cederam terreno para a montagem do equipamento, influenciadas pela imagem que a imprensa (TV, rádio, publicações ...) faz das pacatas e divertidas aparelhagens.&lt;br /&gt;Ruim para nós, que gostamos de diversão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16934420-114019499053109793?l=djdolores.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://djdolores.blogspot.com/feeds/114019499053109793/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16934420&amp;postID=114019499053109793&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/114019499053109793'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/114019499053109793'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://djdolores.blogspot.com/2006/02/quem-critica-crtica-junto-com-os.html' title=''/><author><name>Helder</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14139404676657431741</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SUoQWcMXEPY/S_YT6l5lT_I/AAAAAAAAABw/kedH7wB17qs/S220/Foto62.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16934420.post-113957804453287002</id><published>2006-02-10T11:26:00.000-02:00</published><updated>2006-02-10T11:27:24.546-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b style=""&gt;Eu só quero é ser feliz&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Em artigo da sexta-feira passada nesse Diário sobre o recente disco do DJ Marlboro, maior fenômeno comercial dos bailes funk, o autor se confunde ao usar o termo “batidão” quando seria “pancadão”, chama de neopopulistas os simpatizantes do baile funk e generaliza sua opinião a partir do trabalho de apenas um entre tantos outros produtores do gênero.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;As letras são “indigentes”, diz o texto. Ora, meus amigos, estamos falando de cultura pop, essa coisa complexa que é o que não parece ser, camaleônica e cínica em suas intenções. Se fôssemos julgar “indigência” nas letras não seríamos fãs dos &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Ramones – “&lt;i style=""&gt;now i wanna sniff some glue, now i wanna have somethin’ to do&lt;/i&gt;” é repetido ad infinitum em uma de suas faixas –, nem do reggae com suas babilônias, baseados e jahs – mesmo Bob Marley não foge aos clichês –, ou o samba com seu “pato cantando alegremente” e a “chupeta pro neném não chorar”. Tudo deve ser julgado dentro de um contexto sob pena de se ter um valor absoluto e autoritário. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A gente discute o gosto dos outros o tempo inteiro pois lá se encontra o exato reflexo dos valores da vida da gente. Tudo aquilo que dá prazer a um povo é um poderoso catalisador social e daí o medo em relação ao gosto da plebe – rude? Um baile cheio, com milhares – sim, senhoras e senhores, eu disse milhares – de pessoas se esbaldando na pista é uma beleza, uma voz que a “sapiência” da imprensa e as artimanhas das gravadoras não conseguem calar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Para terminar, cito Mr. Catra que, em uma de suas letras, diagnostica a doença: “o movimento é político-social” para logo em seguida propor a cura, “vamos traficar cultura?”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b style=""&gt;A Cantora&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Está confirmado: Camille, musa francesa, vocalista do Nouvelle Vague e autora de um dos discos mais bacanas do ano passado vai estar presente no Abril Pro Rock. Esse é o primeiro de uma série de nomes internacionais que o produtor Paulo André Pires fecha para a edição desse ano do festival.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Responsável por criar pontes de ida do Recife para o exterior, Paulo André agora tenta fazer o caminho inverso para trazer um pouco desse mundo vasto mundo para nossa cidade. E o Porto Musical, que começa em alguns dias, já é um bem sucedido resultado desse trabalho.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b style=""&gt;As Bandas&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Das centenas de&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;gravações de bandas que chegam às mãos de Paulo André para a seleção no Abril Pro Rock, a maioria esmagadora é de pop rock da década de 80. O modelo? Paralamas do Sucesso, Capital Inicial, Ultrage a Rigor... Outra leva importante é de bandas que tem som “mangue”, leia-se clones mal feitos da Nação Zumbi com tambores e riffs à &lt;st1:personname productid="la L￺cio Maia." st="on"&gt;&lt;st1:personname productid="la L￺cio" st="on"&gt;la Lúcio&lt;/st1:PersonName&gt; Maia.&lt;/st1:PersonName&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Uma parte parou há 20 anos, outra está na década de 90....&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Quando chegarão ao século 21, niguém sabe.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;b style=""&gt;O Herege&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Um policial casto/católico numa ilha pagã nos cafundós da Escócia em busca de uma menina desaparecida é o mote para “O Homem de Palha” (The Wicker Man), dirigido por Robin Hardy, em 1973. Bizarro e fascinante, o filme traz um Cristopher Lee de cabelo pintado de acaju – horrível! - ao som de folk psicodélico escocês.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;O melhor é que foi lançado numa dessas séries que chega às bancas de revista bem baratinho: dez realezas!!! Hollywood se empenha numa nova versão, mas duvido que seja tão bacana quanto a original.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16934420-113957804453287002?l=djdolores.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://djdolores.blogspot.com/feeds/113957804453287002/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16934420&amp;postID=113957804453287002&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/113957804453287002'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/113957804453287002'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://djdolores.blogspot.com/2006/02/eu-s-quero-ser-feliz-em-artigo-da.html' title=''/><author><name>Helder</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14139404676657431741</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SUoQWcMXEPY/S_YT6l5lT_I/AAAAAAAAABw/kedH7wB17qs/S220/Foto62.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16934420.post-113890347842312299</id><published>2006-02-02T16:04:00.000-02:00</published><updated>2006-02-02T16:14:37.493-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b style=""&gt;O Intepro&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Encontrei o Intelectual de Província num bar sufocante, mesmo que aberto fosse para o céu estrelado daquela pequena cidade nordestina. Ele é um performer!! Gesticula e fala pelos cotovelos, despejando toda sua sabedoria nos pobres ouvintes emudecidos diante de tanta erudição. Sim, porque o Intelectual de Província sabe tudo sobre todas as coisas já feitas no planeta Terra, por mãos humanas ou divinas, desde detalhes da corte de Idi Amim Dada ao colosso de Rhodes. Nada escapa às leituras dessa sumidade.&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-size:130%;" &gt;         &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Com a certeza de leitor dedicado, ele descreve as montanhas da lua e a temperatura do Sudão carregando no sotaque, pois o Intepro (assim o chamaremos dada a nossa intimidade) é acima de tudo um nacionalista, patriota e cidadão atuante de sua vila.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Na banda maranhense Tribo de Jah quem tem um olho é cantor. Em seu ambiente dominado pelo mormaço esse ser humano é tido como “um crânio”, uma sabedoria sem igual, quiçá o “Rui Barbosa dos nossos tempos”, e, portanto, exerce o cargo de professor. Talvez porque nunca passou pela cabeça de seus pares que informação sem reflexão serve apenas a almanaques de curiosidade e memória acentuada não significa inteligência. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O Intepro é, no fundo, um tolo, palhaço involuntário de mesas de bares. Ele não percebeu que a experiência é algo insubstituível e sem ela a história da humanidade se torna um conto de fadas esvaziado por falta de diálogo com o presente. Seu pensamento positivista faz-lhe crer que, sim, a sociedade sabe para onde está indo, e sua fé na ciência lhe dá a certeza de que os anabolizados frangos de granja são saudáveis e comida orgânica é “uma invenção para ganhar dinheiro”. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O que nosso amigo tem a dizer sobre música? “A originalidade da música acabou com Debussy” (embora alguns dos seus amigos digam que foi com os Beatles). Justamente numa era em que samples e laptops reciclam velhas gravações para pavimentar os caminhos de uma música futura. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Impulsivas&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Foi lançado no fim do ano passado nos Estados Unidos e agora em fevereiro chega no Brasil a série de remixes exclusivos para faixas do lendário selo Impulse, que tem em seu catálogo alguns dos mais expressivos nomes do jazz. No cardápio RZA, ex-Wu Tang Clang, revê&lt;b style=""&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 153, 255);"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;i style=""&gt;II B.S&lt;/i&gt;. de Charles Mingus; Gerardo Frissina reconstrói &lt;i style=""&gt;Swing Low Cadillac&lt;/i&gt;, de Dizzie Gillespie, e este que vos escreve apimentou o &lt;i style=""&gt;Spanish Rice&lt;/i&gt;, de Chico O’Farrill. Ainda tem Prefuse 73, Kid Koala (estranhíssimo) e Chief Xciell (Blackalicious) entre outros. Nome do projeto&lt;i style=""&gt;: Impulsive!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-size:130%;" &gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Psicodélicas&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Sensacional, bom até dar uma dor, são os volumes da série World Psychedelic Classics, do selo Luaka Bop. No primeiro volume, nossos conhecidos, Os Mutantes, em compilação decente e roqueira, mas o bacana mesmo vem com o segundo volume focado na figura do bluesman Shuggie Otis brincando de fazer soul psicodélico. O resultado é singelo, fino e super cool. Bom para ouvir, funcional para agradar as moças. O mais recente, &lt;i style=""&gt;Love’s a Real Thing&lt;/i&gt;, trata de bandas do oeste africano, deliciosamente funkeadas e algumas vezes suaves como o vento que sopra nas folhas da savana.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Eletrônicas&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;i style=""&gt;Geração Eletrônica&lt;/i&gt; é o título do livro lançado durante a série de eventos patrocinada pelo Centro Cultural Telemar, no Rio de Janeiro. Bom para os olhos e para a cabeça, tem textos de Camilo Rocha, Tom Leão, Dudu Marote, Carlos Albuquerque ... Visões de dentro para fora do mundo da eletrônica. Minha contribuição é um texto sobre a cena no nordeste. Mais informações no site www.geracaoeletronica.com.br&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16934420-113890347842312299?l=djdolores.