Terça-feira, Agosto 04, 2009

O homem que caiu na terrinha

Encontro Johnny Hooker numa mesa, separados por copos de uísque (eu) e cerveja (ele).

Olhando atentamente ele não parece tão sexualmente ameaçador quanto no palco. Ao contrário, vejo um garoto magro e tímido, um nerd de olhar vago que demora a relaxar e soltar a língua, muito diferente do seu alter ego: o rockstar/super herói, inicialmente concebido para proteger uma paixão adolescente, a “putinha” da escola, a típica garota livre que as meninas invejam e os caras desejam, a moça que fascinou nosso Clark Kent e o inspirou a se transformar num Hooker, o cafetão alienígena, o anjo que caiu na terra e se deixou perverter pelo nosso mundo, cego por poder, doente de excessos.

Johnny tinha 15 anos quanto, influenciado por “The Rise and Fall of Ziggy Stardust and The Spiders from Mars”, de David Bowie, resolveu construir seu próprio mito usando a música como forma de expressão. Por detrás da cópia descarada, uma associação inquieta: o balbuciante e saguinário Coronel Kurtz, do filme Apocalipse Now, também ele um anjo caído, corrompido pela horror da realidade. Seis anos depois, longe da sombra de Bowie e empenhado em construir sua identidade musical, Johhny, de fato, se tornou um alienígena na cidade do Recife e seus tambores e reverências ao, cada vez mais institucionalizado, Mangue Beat. Roqueiro e assumidamente retrô, suas influências são obsessivas e datadas, sua postura andrógina não permite a piada da caricatura gay mas espalha amor e desprezo em grandes quantidades.

Nosso homem que caiu na terrinha se faz acompanhar por um clássico power trio, o Candeias Rock City, o que sugere uma contradição: por que um grupo tão deslocado do tempo e do espaço se auto batizaria com o nome de um bairro de Jaboatão dos Guararapes? A resposta, no release é que “todo artista deve eleger um lugar como seu, se apropriar do espírito, dialogar com seus personagens, contar sua história...”
Johnny é fruto de uma geração que tem a região metropolitana do Recife como referência mas - diferente dos mangueboys da década de 90 - não se preocupam em expor isso como força estética ou bandeira idealista. A música é do Recife porque é feita aqui. E ponto final! Niilistas cheirando a leite, filhos de uma classe média apática e entediada, moleques superdosados de internet, filmes e games, assistindo a tragédia do mundo em telas de LCD, passeando pelas ruas sebosas do Recife Antigo, coerentes na insatisfação irônica como na letra da Caravana do Delírio, uma das bandas favoritas do próprio Johnny: “o povo unido sempre sai ferido” (...) “ te cuida, meu filho, não deixa o sistema nervoso”. Cinismo em baldes, descrença mas não falta de inteligência, “o belo travesseiro do caos”, apregoado pelo filósofo romeno Emil Cioran aplicado à cidade.

Talvez um dia, na saída do aeroporto, vejamos um cartaz de Procura-se. Nele, a foto do nosso Hooker e abaixo, seu crime: transformar jovens machos bairristas pernambucanos em bichas céticas e abusadas.

Go Johnny, go!