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://djdolores.blogspot.com/feeds/113890347842312299/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16934420&amp;postID=113890347842312299&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/113890347842312299'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/113890347842312299'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://djdolores.blogspot.com/2006/02/o-intepro-encontrei-o-intelectual-de.html' title=''/><author><name>Helder</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14139404676657431741</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SUoQWcMXEPY/S_YT6l5lT_I/AAAAAAAAABw/kedH7wB17qs/S220/Foto62.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16934420.post-113839105501450587</id><published>2006-01-27T17:42:00.000-02:00</published><updated>2006-01-27T17:44:15.030-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Ciganos na Babilônia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seis dias em Nova Iorque: frio de lascar - embora não seja o inverno mais rigoroso da cidade - cinco performances em quatro clubes diferentes, visitas a gravadoras, livros incríveis,  discos desejáveis e, para circular pela cidade, metrô durante o dia e táxis à noite.&lt;br /&gt;            Em nenhuma vez a nacionalidade do taxista se repetiu. Do sudanês gente fina ao mexicano mau humorado, do melancólico paquistanês ao gentilíssimo negro de Trinidad Tobago que planejava passar férias no Brasil, ouvi sotaques carregados e distintos que me fizeram crer que se a Babilônia existe ela é Nova Iorque.&lt;br /&gt;            A Babilônia tem abrigado sonhos de riqueza e de mera sobrevivência, gente de todas as partes do mundo envenenam a caretice americana com seus temperos éticos. Perseguidos buscam a paz no meio do caos da cidade, ralés do mundo inteiro vêem lá a chance de uma nova vida. Esse foi o caso da família de Eugene Hütz, ucraniano e líder do Gogol Bordello, principal grupo de uma cena que só poderia existir em Nova Iorque, os ciganos punks.&lt;br /&gt;            Eugene Hütz é um figuraço. Perguntado sobre seu disco favorito de world music ele respondeu que era o primeiro do Dead Kennedys, Fresh fruit for rotting vegetables, porque “de onde eu vim isso é world music”. Apesar de lançados por um selo especializado em hardcore, a música do Gogol Bordello reflete a sede de conhecimento típica de quem nasceu na beira do mundo e tem de tudo um pouco: ragga, rock, escalas do leste em acordeons e violinos e, em 60 revolutions, do disco Gypsy Punks, uma inusitada influência latina. Alegre, rápido e selvagem, Hütz também escreve letras inteligentes que mostram o ponto de vista do imigrante na Babilônia em sugestivos títulos como Green Card Hussband, Imigrant Punk e, meu favorito, Think Loccally Fuck Globally.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O DVD da semana&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você acha que house music é aquela coisa chata que toca nos clubes do Recife, está na hora de rever seus conceitos. Maestro, de Josell ramos, capta a gênese do estilo, tendo como centro o lendário Lerry Levan, residente do Paradise Garage, clube novaiorquino que catalisou a cena no fim da década de 80.&lt;br /&gt;Dance music além do escapismo da disco,  a cena house entre chicago e a Babilônia foi trilha sonora para uma intensa movimentação social reunindo negros, latinos e o incipiente orgulho gay.&lt;br /&gt;A história é contada através de freqüentadores, produtores e DJs como Frankie Grasso (detonadíssimo), Danny Tenaglia e François K.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pensamento da semana&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Li, e achei que vocês iam gostar, uma citação de Issac Singer logo na primeira página de  My Idea of Fun, do escritor inglês e pau-pra-toda-doidice, Will Self: Digo pra mim mesmo para não ficar chocado mas todas as vezes me choco novamente pelo que as pessoas fazem para se divertir, por razões que elas mesma não sabem explicar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mico da semana&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ver um músico genial como Dominguinhos cantar o hino de Pernambuco para vender material de construção é constrangedor. O pior é que, num tremendo clichê publicitário, sua voz é precedida por vozes de “populares” com sotaque ... do sudeste.&lt;br /&gt;Ninguém merece.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16934420-113839105501450587?l=djdolores.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://djdolores.blogspot.com/feeds/113839105501450587/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16934420&amp;postID=113839105501450587&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/113839105501450587'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/113839105501450587'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://djdolores.blogspot.com/2006/01/ciganos-na-babilnia-seis-dias-em-nova.html' title=''/><author><name>Helder</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14139404676657431741</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SUoQWcMXEPY/S_YT6l5lT_I/AAAAAAAAABw/kedH7wB17qs/S220/Foto62.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16934420.post-113781836451675891</id><published>2006-01-21T02:38:00.000-02:00</published><updated>2006-01-21T02:39:24.533-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Deise ganha asas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rua Augusta, São Paulo. Moças com muito passado e pouco futuro circulam entre travestis e clientes. Encravado entre shows de streep-tease, casas de jogatina e botecos suspeitos, está o Vegas, empestado de fumaça, barulho e suor. Naquela noite quente de segunda-feira Deise Tigrona daria o ar da graça para um público predominantemente GLS. Tímida e franzina, ela se transforma assim que empunha o microfone e manda essa: “Tem que ser muito homem pra dar o c*!” A platéia empolgada reage aos gritos. O show começa.&lt;br /&gt;Deise está feliz e tem motivos para isso. Ela está em vias de encerrar seu contrato com o chefão do baile funk, DJ Marlboro. Sob sua proteção ela tinha garantido várias apresentações diárias em bailes no Rio, músicas tocadas no Big Mix, principal transmissão do gênero, e entrada fácil em programas da Rede Globo.&lt;br /&gt; Mas agora Deise é livre para se reinventar como artista. Ela convidou admiradores do porte de Daniel Bozio e Tejo Damasceno, do Coletivo Instituto, e DJ Nuts, o melhor turntablist do país, entre outros, para produzirem faixas para o disco que celebrará sua alforria. Como qualquer artista de seriedade Deise quer ir além do que tem em suas mãos. Esse “ir além” significa atingir mais gente, ganhar respeito e, o mais difícil: superar o enorme muro de preconceito e estigmatização que ronda o baile funk.&lt;br /&gt;É muito fácil para a terrível classe média do Brasil aceitar os artistas do funk como personagens folclóricas e estereotipadas. É muito mais fácil rir das letras engraçadas de caráter pornô e manter uma relação com o gênero musical como quem vai ao zoológico ... Tudo visto à distância.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Catra&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro que tem uma longa lista de serviços prestados ao funk carioca é Mr. Catra, que tenta também sua emancipação num disco de longa gestação, sem previsão de saída. Tive acesso às faixas e, endossando as palavras do produtor Marcos Boffa (Eleterônika, Sonar ...), diria que, se o Brasil tivesse uma distribuição de renda mais justa, o funk seria tão grande aqui quanto o hip-hop é nos Estados Unidos.&lt;br /&gt;As letras de Mr. Catra são contundentemente violentas. Ele reza a dura cartilha de ética do morro com fervor. Sua rima é exata e sua música traz a explosiva combinação de baile e bandidismo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos por um&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fala-se muito nessa coluna de criação coletiva. O livro “Emergência, a dinâmica de rede em formigas, cérebros e softwares”, de Steven Johnson, é uma excelente reflexão sobre poder descentralizado e auto-organização. Teórico do Ciberespaço, o autor apresenta interessantes comparações entre biologia e cultura. Altamente recomendável!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Silver Apples&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O leitor Mateus Toledo ganhou o CD do DJ Dolores X Instituto: Narradores de Javé pela indicação de um grupo, segundo suas palavras “tão denso e claustrofóbico quanto o Velvet Underground” e “soa como se o mc5 (ou o Stooges, tanto faz), mal comparando, se metesse a fazer "plings" e "plóings" com o maquinário jurássico disponível então no período. È isso aí: incomodou a acariciou estes ouvidos furados.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16934420-113781836451675891?l=djdolores.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://djdolores.blogspot.com/feeds/113781836451675891/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16934420&amp;postID=113781836451675891&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/113781836451675891'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/113781836451675891'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://djdolores.blogspot.com/2006/01/deise-ganha-asas-rua-augusta-so-paulo.html' title=''/><author><name>Helder</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14139404676657431741</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SUoQWcMXEPY/S_YT6l5lT_I/AAAAAAAAABw/kedH7wB17qs/S220/Foto62.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16934420.post-113712874921588335</id><published>2006-01-13T03:04:00.000-02:00</published><updated>2006-01-13T03:05:49.236-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; color: rgb(255, 255, 255);"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 14pt; font-family: Arial;"&gt;Um experimento na era da web&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; color: rgb(255, 255, 255);"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt; font-family: Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; color: rgb(255, 255, 255);"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt; font-family: Arial;"&gt;A cria nasceu há uns dois anos atrás. Charmosa, ficou em casa, longe dos ouvidos dos vizinhos, paparicada orgulhosamente pelos pais. E olha que são muitos, nem tão ciumentos mas corujas da sua obra.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; color: rgb(255, 255, 255);"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt; font-family: Arial;"&gt;A cria finalmente conseguiu sua emancipação e no fim do mês passado chegou às lojas. Promete causar sensação, digo eu, o mais alegre dos pais. Estou me referindo ao CD &lt;i style=""&gt;Narradores de Javé - Instituto vs. DJ Dolores&lt;/i&gt;, vermelho e esperto como bebê pródigo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; color: rgb(255, 255, 255);"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt; font-family: Arial;"&gt;A história é que fiz a trilha sonora para o filme homônimo, da diretora Eliane Café e, findo o trabalho, eu tinha em mãos vários temas bacanas que gostaria de lançar &lt;st1:personname productid="em CD. Resolvi" st="on"&gt;em CD. Resolvi&lt;/st1:PersonName&gt; testar uma tese muito preciosa para mim: compartilhar aquelas músicas com outras pessoas com intuito de mutiplica-la através dos pontos de vista dos envolvidos. Coube ao coletivo Instituto distribuir e administrar o projeto. E gente como B Negão, Fernando Catatau, Kassin, Flu, Maurício Takara e muitos outros acabaram se metendo nessa aventura. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; color: rgb(255, 255, 255);"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt; font-family: Arial;"&gt;Os convidados tiveram total liberdade para acrescentar ou suprimir instrumentos e letras e em contrapartida ganharam co-autoria. Do meu lado, houve casos em que fiz uma&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;música e virei autor de várias. Tem mais: eu digo que, em muitos casos, a releitura é melhor que a original!! &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; color: rgb(255, 255, 255);"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt; font-family: Arial;"&gt;Nada se prever no mundo da música. A gente atira uma isca e espera que algum peixe morda e aquela canção vire um sucesso e faça o rio da prosperidade passar na nossa casa.. Deixar que essas pessoas mexam no meu trabalho, dividindo os méritos com eles só aumenta minhas chances de fisgar um peixe.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt; font-family: Arial;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);"&gt;Esse é o modo de trabalhar música do futuro: sem mesquinharia congelada de gravadora, porque, na era da internet, generosidade e espírito coletivo podem ser negócios lucrativos.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16934420-113712874921588335?l=djdolores.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://djdolores.blogspot.com/feeds/113712874921588335/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16934420&amp;postID=113712874921588335&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/113712874921588335'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/113712874921588335'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://djdolores.blogspot.com/2006/01/um-experimento-na-era-da-web-cria.html' title=''/><author><name>Helder</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14139404676657431741</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SUoQWcMXEPY/S_YT6l5lT_I/AAAAAAAAABw/kedH7wB17qs/S220/Foto62.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16934420.post-113652059507358679</id><published>2006-01-06T02:09:00.000-02:00</published><updated>2006-01-06T12:42:14.866-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; color: rgb(255, 255, 255);"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Maldito DJ&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="color: rgb(255, 255, 255);" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:130%;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; color: rgb(255, 255, 255);"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:130%;"  &gt;Quando cheguei no Recife, tive como porta de entrada a antiga Rodoviária, hoje desativada, no cais de Santa Rita. Fui andando de lá até a Boa Vista onde repousaria meu corpo cansado de tantas novidades da cidade grande: lojas de discos, livrarias como a Livro 7, o ainda belo bar Savoy com seus estofados vermelhos e a imensa Conde da Boa Vista onde conheci uma &lt;i style=""&gt;punkezinha&lt;/i&gt;, argumento maior de que eu tinha chegado na cidade certa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="color: rgb(255, 255, 255);" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:130%;"  &gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;Corria 1984 e a maioridade estava em minhas mãos. O motivo que me trouxe para cá foi aquela fome de mundo que eu não poderia aplacar em Aracajú, onde morava na época. Aqui encontrei a porta que procurava e agora, passado tanto tempo, posso dizer que, como naquela tela de Cícero Dias, &lt;i style=""&gt;eu vi o mundo e ele começava no Recife&lt;/i&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; color: rgb(255, 255, 255);"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:130%;"  &gt;Hoje, lamento que o que para mim foi a entrada no vasto mundo lá fora para muitos nascidos aqui representa um túmulo com o epitáfio, em letras douradas, onde se vê escrito “bairrismo”. Ah, esse sentimento horrível que nega a diferença e nos faz acreditar que, de maneira absoluta, o lugar que a gente vive é melhor que os outros lugares. Ah, esse auto-engano que cega a vista diante de tantas possibilidades de vida ... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:14;color:black;"   &gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-size:130%;" &gt;Premissas mentirosas, ignorância, preguiça intelectual, benevolência crítica ... Tudo isso funciona como amarras de uma cena que poderia ser maior, inclusive mercadologicamente. O efeito do bairrismo é se fechar contra o mundo. Não por acaso o bairrista é sempre alguém que teve oportunidades negadas fora da cidade e por isso o lugar fica tão importante quanto uma pequena tábua de salvação. Seu amor ao Recife é falso, posto que não houve escolha mas é a única coisa que ele tem para se agarrar. O bairrista é como aquele anão, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;i style="color: rgb(255, 255, 255);"&gt;orgulhoso de sua altura&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-size:130%;" &gt;, tão bem descrito por Stendhal.&lt;/span&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16934420-113652059507358679?l=djdolores.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://djdolores.blogspot.com/feeds/113652059507358679/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16934420&amp;postID=113652059507358679&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/113652059507358679'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/113652059507358679'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://djdolores.blogspot.com/2006/01/maldito-dj-quando-cheguei-no-recife.html' title=''/><author><name>Helder</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14139404676657431741</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SUoQWcMXEPY/S_YT6l5lT_I/AAAAAAAAABw/kedH7wB17qs/S220/Foto62.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16934420.post-113597069940982772</id><published>2005-12-30T17:24:00.000-02:00</published><updated>2005-12-30T17:27:01.530-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.45pt; line-height: 150%; color: rgb(255, 255, 255);"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;Senhor tempo bom&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.45pt; line-height: 150%; color: rgb(255, 255, 255);"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:130%;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.45pt; line-height: 150%; color: rgb(255, 255, 255);"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:130%;" &gt;O escritor romeno Emil Cioran descreve uma louca que “corria atrás do tempo”, para agarrá-lo e retê-lo consigo. Há em muitos de nós um quê dessa mulher, desse desejo de segurar um tempo que passou e não volta mais, uma nostalgia, muitas vezes, sobre algo que sequer se viveu. É dessa matéria que se alimentam os dinossauros da música, perdidos no limbo, expostos como cadáveres articulados no museu da memória. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.45pt; line-height: 150%; color: rgb(255, 255, 255);"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:130%;" &gt;O mais curioso é que a natureza da música pop é efêmera. Uma canção é feita para durar um verão e ser esquecida até que algum produtor a resgate numa compilação nostálgica ou que aconteça aquele fenômeno bem pop chamado revival. E aí toma-se de assalto o porão dos anos em busca daquela época em que se era feliz e não sabia. Porque é muito mais fácil ser feliz no passado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.45pt; line-height: 150%; color: rgb(255, 255, 255);"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:130%;" &gt;“No meu tempo é que a música era boa”, dizem alguns.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.45pt; line-height: 150%; color: rgb(255, 255, 255);"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:130%;" &gt;“Meu mundo é hoje”, diria o Wilson Batista.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.45pt; line-height: 150%; color: rgb(255, 255, 255);"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:130%;" &gt;A dance music me fascina pela efemeridade e o desprendimento levados ao extremo. Quem produz não quer entrar para a história, nem se importa com medalhinhas do senhor ministro ou a glória da posteridade, não há pretensões artísticas ou devaneios intelectuais pois a filosofia da pista é pragmática: fazer aquele povo esquecer de si próprio e se entregar à dança. A eternidade dura cinco minutos. E eu gosto!! &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:14;color:black;"  &gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-size:130%;" &gt;Em algumas cenas há uma demanda tão grande por novidades e uma intensa e prolífica produção que a criação acaba sendo intuitivamente coletiva como uma terra de ninguém do direito autoral. Semelhante teia também é trançada na música das ruas e dos terreiros. Com a urgência do hoje e a força de quem conjuga o verbo viver no presente.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16934420-113597069940982772?l=djdolores.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://djdolores.blogspot.com/feeds/113597069940982772/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16934420&amp;postID=113597069940982772&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/113597069940982772'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/113597069940982772'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://djdolores.blogspot.com/2005/12/senhor-tempo-bom-o-escritor-romeno.html' title=''/><author><name>Helder</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14139404676657431741</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SUoQWcMXEPY/S_YT6l5lT_I/AAAAAAAAABw/kedH7wB17qs/S220/Foto62.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16934420.post-113528099379273589</id><published>2005-12-22T17:44:00.000-02:00</published><updated>2005-12-23T03:54:45.730-02:00</updated><title type='text'>Mexico</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;    &lt;span style="font-family: times new roman;"&gt;Pinche Cabron!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: times new roman;"&gt;            "A gente penetra nos países pela música, é como provar sangue."&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: times new roman;"&gt;            Pierre Mérot, em "Mamíferos"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: times new roman;"&gt;    O  ar frio e seco de Guadalajara soprava uma dica nos nossos ouvidos. Algo estava errado! Ao invés de irmos direto do aeroporto para o hotel, fomos tomar um suspeito café da manhã. OK, estava delicioso como só se faz no México: tortillas com carne apimentada, feijões fritos e suco de frutas. Ali se iniciava uma jornada gastronômica e uma série de atrapalhos que, nos dias seguintes, testaria o poder da minha flora estomacal.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: times new roman;"&gt;    Vou ser breve: estávamos, eu e Lirinha, do Cordel, para performance no festival Dale Beat, em Guadalajara. Dormimos poucas horas e esperávamos uma passagem de som que nunca começava. Nem as quatro, conforme o previsto, e nem mesmo as nove da noite quando, estarrecidos, no lobby do hotel cheio de músicos, soubemos que o evento tinha sido cancelado. O produtor inventou uma história mirabolante sobre homens armados, ETs, elefantes cor de rosa e coisas do gênero. Perdemos nosso tempo, não recebemos cachês mas, OK, estávamos no México. Vamos aproveitar?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: times new roman;"&gt;    Enrique Blanc, que conheci em Sevilha no ano de 2003, morador de Guadalajara, nos leva para a noite apimentada da cidade. Brindamos com Tequila e sangrita, um suco de tomate com pimenta, como tudo no país. Conosco, dois figuraças: Pepe e Beto, também conhecidos como Latinsizer e Fussible, ambos do coletivo Nortec, uma das experiências mais interessantes em termos de visual e fusão eletroacústica. Eles vem de Tijuana e estão com disco recém lançado, o Tijuana Sessions, Volume 3. Muito melhor que o anterior (o volume 1, porque nunca houve um volume 2), os caras capricharam no uso de instrumentos nortenhos desorientando os ortodoxos da eletrônica. Pepe me contou que no lançamento do álbum reuniram 24 músicos no palco mais samples, laptops, teclados e uma infinidade de filtros.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: times new roman;"&gt;    Na roubada também estavam os chilenos, residentes em Berlim, do Mambotour, cujo cantor, Argenis Brito, é também voz do alemão gaiato, Senor Coconut. Recomendo "atina.latino".&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: times new roman;"&gt;            Otros sonidos muy buenos&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: times new roman;"&gt;: mais uma compilação de Reggaeton, por El Chombo, o DJ Marboro de lá. Reggaeton é uma mistura de hip-hop com reggae e elementos latinos, cantados ao estilo ragga. Música sem frescura, direta para a pista. Na linha "eletrônica pura", Digi + Gabo fazem uma house cool e eficiente enquanto o juevencito Cometa se arrisca a revisar clássicos da música mexicana em remixes muitas vezes certeiros em "Mexicanismo Lounge". Pra quem gosta de banda, recomendo El Gran Silêncio e qualquer coisa do meu selo mexicano favorito, Nuevos Ricos. Tem Silvério com suas performances alucinadas (o cara tira a roupa, dá mosh ...), Lasser Moderna, Maria Daniela e os famosos Titans, entre a eletrônica, o pop e o rock.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: times new roman;"&gt;        Me gustan los narcocorridos&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: times new roman;"&gt;, versão bandida para o tradicional corrido. As letras falam basicamente sobre tráfico, contrabando, elogios a vida bandida e crônicas onde a polícia nunca se dá bem. Seria mais ou menos como Chitãozinho e Chororó cantando letras feitas pelos caras de baile funk.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: times new roman;"&gt;        Fuleiro e engraçado!!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: times new roman;"&gt;        OMB&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: times new roman;"&gt;    Recebi algumas ressalvas do leitor Bruno sobre a coluna da semana passada. Ele acha que é necessário ter um órgão regulador para que os músicos tenha um mínimo de cachê. Não concordo e lembro-me que, entre outros motivos, a Soparia fechou por causa das seguidas multas da OMB. Roger generosamente abriu suas portas para bandas amadoras que, mais que dinheiro, precisavam formar público.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: times new roman;"&gt;Mecanismos protecionistas na área da cultura tem como conseqüência inevitável inibir o novo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: times new roman;"&gt;        Vamos fazer lista?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: times new roman;"&gt;    OK, não vou ser original e proponho aos leitores uma lista. Vamos lá? A idéia é simples: vamos escolher os mais bacanas e os mais sebosos do ano. Pode ser disco, livro, personalidades, eventos ... O que vocês quiserem! Envie cinco nomes pra &lt;/span&gt;&lt;a style="font-family: times new roman;" href="mailto:dj.dolores@gmail.com"&gt;dj.dolores@gmail.com&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: times new roman;"&gt;     Divulgo a lista final, com comentários, lá pela metade de janeiro.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16934420-113528099379273589?l=djdolores.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://djdolores.blogspot.com/feeds/113528099379273589/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16934420&amp;postID=113528099379273589&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/113528099379273589'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/113528099379273589'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://djdolores.blogspot.com/2005/12/mexico.html' title='Mexico'/><author><name>Helder</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14139404676657431741</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SUoQWcMXEPY/S_YT6l5lT_I/AAAAAAAAABw/kedH7wB17qs/S220/Foto62.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16934420.post-113469922165892303</id><published>2005-12-16T00:12:00.000-02:00</published><updated>2005-12-16T00:13:41.676-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;"&gt;A volta dos mortos vivos&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;"&gt;É noite na cidade do Recife e o terror está instaurado. De um&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;passado sombrio de trevas e medo, ressurge o monstro que pensávamos estar morto. Músicos recifenses, tremei-vos !!! E a &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;única proteção possível são carteirinhas plastificadas, emitidas no sórdido covil da criatura. Mais caduco que a velha debaixo da cama, mais feio que o bicho-papão, o ser estende suas garras carregadas de papéis ensebados nas caras dos pobres músicos que tentam trabalhar na cidade. Da escuridão do Edifício Inalmar para os spots dos palcos, está de volta a OMB, sigla nefasta que significa Ordem dos Músicos do Brasil que, depois de um bom tempo sob uma liminar que nos alforriava de seus grilhões, volta com carga total.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;"&gt;Longe de proteger os profissionais da música, a tal da Ordem implanta terror e achaques sob a categoria. Seus poderes são federais, com direito a cobertura policial, se necessário, embora o desacerto de sua lógica seja tão grande quanto sua força. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;"&gt;A OMB tem o direito de estabelecer quem é músico e quem não é. E o pior: pode proibir o trabalho honesto de quem ganha a vida com a música, o que é absolutamente inadmissível porque música ruim não mata ninguém, não fere e, no máximo, esvazia o salão. Quem tem que julgar o músico é a platéia e não burocratas da cultura.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;"&gt;Seu caráter protecionista é muitas vezes eticamente&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;duvidoso, seu gatilho do retrocesso tem raízes ditatoriais e &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;sua desconexão com o mundo atual é gritante.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;"&gt;O teste de admissão é superficial e humilhante mas pode ser comprado. É só pagar (uns trocados são sempre bem vindos) por uma carteira provisória. Enfim, um claro caso de inutilidade pública.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;     &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;"&gt;Uns &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;"&gt;O Coquetel Molotov lança hoje mais um número de sua revista homônima em clima de festa na rua do lima.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;"&gt;O design, a impressão superam a edição anterior que já era excelente mas, editorialmente, sua principal virtude é também o que seria o maior defeito: toda a revista é focada num público muito específico. A pauta se restringe em detalhes que não interessam a maior parte das pessoas e algumas entrevistas dão uma corda grande pra egotrip dos entrevistados, caso da matéria com Catatau.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;"&gt;No número anterior essa qualidade (ou defeito) era mais evidente. Dessa vez há uma leve tentativa de ampliar público, o que acho saudável. Fico na torcida por uma revista que tem possibilidade de se tornar referência nacional.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;"&gt;E outros&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;"&gt;Em tempos de internet, blogs, fotologs&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;não se fazem mais fanzines como antigamente. Bom, esse velho punk se surpreendeu com zine aperiódico “Dessalve”. Xerocado, tosco e repleto de energia rebelde, é a típica publicação perdida no tempo. Fiquei comovido. Peguei meu exemplar na Elemental, aquela loja de quadrinhos que tem no cruzamento da Riachuelo com a Aurora. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16934420-113469922165892303?l=djdolores.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://djdolores.blogspot.com/feeds/113469922165892303/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16934420&amp;postID=113469922165892303&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/113469922165892303'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/113469922165892303'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://djdolores.blogspot.com/2005/12/volta-dos-mortos-vivos-noite-na-cidade.html' title=''/><author><name>Helder</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14139404676657431741</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SUoQWcMXEPY/S_YT6l5lT_I/AAAAAAAAABw/kedH7wB17qs/S220/Foto62.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16934420.post-113414102611232010</id><published>2005-12-09T13:09:00.000-02:00</published><updated>2005-12-09T13:10:26.126-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;           &lt;/span&gt;Tecnologia, generosidade e groove. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;O que mais atraiu os pioneiros da eletrônica em gêneros como house, tecno ou D&amp;B foi o baixo orçamento. Quase nada se comparado ao custo de gravar uma banda inteira. Em sua essência a eletrônica seria uma continuação do espírito Do It Yourself (faça você mesmo) dos punks pois baixo custo significa falta de compromisso com vendagens altas e, consequentemente, mais liberdade de experimentação. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;No Brasil, a eletrônica veio de cima pra baixo, trazida por jovens de classe média deslumbrados após uma temporada européia. De modo geral o cenário desenhado no país foi traçado pelo mix de muito dinheiro e nenhum compromisso. Lugares incensados como o Hell’s &lt;st1:personname productid="em S￣o Paulo" st="on"&gt;em São Paulo&lt;/st1:PersonName&gt; eram de fato ... um inferno de deslumbramento jeca movido a drogas de má qualidade. Depois de tanta fritura não sobrou um track memorável pra contar história.