Segunda-feira, Julho 27, 2009

OUVINDO O TEMPO PASSAR

Era uma dessas tardes de verão na década de 80, quando ninguém se preocupava em usar protetor solar, não se falava em aquecimento global e tínhamos a certeza juvenil de que seríamos eternos e saudáveis mesmo que tomássemos todas as drogas e bebêssemos garrafas e mais garrafas de vinho barato nas noites tediosas daquela pequena cidade. A Modinha - loja de discos obsessivamente visitada por nós, adolescentes em busca de novidades – trazia em sua vitrine um disco que me fez sonhar desde a capa, uma foto de dois caras com roupas de jaqueta de couro preto, o da direita portava um infame bigodinho sob o bico afetado dos lábios; o da esquerda, de óculos escuros, tirava um pacote do que parecia ser alguma droga do casaco. No alto, à esquerda, o nome do grupo: Soft Cell. Os dois eram, evidentemente, duas bichas desavergonhadas, chocantes em qualquer parte do mundo e mais ainda naquele lugar onde “os homens eram homens e as mulheres tinham que ter senso de humor”.
Fiquei encantado com a síntese visual da capa do LP e logo, já em casa, com a agulha deslizando pelos sulcos do disco lentamente entrei num mundo de perversões, vícios, duplas identidades, amores dramáticos e hiper-sexualizados. A narrativa que começava na capa se estendia nas letras, num conceito forte e como um bom livro nos puxava da realidade ensolarada para um mundo misterioso desde que dispuséssemos do tempo suficiente que o álbum nos pedia.
A década de 80 ainda cheirava a ditadura com seu obscurantismo e horror à diferença, não era tão fácil ter acesso às informações, não havia internet e cada disco que chegava, cada revista ou livro adquirido era saboreado como uma especiaria rara trazida por algum Marco Pólo contemporâneo de alguma parte distante do planeta. Degustava-se lentamente cada álbum, faixa a faixa, encarte à mão, decifrando as letras, absorvendo o completo conceito do artista.
Os anos 80 eram lentos, vagarosos e modorrentos...
Aí chegou a web com suas ramificações que quebravam a noção de distância e tempo; os relógios aceleraram, o dia podia ser noite pois, repentinamente, estávamos num limbo além da nossa posição geográfica. Se antes esperava-se um mês até a chegada de um disco novo, agora podia-se ter a discografia inteira do artista em apenas algumas horas de download, além de informações recentes, fofocas, fotos e até mesmo a sensação de contato direto com seu ídolo. HDs saturados de músicas de várias categorias, coleções imensas de coisas que jamais seriam ouvidas ou, se ouvidas, sempre com o dedo no fast forward, em busca da batida perfeita, da melodia grudenta, numa seletividade frenética, implacável, acelerada pela quantidade da oferta, um restaurante self service cultural onde come-se com os olhos e enche-se o prato de porções de tudo o que se oferece, movidos por uma gula sem harmonia, uma fome voraz além do que o corpo realmente precisa.
Mudou-se o modo de ouvir música. A geração que cresceu com a internet, com seus MP3 players lincados permanentemente nos ouvidos, conexões de banda larga em constante transmissão de dados, overdoses de hypes e tendências ultra segmentadas movidas por boatos mitificadores, conseguiu desvirtuar – não falo com um sentido moral, mas sim por sua própria natureza transformadora - o que seria um paraíso democrático de conhecimento e, paradoxalmente, achatou padrões sob a forma de compressões destinadas a ter níveis de áudio sempre altos, sem a dinâmica som/silêncio que é uma das características mais interessantes da música.
Não se ouve mais discos inteiros mas apenas faixas isoladas, o que modifica o antigo modo de criação - antes baseado num conceito total do álbum - com introdução, climas, ápices, final, enfim, a narrativa lítero-musical. A música destinada a essa geração é urgente e sintética, abstrata em sua forma virtual, sem corpo físico, um recado breve e direto, com prazo de validade curto pois o tempo encolheu e a vida segue num trem de alta velocidade...
O vinil continua sendo uma opção slow food ao consumo superficial de música, o prato pensado pelo chef obstinado em criar a obra perfeita que nos arranque da mediocridade das nossas vidas, que nos faça sonhar em cada sulco percorrido, o objeto que enche nossos olhos pela beleza gráfica da capa, o brinquedo lúdico que, como mágica, faz um mar de sons invadir a sala de estar afundando-nos na música, doce música.

Domingo, Maio 11, 2008

O rei do pedaço

Todos querem ser reis! Há um lado alimentado por supostas intenções idealistas, que serve para impressionar quem acredita nisso, mas a mais pura realidade é que queremos ser reis para moldar o mundo ao nosso gosto, adequado aos nossos maiores caprichos. (Comentário sussurrado pelo velho Friedrich Wilhelm Nietzsche, “humano, demasiado humano”).