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;Em março do ano que vem, seguindo caminho inverso, Arcoverde servirá de base em Pernambuco para um dos mais interessantes projetos na área de inclusão digital entre jovens economicamente carentes. Trata-se do Eletrocooperativa, já testado em Salvador com sucesso absoluto. Liderado pelo produtor Gilberto Monte, o núcleo baiano produziu seis CDs entre &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Hip-Hop e curiosos experimentos eletro-acústicos além de um PF de primeira para DJs: CD com loops de percussão inteiramente gratuitos para quem quiser samplear e construir sua própria faixa. Tecnologia, generosidade e groove. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;"&gt;Jovens durangos brasileiros tem três possibilidades de ascensão social: futebol, crime ou música. A que mais me agrada é a última. O pessoal da Eletrocooperativa fez o trabalho completo e além de treinamento e aparelhagem ainda organizou um núcleo de vendas para os CDs lá produzidos. Custam 5 reais cada, e são vendidos em tabuleiros nas ruas de Salvador, competindo no gosto e no preço com os camelôs. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;"&gt;Destaque para o trabalho super particular do DJ Mario, gravado em casa, ao vivo, com dois turntables, um rádio sintonizado e um sampler basicão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;"&gt;Quem canta&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;"&gt;Pesquisa da semana passada revela:&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;leitores dessa coluna cantam jazz e sambas quando dá um aperto no coração. A mais recifense de todas as leitoras, Liliana, desfia clássicos do cancioneiro pernambucano num catamarã. Vejam que luxo: embaixo do sol, sobre as águas do Capibaribe e ainda mais cantando “Recife, cidade lendária”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;"&gt;Super obrigado para Indira que, não só abriu seu repertório como ainda me enviou MP3 de sua faixa favorita: “Mas quem disse que eu te esqueço”, com Dona Ivone Lara.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16934420-113414102611232010?l=djdolores.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://djdolores.blogspot.com/feeds/113414102611232010/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16934420&amp;postID=113414102611232010&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/113414102611232010'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/113414102611232010'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://djdolores.blogspot.com/2005/12/tecnologia-generosidade-e-groove.html' title=''/><author><name>Helder</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14139404676657431741</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SUoQWcMXEPY/S_YT6l5lT_I/AAAAAAAAABw/kedH7wB17qs/S220/Foto62.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16934420.post-113344198761406634</id><published>2005-12-01T10:59:00.000-02:00</published><updated>2005-12-01T10:59:47.706-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;Cantei, cantei ...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;Descobri&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;o amor e John Coltrane ao mesmo tempo. Numa época em que não havia CDs ganhei um vinil de capa azulada que ouvi exaustivamente não só naquele dia mas durante os anos seguintes e ainda hoje me acompanha, mesmo que aqueles olhos castanhos já não estejam tão perto. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;“&lt;i style=""&gt;Música é seu único amigo até o fim&lt;/i&gt;”, dizia uma velha canção dos Dorrs ...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;No excelente documentário &lt;i style=""&gt;Ônibus 174&lt;/i&gt; que narra aquele aterrorizante episódio do seqüestro de um ônibus por um ex-menino de rua, uma das vítimas conta que ele, cercado pela polícia, acuado por câmeras, cantava “canções demoníacas”. Seu último consolo, suas últimas palavras. Cantar é provar pra si próprio que ainda existe vida, que há o querer e a vontade de se expressar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;Berramos um tema antigo no banheiro, choramos amores perdidos em canções de gosto duvidoso (amor com senso de ridículo não é amor), assobiamos nas ruas e cantamos desafinado para quem amamos, pois não há maior prova de um genuíno sentimento que perder a vergonha e, em troca, ser saudado com a emoção do seu par. Canta-se na guerra. Sim, os soldados cantam juntos para suportar e ritmar os exercícios físicos enquanto na cidade sitiada canta-se e bebe-se para não pensar sobre aquele que pode ser o primeiro dia do resto de suas vidas. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;Ainda sei cantar as singelas melodias que minha mãe sussurrava no meu ouvido de bebê e quando ouvi a “Eguinha Pocotó” pela primeira vez achei que o MC Serginho tinha feito uma canção de ninar muito melhor que Boi-da-cara-prêta que me metia medo &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;naquelas noites à beira do São Francisco. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;Dizem que certa vez o compositor John Cage se submeteu a uma experiência numa câmera de absoluto silêncio e ainda assim ele ouviu um som ritmado e grave que mais tarde foi detectado como o ruído do sangue circulando em seu corpo pois o fluxo da vida não é silencioso e tem beat. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;Mas há uma forma de silêncio maior: a falta de algo que nem sempre sabemos o que é. Nesse caso, ouvimos uma bela e triste canção no vazio das idéias, dessas que só a gente ouve para preencher um buraco tão profundo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;Qual é a sua?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;E você, que lê essa coluna? O que você gosta de cantar?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;(Eu confesso que tenho cantado um hit velho dos Strokes, sem contar com aquela de Marcio Greick que diz “eu já não consigo mais viver dentro de mim”)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;Mande email pra mim e vamos descobrir qual a nossa música favorita, dessas que a gente canta pra mandar a tristeza embora.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;Escreva para dj.dolores@gmail.com&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;Tristeza não tem fim&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;Hoje, esse rapaz está só melancólia. Se posso sugeri uma trilha sonora pra acompanhar a leitura, recomendo Cat Power que é meio pra baixo até quando está alegre. &lt;i style=""&gt;Free&lt;/i&gt;, do seu último disco, &lt;i style=""&gt;You are free&lt;/i&gt;, é minha recomendação. Diple fechou seu set no Rio com essa faixa. Deixou tocar inteira!! O bonde dos sorumbáticos segue com Smog, ex da moça e da fossa como ela. Beleza e desilusão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;DJ/Rupture&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;OK, o cara é tão gente boa, tão gentil que nem precisava ser um bom DJ. Mas ele é! Rupture AKA Jace Clayton, meu parceiro de Vegas e BH, fez um disco excelente chamado &lt;i style=""&gt;Special Gunpowder.&lt;/i&gt; &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;O danado é importado da Europa então deve sair meio caro pra comprar. Procure na web. Ele é simpatizante do compartilhamento de música e não vai se importar. Dá pra baixar também vários DJs set mas bacana mesmo é ouvir seu trabalho autoral que tem reggae, ragga, experimentalismo eletrônico e, delícia das delícias, músicas em espanhol pois o cara, apesar de americano, mora na Espanha.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16934420-113344198761406634?l=djdolores.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://djdolores.blogspot.com/feeds/113344198761406634/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16934420&amp;postID=113344198761406634&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/113344198761406634'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/113344198761406634'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://djdolores.blogspot.com/2005/12/cantei-cantei.html' title=''/><author><name>Helder</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14139404676657431741</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SUoQWcMXEPY/S_YT6l5lT_I/AAAAAAAAABw/kedH7wB17qs/S220/Foto62.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16934420.post-113293319629904120</id><published>2005-11-25T13:38:00.000-02:00</published><updated>2005-11-25T13:39:56.330-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Medo do novo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Todo paulistano gosta de pensar que sua cidade é uma Nova Iorque da América Latina, mal sabem eles que São Paulo está muito mais pra Cidade do México. A fealdade que domina a paisagem urbana, emoldurada por nuvens cinzas no céu enquanto uma horda de miseráveis se arrasta por calçadas obstruídas por toda a sorte de tranqueira é comum em ambas as cidades. Outra coisa as iguala: o rock.&lt;br /&gt;            Escrevo daqui, de SP, onde só se fala da presença de Iggy Pop, aquele roqueiro sexagenário que não grava nada que preste há muitos anos e veste seu personagem de modo tão ridículo que , apenas a essa altura da vida, finalmente faz jus ao nome de sua banda original: The Stooges (Os Patetas).&lt;br /&gt;            Autor de algumas das melhores canções da música pop, intérprete único durante décadas, o velho Iggy hoje é apenas um senhor com muito passado e pouco futuro. Seus fãs querem vê-lo no palco, visceral e previsível, arrastando-se pelo chão em espasmos de emoção tão fingidos quantos alguns orgasmos femininos. Rock é isso, teatro de segunda categoria, diversão segura para trintões saudosos e jovens mitificadores. Tô exagerando? Quem aqui teve paciência de ouvir esse CD novo do coroa? Eu parei na segunda faixa.&lt;br /&gt;            Paralelamente ao evento “Iggy”, temos uma trupe solenemente ignorada pela mídia e público locais. Trata-se da galera do Mutek, festival canadense que desde 2000 tem aberto caminhos na densa floresta da música eletrônica. De caráter inovador, o festival privilegia performances ao vivo a DJ Sets e lança tendências que só serão absorvidas alguns anos além.             Misturando imagens e música, re-conceitualizando a idéia de espetáculo, os caras se apresentaram na quarta para um público escasso no Sesc Santana. O novo mete medo, então é melhor partir pra o que já se conhece, mesmo que mofado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda Mutek&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;           Hoje e amanhã tem mais Mutek em Belo Horizonte. Entre outras atrações a presença do projeto audiovisual Monolake AKA Robert Henke, o cara por detrás do software mais influente da atualidade, o Ableton Live. Meninos, anotem aí: num futuro muito breve fazer música e desenvolver software vai ser a mesma coisa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16934420-113293319629904120?l=djdolores.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://djdolores.blogspot.com/feeds/113293319629904120/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16934420&amp;postID=113293319629904120&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/113293319629904120'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/113293319629904120'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://djdolores.blogspot.com/2005/11/medo-do-novo-todo-paulistano-gosta-de.html' title=''/><author><name>Helder</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14139404676657431741</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SUoQWcMXEPY/S_YT6l5lT_I/AAAAAAAAABw/kedH7wB17qs/S220/Foto62.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16934420.post-113225049740969216</id><published>2005-11-17T16:00:00.000-02:00</published><updated>2005-11-17T16:02:37.186-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; font-family: times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Poeta de latrina&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; font-family: times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; font-family: times new roman;"&gt;&lt;span style=";font-size:130%;" &gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;“Triste vida, triste sina, do poeta de latrina”, estava escrito na porta do banheiro público. Posso imaginar o poeta anônimo remoendo sua mágoa naquela posição que nos torna, ricos e pobres, iguais.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; font-family: times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Ah, os artistas! Todo mundo quer se expressar e ser reconhecido como indivíduo de destaque no meio do gado que atravessa a faixa de pedestre nos sinais das avenidas. Alguns trazem flores e outros, espinhos. Uns cantam e outros dançam. Alguns são institucionais, alguns, marginais. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; font-family: times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Outro dia, um artista de Olinda, num debate sério com profissionais da música, bradava, dedo em riste: “Eu odeio o mainstream, eu não quero ser mainstream”. Para quem &lt;/span&gt;&lt;span style=";font-size:130%;" &gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;não é familiar, o termo mainstream designa a cultura dominante, comercialmente bem sucedida. É o oposto do underground, da cena que não lucra tanto e, às vezes, se diverte mais.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; font-family: times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O problema é que na maioria das vezes o artista underground só é underground por que ninguém, exceto ele mesmo e seus dois ou três amigos, o vêem com relevância artística. No íntimo seu sonho é passear pela cidade montado no elefante da glória e do triunfo, paparicado por um harém de belas donzelas, o bolso cheio de dinheiro, fruto justo de sua arte.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; font-family: times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Desdenhar o bem-sucedido soa como a fábula da raposa e das uvas. Como a raposa não conseguia apanhar um cacho de uvas, dizia que estavam verdes e não prestavam para comer. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; font-family: times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Opor sucesso comercial e valor artístico é um erro gravíssimo, obscurantista. Música, como qualquer forma de arte, é expressão séria de humanidade mas também é um produto. Saber vendê-lo e manter-se íntegro é para poucos. O que sobra são os poetas de latrina.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; font-family: times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; font-family: times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; font-family: times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Você, de revólver na mão, vira bicho feroz ...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; font-family: times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A festa Liquid Sky, realizada no último sábado teve alguns problemas: line up mal montado que não sustentou público no palco dois, a mistura&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-size:130%;" &gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;com a tribo do trance que não se mistura com mais nada, o horário e o local no centro da cidade não favorecia uma boa vibe. Sério mesmo foi a arbitrariedade da polícia civil que se infiltrou na festa vestidos de clubbers (uh!! dá pra imaginar?) e arrastou algumas pessoas para a delegacia. Entre eles uma figura folclórica da cidade que apanhou de graça e no local da festa apenas por causa de seu visual rasta. Ele nada tinha consigo. Violência e covardia absolutamente desnecessárias pois trata-se de um das mais pacatas criaturas que freqüentam a noite recifense.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; font-family: times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; font-family: times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Crazy&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; font-family: times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; font-family: times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Escrevo essa coluna enquanto escuto um DJ set muiiitoooo maluco do DJ Enrico, de São Paulo. Hardcore com pitch no talo e mixagem esquizofrênica. Tás tranqüilo em casa e quer ficar nervoso? &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; font-family: times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Então acesse &lt;a href="http://www.rraurl.com/"&gt;http://www.rraurl.com&lt;/a&gt; e digite Enrico no espaço de busca.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16934420-113225049740969216?l=djdolores.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://djdolores.blogspot.com/feeds/113225049740969216/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16934420&amp;postID=113225049740969216&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/113225049740969216'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/113225049740969216'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://djdolores.blogspot.com/2005/11/poeta-de-latrina-triste-vida-triste.html' title=''/><author><name>Helder</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14139404676657431741</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SUoQWcMXEPY/S_YT6l5lT_I/AAAAAAAAABw/kedH7wB17qs/S220/Foto62.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16934420.post-113173552075583474</id><published>2005-11-11T16:57:00.000-02:00</published><updated>2005-11-11T16:58:40.770-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt; font-family: Arial;"&gt;Me dá um dinheiro aí&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt; font-family: Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt; font-family: Arial;"&gt;Noite de sábado na Torre Malakoff. A brisa marítima suavemente esconde que é verão no Recife e o público aguarda com paciência o atraso do show que já vai em algumas horas. Um homenzinho se aproxima, pasta em punho, olhar matreiro de bicho noturno. Ele parece deslocado mas já é conhecido dos organizadores, dos funcionários da Torre e mesmo dos seguranças que não se opõem a sua invasão à área reservada. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt; font-family: Arial;"&gt;Descubro que o cara é representante do ECAD, aquele órgão que é responsável pela arrecadação de direitos autorais. Sua função seria descobrir o que o DJ estava tocando, cobrar da organização um valor estipulado por lei e dividir entre os autores aqueles caraminguás. O homenzinho olha pro DJ, seu cenho franzido demonstra que ele nunca ouviu falar de Jay Z, o som que rolava na hora. Me pergunto e, na seqüência pergunto para ele, como Jay Z vai receber aqueles centavos. Resposta: “Não sei, só faço o que me mandam fazer”, diz, piscando os olhos de coelho, com sua pastinha embaixo do braço.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt; font-family: Arial;"&gt;Vejo que na pasta tem um monte de documentos timbrados, papeis oficiais que o autoriza a fiscalizar, cobrar e até mesmo acabar com a festa alheia. Alem do DJ set também vou tocar com meu grupo. Explico para ele que todos os temas que são de autoria nossa e que abriríamos mão da arrecadação pela insignificância financeira do evento. Mas não tem jeito.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt; font-family: Arial;"&gt;As leis que regem a arrecadação de direitos autorais no Brasil partem do princípio que o artista é um predador ávido por dinheiro. O Ecad tenta, e muitas vezes consegue, extorquir dinheiro até de sala de espera de dentista. O mais interessante é que essa grana não chega ao autor. Como chegaria se eles mesmos não sabem o que está tocando?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt; font-family: Arial;"&gt;Dito tudo isso só me resta finalizar a história: o cara pediu cento e cinquenta reais para a organização. Levou cem. Saiu no lucro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16934420-113173552075583474?l=djdolores.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://djdolores.blogspot.com/feeds/113173552075583474/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16934420&amp;postID=113173552075583474&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/113173552075583474'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/113173552075583474'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://djdolores.blogspot.com/2005/11/me-d-um-dinheiro-noite-de-sbado-na.html' title=''/><author><name>Helder</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14139404676657431741</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SUoQWcMXEPY/S_YT6l5lT_I/AAAAAAAAABw/kedH7wB17qs/S220/Foto62.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16934420.post-113116422461410116</id><published>2005-11-05T02:14:00.000-02:00</published><updated>2005-11-05T02:17:04.626-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>B. Leza   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         Estou em Lisboa e aproveito para me atualizar sobre a cidade através dos jornais. O escândalo do dia foi um assalto a mão armada realizado por um encapuzado num semáforo. Isso se tornou corriqueiro no Brasil ha tanto tempo que a gente nem se surpreende mais .... perdemos a noção da gravidade do fato.&lt;br /&gt;        Outra noticia me chama atenção: o B. Leza, um dos meus clubes favoritos na cidade, foi fechado essa semana por excesso de dividas com o proprietário, a companhia de luz e impostos gerais. Lamento do fundo do coração. O clube era o principal ponto de encontro da cultura caboverdiana, tinha uma biblioteca e era aberto a varias formas de expressão, tendo a musica como tronco. Por la passaram estrelas da musica africana como Cesaria Évora, Os Tubaroes e Tito Paris. &lt;br /&gt;       Conheci o B. Leza em 2003 onde eu era o único branco do local numa festa de funanas e coladêras, ritmos populares do Cabo Verde. Situada no Largo Conde do Barão, cheguei la orientado pelo negros, a maioria imigrantes,  que encontrava na rua. De pergunta em pergunta também cheguei ao Kuduro, estilo de dance music de Angola, muito popular entre os africanos que a cada dia ganha mais espaço entre os jovens de classe media branca tal e qual o nosso funk carioca.