Mas a verdade é que poucos conseguem reinar de forma absoluta como Seu Leo, dono do bar/reino que leva o seu nome, bem ali, no mercado municipal de São Luis, no Maranhão, norte do Brasil.

O reino do Seu Léo não é grande e não precisa de fortificação. Reconhecido pelo povo, ele é respeitado e não teme invasões bárbaras. No início era apenas um barraca de cerveja e petiscos mas com o tempo Seu Léo, o conquistador, espalhou uma decoração característica pelo corredor do mercado e ampliou seu domínio em, pelo menos, uns 16 metros quadrados. Peças que evocam a música brasileira e o artesanato maranhense dominam as paredes de modo único, sem que seja necessário placas ameaçadoras de advertência.

As fronteiras do Bar do Léo estão demarcadas pela música. Ele é o único DJ autorizado a tocar, ele é quem manda no gosto alheio e ai de quem reclamar: terá o visto cassado e alguma dificuldade para obtê-lo de volta. Visto de trabalho, nem pensar! Estrelas da música popular brasileira com Zeca Baleiro e Fagner tiveram o work permit negado para uma jam rápida e sabe-se apenas de uma exceção, o recheado Ed Mota , que teve direito de tocar uns acordes e balbuciar umas sílabas bossanovísticas .

Fanático por café, Seu Léo dorme pouco e trabalha muito. De manhã até o começo da madrugada, lá está ele, à frente de sua vasta coleção de CDs, espalhando sua cultura musical para as barracas de peixe e quando cai a noite, para boêmios inveterados.

Visitar terra tão peculiar não carece muito dinheiro, apenas o valor de uma cerveja e, se a fome apertar, um pratinho da deliciosa tripa frita que tem gosto de quero-mais.

Ah,, uma dica: se ele tocar “Ave Maria do Morro” significa que é hora de voltar para casa. E nem tente contrariar o imperador....

Sexta-feira, Outubro 06, 2006

Minha casa fica suspensa no ar sobre o Rio Capibaribe.Não flutua de fato mas assim a imagino. Pela janela vejo rio seco nas manhãs que anunciam o verão ardente que chegará um dia na minha cidade depois desse período de chuvas que costumamos chamar de inverno. No fim da tarde o rio torna-se cheio e frequentemente barcos solitários se arriscam à pesca de peixes diminutos como a fartura desses pescadores.

Um vento constante traz pequenos barulhos da rua para dentro de casa. O Recife sopra sua música nos meus ouvidos ...

Sexta-feira, Junho 23, 2006

Pegando um bronzeado na Suécia

As revistas pornôs suecas educaram uma geração a qual pertenço, uma era de sombras e moralismo hipócrita, misto de teocracia e militarismo. Assim era o Brasil das meus dez anos de idade, na distante Aracaju. Cada revistinha sueca – podiam ser dinamarquesas, mas o registro que ficou é que eram suecas – promovia uma pequena orgia visual entre os meninos enquanto as garotas – já em pleno exercício do peculiar cinismo feminino - fingiam não se interessar por aquelas fotos de corpos pálidos e magros, expostos em posições sexuais que duvidávamos nossos pais fossem capazes de fazer.

Depois da primeira olhada, as meninas eram as mais ávidas e seguiam-se comentários como “nunca vou fazer isso com meu marido”, ou “que horror” para mais uma devoradora varredura visual no que era a coisa mais próxima de um manual de sexualidade que chegava em nossas mãos.