&lt;br /&gt;        Em Lisboa a presença africana faz-se sentir de forma  poderosa. Trata-se do troco dado pelo colonizado ao colonizador. E impossível sair impune numa relação assim e do mesmo jeito que o português mexeu nas culturas africanas, os africanos impõe seus estilos de vida através da comida, na fala, nos hábitos e, principalmente na musica. &lt;br /&gt;        O mais engraçado é a vingança brasileira: um dos caras que ajudou a popularizar o hip hop no pais, cantando em português foi Gabriel, o Pensador. Nem mesmo o mais cruel colono merecia isso ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ripar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MIA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aproveito para ir na Bertrand, tradicional livraria secular localizada no Chiado e saio carregado de quadrinhos (por aqui, banda desenhada) e livros de Mia Couto, escritor moçambicano de primeira grandeza.&lt;br /&gt;Altamente recomendável, “Terra Sonâmbula” é seu romance de estréia é desde sempre um clássico da língua portuguesa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16934420-113116422461410116?l=djdolores.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://djdolores.blogspot.com/feeds/113116422461410116/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16934420&amp;postID=113116422461410116&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/113116422461410116'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/113116422461410116'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://djdolores.blogspot.com/2005/11/b.html' title=''/><author><name>Helder</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14139404676657431741</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SUoQWcMXEPY/S_YT6l5lT_I/AAAAAAAAABw/kedH7wB17qs/S220/Foto62.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16934420.post-113052709441710021</id><published>2005-10-28T17:16:00.000-02:00</published><updated>2005-10-28T17:21:30.933-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;h1  style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;As ancas da tradição&lt;/span&gt;&lt;/h1&gt;   &lt;h1  style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h1&gt;   &lt;h1  style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Quando GetúlioVargas estava no poder elegeu o samba, do jeito que é feito no Rio, &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;“a música brasileira”. Em sua ânsia de ditador ele queria a unidade, não a idéia de um país continente, rico e diverso. O projeto samba se deu tão bem que até hoje, dentro ou fora do Brasil, está associado a identidade cultural da nação. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h1&gt;   &lt;h1  style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Aqui em Pernambuco a elite elegeu o frevo como símbolo maior da pernambucanidade. É a mesma elite que há pouquíssimo tempo reinava em canaviais movidos a força escrava, praticando a pior forma de relação com o solo que é a monocultura. Toda a riqueza musical do estado parece nada diante da suposta nobreza do frevo, que à semelhança de seus mecenas, tem um ar de cavalheiro decadente, uma dama sem jóias, cadáver insepulto perambulando pelos carnavais de Olinda.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h1&gt;   &lt;h1  style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Falar de frevo no Recife é assunto delicado, todos vestem os jargões sobre a complexidade e virtuosismo necessário, todos sabem solfejar “Vassourinhas” ou outro clássico. Mas, falando sério: quantos de vocês tem discos de frevo em casa? Quantas vezes vocês ouvem esse gênero fora do carnaval? Você sabe cantar um frevo recente? Certamente a resposta da maioria é não.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h1&gt;   &lt;h1  style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Enquanto nos carnavais da Zona-da-mata os maracatus se apropriam dos bregas da rádio, enquanto os bregas se apropriam do Kraftwerk, o frevo permanece intocado feito donzela em sua torre de pureza. E tome as mesmas velhas composições todo o ano.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h1&gt;   &lt;h1  style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Quem sabe, a rasteira que o frevo merece levar, virá da Bomba do Hemetério, de baixo pra cima, com seus metais selvagens e toda a graça do Maestro Forró. Ou, do super músico Spock fosse ele menos formalista e mais jazzy.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h1&gt;   &lt;h1  style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Ripar&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h1&gt;   &lt;p  class="MsoNormal" style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p  class="MsoNormal" style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;h1  style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Na reta&lt;/span&gt;&lt;/h1&gt;   &lt;h1  style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;O hit virtual “Orgulho”, sucesso de downloads no Recife, me decepcionou profundamente. O vídeo é um amontoado de cenas de sexo chocante retirados de várias fontes que se sucedem enquanto seu autor, Carlos Amorim, recita uma lista de nomes de curadores. Eu esperava que o corpo sodomizado, vítima de zoófilos e outras coisas mais fosse do autor. Mas não é. Fazer arte com o dos outros é fácil. Artista que é artista bota o seu na reta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h1&gt;   &lt;h1  style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h1&gt;   &lt;h1  style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h1&gt;   &lt;h1  style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Transformer&lt;/span&gt;&lt;/h1&gt;   &lt;h1  style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h1&gt;   &lt;h1&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:times new roman;font-size:100%;"  &gt;Não. Não se trata da reedição do clássico de Lou Reed. Transformer também é o nome que batiza a primeira compilação de remixes da cena pernambucana. À frente do projeto, o DJ Bruno Pedrosa, que apresenta aos internautas oito faixas para download. O interessante é o preço: de graça!! Vá no site www.fundicao.com/transformer e faça a festa. O Disco sai em Dezembro com 15 remixes exclusivos. Faces do Subúrbio, Cordel do Fogo Encantado, Mundo Livre, entre outros estão lá devidamente reconstruídos. Já tenho uma favorita: Silvério Pessoa segundo o ponto de vista da dupla Drumagick.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h1&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16934420-113052709441710021?l=djdolores.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://djdolores.blogspot.com/feeds/113052709441710021/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16934420&amp;postID=113052709441710021&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/113052709441710021'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/113052709441710021'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://djdolores.blogspot.com/2005/10/as-ancas-da-tradio-quando-getliovargas.html' title=''/><author><name>Helder</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14139404676657431741</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SUoQWcMXEPY/S_YT6l5lT_I/AAAAAAAAABw/kedH7wB17qs/S220/Foto62.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16934420.post-113010953723820797</id><published>2005-10-23T21:18:00.000-02:00</published><updated>2005-10-23T21:18:57.240-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; font-family: times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b style=""&gt;Cleptomúsicamania&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; font-family: times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; font-family: times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Há 25 anos atrás o desconhecido grupo Negativland ganhou notoriedade após misturar pedaços do mega hit, “I Still Haven’t Found What I’m Looking For” com piadas gravadas em off do comediante Kasey Kasem acerca dos pseudônimos dos integrantes do U2. A Island, gravadora do grupo irlandês, entrou com um processo que gerou mais dinheiro que o Negativland jamais conseguiu movimentar. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; font-family: times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Precursores da discussão sobre uso de samples e críticos ferozes das leis que regem os direitos autorais, o Negativland lançou recentemente mais uma série de áudio- colagens onde a propriedade intelectual, como a conhecemos, é duramente satirizada.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; font-family: times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A obra em questão é “No Business”, um envelope amarelo que contém trechos dos beatles, Julie Andrews, comerciais de TV e transmissões de rádio. Os caras são tão ousados que cutucaram a cobra com vara curta: o videoclipe presente no cd, é um agregado de imagens surrupiadas e tem a voz do todo poderoso presidente do RIAA bradando contra o dowloading. Na mesma faixa dá pra ouvir trechos de Elton John, Roy Orbison, Blonde Redhead, The Who, Richard Farina e uma delicada Pequena Sereia, de Walt Disney.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; font-family: times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O que se questiona é o descompasso entre as novas tecnologias disponíveis que permitem a criação de uma nova arte e os limites impostos por leis e grandes corporações que trabalham em sintonia com priscas eras. No livro que acompanha o envelope os artistas lembram o pequeno escândalo que surgiu na época do lançamento das fitas cassetes. A indústria tentou abocanhar percentuais sobre a venda de cada fita virgem “para compensar o prejuízo” que teriam com a facilidade do público copiar os originais. O argumento meramente mercantilista supõe que a música depende da indústria. Don Joyce, em entrevista para a revista XLR8R ironiza: “A morte da indústria não significa a morte da música (...) A idéia de alguém ter uma carreira ou tocar um negócio baseado em vender pedaços de metal embrulhados em plásticos é historicamente recente e não está escrita na pedra”.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16934420-113010953723820797?l=djdolores.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://djdolores.blogspot.com/feeds/113010953723820797/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16934420&amp;postID=113010953723820797&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/113010953723820797'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/113010953723820797'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://djdolores.blogspot.com/2005/10/cleptomsicamania-h-25-anos-atrs-o.html' title=''/><author><name>Helder</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14139404676657431741</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SUoQWcMXEPY/S_YT6l5lT_I/AAAAAAAAABw/kedH7wB17qs/S220/Foto62.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16934420.post-113010947581104306</id><published>2005-10-23T21:17:00.000-02:00</published><updated>2005-10-23T21:17:55.813-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; font-family: times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Quem é o dono? (Parte 1)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; font-family: times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; font-family: times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;He-Man no maracatu? Sabonete na ciranda? Sim, existe e não foi um super DJ de bootlegs (nome dado a faixas que se utilizam de trechos de outras músicas sem autorização legal) que fez esse mix aparentemente maluco.