Agora estou de volta a Suécia, em Gontomborgue, em pleno verão, vestindo camisetas e reclamando do sol quente queimando meu corpo. Talvez apenas eu reclame pois a população local rola na grama dos parques e cobre-se de trajes minúsculos para melhor aproveitar os poucos dias de pleno verão numa terra que se caracteriza por longas noites de frio intenso e introspecção. Antes eu já havia estado em Mälmo, num grande festival internacional que cobria toda a cidade e, desde aquela época me perguntava onde estava toda aquela permissividade sueca das minhas memórias juvenis. Calados, fechados em si, não ha sequer uma troca de olhares ou um gesto sedutor entre esses seres da raça humana. A nudez é tão banal que se esvazia de sensualidade e o respeito – ou seria medo – do próximo deve ter raízes fortes nessa cultura a ponto de inibir gestos maiores de alegria e tristeza.

Alcool e cigarros são tão perseguidos que as crianças olham com nojo para os fumantes e beber uma saideira é coisa que não faz parte do repertorio desses galegos contidos. Como em qualquer cultura reprimida, basta uma cabelinho de sapo para que a liberdade se torne libertinagem. Junks sombrios se esgueiram pelas ruas, alcoólicos enlouquecidos discutem com fantasmas interiores e, voltando para o hotel depois do show, pude contemplar o esporte favorito entre as jovens suecas embriagadas: o ass hooker ou, traduzindo livremente, queda de bunda, uma variação da queda de braço só que com duas moças deitadas no chão numa posição que, agora sim, me fazia retornar aos bancos da quarta serie.

Sábado, Junho 10, 2006

Da lama ao caos

É junho e estou em pleno carnaval. Alguém pôs algo em meu drinque? Não, é que estou em Berlin e nesse período pré-Copa do Mundo a farra começa cedo com um bizarro carnaval à moda alemã. Cheguei até aqui trazido pelo pessoal da Radio Multi Kulti para uma aparição breve em sua transmissão especial no meio da folia.
La fora, imigrantes indianos desfilam carros alegóricos incensados em aromas exóticos, seguidos por uma fanfarra composta em sua maioria por galeguinhos e galeguinhas que, gradualmente, aceleram a musica até o limite do hardcore, tudo acompanhado por curiosos olhos claros. Suas mentes devem estar dançando, mas seus corpos estão paralisados. Movimento apenas nos dedos indicadores, disparando fotos com câmeras digitais.
Exótico, sem duvida, mas nem tanto quanto o afoxé baiano que envolveu participantes e publico com uma intensidade genuína. O contrario disso foi o fiasco apresentado pelos caras do Jazzanova na Casa das Culturas do Mundo, um DJ set baseado em hits da MPB da década de oitenta, bobo e com o pior do gênero tipo, Djavan!
Na noite anterior, o Bonde Faz Gostoso, liderado pelo figura que se auto-intitula Rogério, o Fenômeno, com participação de um dos MCs do Bonde do Vinho trouxe o baile funk vivo e esperneando para o publico alemão. Reação: homens embasbacados pela audácia das dançarinas, mulheres – brasileiras, claro – derramando libido na pista esvaziada de locais. Sem entender as letras e fora do ambiente dos bailes e seus poderosos sound systems, os pancadoes perdem a força. Mesmo asssim, por aqui, já estão associados a cultura brasileira, assim como o samba e aqueles drumanbeissinhos fuleiros com samples de violão.
Pois e: tem gente que ainda se importa com drum’n’bass! E caras como Doc Scott e os heróicos Metalheadz, diretamente de Londres, assombram as noites iluminadas da cidade com batidas a mais de 180 BPM enquanto festas ao estilo Bollywood se proliferam em tracks cada vez mais incríveis num equilíbrio entre a completa cafonice e batidas perfeitas. Para se jogar no curry!!!
Falando em pista cheia, em outro ponto da cidade, festeiros 24 horas recebiam Ricardo Vilalobos e Carl Craig no club Panorama, o lugar em que as portas estão sempre abertas para o hedonismo clubber.