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; font-family: times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Nos maracatus e cirandas espalhados pelo estado, a metaleira frequentemente se apropria do que se ouve em rádios, jingles ou nos temas das mini-séries da TV. Então, não se espante se você reconhecer o tema dos trapalhões entre um verso e outro de Barachinha. Não é mera coincidência. Trata-se dessa teia de conhecimento&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;compartilhado chamada cultura.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; font-family: times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Em sua sabedoria a cultura popular parece ser mais desencanada com a pergunta “a quem pertence essa música?” e, generosamente, versos se aprimoram, esculpidos por poetas diferentes, em diferentes épocas, enquanto melodias refeitas centenas de vezes se espalham nas noites frias da zona-da-mata. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; font-family: times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O compartilhamento de informações na música se repete nas grandes cidades com o mesmo espírito mas utilizando outras ferramentas como o sampler, espécie de gravador, seqüenciador. Nos bailes funks do Rio ou nas festas de aparelhagem em Belém do Pará, pequenos pedaços de som são reciclados para construir um híbrido novo e absolutamente original. Quem usa samples (ou, literalmente, amostras) usa-os como um músico usaria as notas de um teclado para compor. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; font-family: times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;As legislação brasileira sobre o assunto é retrógrada e inibidora dessa forma de expressão que cresce muito a cada dia. Para quem quer samplear algo e pagar por isso há tantas barreiras que é mais fácil fazer as coisas de modo ilegal. Em seus delírios de pureza, as leis protegem o autor a ponto de separa-lo da realidade, de seus pares, como se alguém realmente criasse algo de modo solitário e independente. Como se a música não fosse o acúmulo de técnicas e gostos depurados durante séculos de experiência humana.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16934420-113010947581104306?l=djdolores.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://djdolores.blogspot.com/feeds/113010947581104306/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16934420&amp;postID=113010947581104306&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/113010947581104306'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/113010947581104306'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://djdolores.blogspot.com/2005/10/quem-o-dono-parte-1-he-man-no-maracatu.html' title=''/><author><name>Helder</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14139404676657431741</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SUoQWcMXEPY/S_YT6l5lT_I/AAAAAAAAABw/kedH7wB17qs/S220/Foto62.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16934420.post-113010940036285565</id><published>2005-10-23T21:16:00.000-02:00</published><updated>2005-10-23T21:25:40.380-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p style="font-family: times new roman;font-family:times new roman;"  class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b style=""&gt;Esse coqueiro que dá coco&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; font-family: times new roman;font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Outro dia li nas páginas desse Diário uma matéria dedicada aos traços de um conhecido artista plástico local. O tiozinho retratou a si próprio matando o Papa, Bush e Lula. Alvos facinhos, bem ao gosto do senso mais comum. Mesmo com essa temática adolescente, o traço tosco e a preguiça intelectual, ele é levado a sério nos mundos das galerias, aquelas lojas que vendem a decoração mais cara do planeta (como disse Robert Crumb “se não for caro não é arte”). &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; font-family: times new roman;font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O equivalente disso no mundo das canções é a chamada MPB, sigla para música popular brasileira, embora nem sempre seja tão popular. Na década de 70 artistas eleitos pela intelectuália brasileira não vendiam muito e as gravadoras destinavam uma parte dos lucros gerados por gente como Odair José, que vendia horrores mas não era “artista”, para cobrir o buraco financeiro deixado pelos gênios incompreendidos. Só pra lembrar, Odair José é autor de uma das mais polêmicas letras do cancioneiro popular, “Pare de tomar a pílula”, banida não só no Brasil como em vários países da América Latina católica.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; font-family: times new roman;font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A história da auto-complacência na MPB vem de longe. Repare só que pérolas da obviedade você pode achar num clássico como “Aquarela do Brasil”: “Esse coqueiro que dá coco” ou “bota o rei congo no congado” ... e tudo isso pra se ufanar no final, de peito aberto: “Braaaasiiiiiiiiiil”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; font-family: times new roman;font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Passa-se o tempo e&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;a MPB, que nem a ordem dos músicos, anda mal das pernas mas ainda se sustenta através do sonho de tocar “Dia Branco” em algum bar embora reste sempre a impressão que muitos mais prefeririam o silêncio. Ou que não houvesse música para poder conversar em paz.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; font-family: times new roman;font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Como tudo no Brasil, a culpa é do governo! Do ensino público deficitário que faz as pessoas acharem que “som de besouro, imã - branca é a luz da manhã” ou “caetanear o que há de bom” sejam achados poéticos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:18;"&gt;&lt;span style="font-family: times new roman;font-family:times new roman;font-size:130%;"  &gt;Pra terminar, um pedido: por favor, alguém poderia me explicar o que é “badauê”?&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16934420-113010940036285565?l=djdolores.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://djdolores.blogspot.com/feeds/113010940036285565/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16934420&amp;postID=113010940036285565&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/113010940036285565'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/113010940036285565'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://djdolores.blogspot.com/2005/10/esse-coqueiro-que-d-coco-outro-dia-li.html' title=''/><author><name>Helder</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14139404676657431741</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SUoQWcMXEPY/S_YT6l5lT_I/AAAAAAAAABw/kedH7wB17qs/S220/Foto62.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16934420.post-113010921654539117</id><published>2005-10-23T21:02:00.000-02:00</published><updated>2005-10-23T21:13:36.556-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 14.2pt; font-family: times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;O mangue nunca existiu&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 14.2pt; font-family: times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoBodyText" style="margin: 0cm -28.7pt 0.0001pt 14.2pt; text-indent: 21.8pt; font-family: times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;Nos últimos dias da década de 80 essa cidade era um dos lugares mais aterrorizantes do mundo para pirralhos de 20 e poucos anos como eu e meus amigos. Duros, sem muitas perspectivas e sem internet ralávamos para obter um pouco de informação através de um fanzine bacana, revista importada ou um lançamento gringo que desse algum sentido para nossas vidas. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoBlockText" style="margin: 0cm -28.7pt 0.0001pt 14.2pt; text-indent: 21.8pt; font-family: times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;Durangos cheio de idéias e pouca prata. Forçosamente tínhamos que escolher a primeira alternativa ao impasse “mudar o lugar ou mudar de lugar?” Começamos a fazer festas com o objetivo de criar uma cena, uma zona territorial autônoma que iluminasse aqueles dias sombrios de verão. Conseguimos montar um circuito de festas undergrounds no Recife Antigo, então lugar de prostituição, sem glamour e sem shopping. Foi em torno dessas festas que se reuniu um grupo de pessoas tão bem descritas no manifesto mangue de Fred Zeroquatro “interessados em design, teoria do caos, acid house ....” &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoBlockText" style="margin: 0cm -28.7pt 0.0001pt 14.2pt; text-indent: 21.8pt; font-family: times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;No início era um coletivo de DJs logo superado pela persuasão sonora das bandas Mundo Livre e Nação Zumbi que viraram ponta-de-lança de um projeto coletivo: criar uma “cooperativa cultural” para lançar discos, livros, produzir vídeos e toda a sorte de sonhos que se tem nessa idade. Chegamos a fazer alguns dos primeiros shows envolvendo toda a equipe, com cenários, projeções e cartazes bacanas. Isso é o que chamávamos de Mangue Bit.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoBlockText" style="margin: 0cm -28.7pt 0.0001pt 14.2pt; text-indent: 21.8pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;span style="font-family: times new roman;"&gt;O fim dessa utopia coincide com a profissionalização da Nação e Mundo Livre, então contratadas por gravadoras, com empresários e tudo mais que envolve uma longa e respeitável carreira. Era impossível manter diálogo com a Sony ou a Warner e as tentativas de absorção do resto do time foram em vão. A imprensa, sempre atrás da novidade fácil, nunca entendeu o que era um coletivo ou uma cooperativa cultural e o mangue (agora já Mangue Beat, por um erro de compreensão de algum jornalista) passou a ser tratado como “movimento”, virou fenômeno de massa sem diálogo e pouca reflexão além dos clichês curiosamente bairristas ao contrário de uma idéia originalmente cosmopolita. E efêmera.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16934420-113010921654539117?l=djdolores.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://djdolores.blogspot.com/feeds/113010921654539117/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16934420&amp;postID=113010921654539117&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/113010921654539117'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16934420/posts/default/113010921654539117'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://djdolores.blogspot.com/2005/10/o-mangue-nunca-existiu-nos-ltimos-dias.html' title=''/><author><name>Helder</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14139404676657431741</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_SUoQWcMXEPY/S_YT6l5lT_I/AAAAAAAAABw/kedH7wB17qs/S220/Foto62.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry></feed>