Do caos à lama

Nada mais bacana que andar rápido, sem parar – estilo Jack Kerouac – enquanto as trilhas sonoras se alternam nos restaurantes, lojas, bares e mesmo em traillers de lanches. Ouve-se de tudo nessa Babilônia sonora: banghras, calypso, reggae, rock clássico, reggaeton – em baixa depois do estouro no ultimo verão – tecno e os indefectíveis tracks de lounge music – “lounge e um lugar que não existe”, diria o gaiato.
Para cada estilo musical, um estilo de vida, um pedaço de cultura deslocado, se instalando em outro pedaço de mundo. Éticas diferentes, vidas cruzadas, confrontos lingüísticos. Isso sim podemos chamar de diversidade cultural.
Recife, minha cidade ensolarada, tanto quanto equivocada, se ufana anacronicamente do curto período da presença holandesa. O tipico orgulho que o cachorro tem do seu dono.

Um homem roubado nunca se engana

Bootlegs – ou smash ups -, tão citados nessa coluna, são faixas não autorizadas, versões que fundem outras musicas em hibridos, geralmente voltadas à pista de dança. Na rua onde estou hospedado tem uma lojinha com bootlegs em vinil. Graciosos sete polegadas com In the ghetto, do repertorio de Elvis em versão dub jamaicana ou um insolito encontro entre os Beastie Boys e o Gordo e o Magro, maxi-singles em que o atormentado Jim Morrison sacode as ancas ou um incrível remix pirata de jazz etíope.
As copias tem tiragens caseiras e não tem selo, por isso são chamados de white labels (selos brancos, literalmente, por não ter nada impresso no papel que fica no centro do disco).
Multiculturalismo fonográfico, sem fronteiras, independente de critica e de executivos, de DJs para DJs.

Segunda-feira, Junho 05, 2006

Tavares!!!

São duas horas da manhã na Praça Vermelha. Turistas, nativos, policiais e músicos perdidos mundo afora como eu circulam maravilhados diante da beleza extravagante das construções locais, sopas de pedras cosmopolitas sob as intenções arquitetônicas do cristianismo ortodoxo.
Moscou é a Nova Iorque do leste europeu - e bem mais doida! -, catalisadora multiracial, pátria de expatriados, a cidade que nunca dorme. O trânsito nas largas avenidas parece ter a mesma intensidade seja às duas da tarde, seja na madrugada fria e iluminada. Para aquecer, uns goles de vodka, acompanhados pelo tira-gosto local composto de um picles de pepino enrolado por uma fatia generosa de gordura suína.
Meu amigo, Oleg, bate no peito - um gesto tão popular por aqui - para afirmar que “nós vencemos todas as guerras em que entramos”. No entanto, nas lojas modernas de Moscou, as prateleiras se enchem do pop ocidental mais vagabundo e achar discos de música russa fora do padrão americano é trabalho de garimpeiro. Talvez seja uma reação ao passado, tempos duros em que a molecada tinha acesso ao rock - proibido pelo regime - em fitas cassetes mil vezes copiadas ou em precários discos de acetato feitos com sobras de folhas de raio X. Pelo mesmo motivo concertos de bandas new wave da década de 80 atraem quarentões - agora já comportados pais de família - aos milhares, em busca do tempo perdido.
Nas inúmeras barracas enfileiradas na calçada, a pirataria controlada pela máfia manda bem e pode-se comprar DVDs legendados em russo do recém lançado Código da Vinci, CDs com novos hits da MTV ou a versão mais recente de softwares da microsoft por poucos rublos. Acesso a internet ainda é coisa cara e difícil de achar mas a visão de negócios dos piratas não perdeu tempo na hora de faturar com a web. Sites em russo - como o www.binural.ru -, hospedados em negligentes servidores locais, disponibilizam quase tudo o que for sucesso em aúdio, vídeo e softwares de um modo tão descarado e simples que faz a gente refletir mais uma vez sobre o futuro da indústria cultural na era digital.
PS: Já ia esquecendo: o Tavares do título era o cumprimento comum durante o regime socialista, algo como o camarada, popularizado entre nós em filmes de espionagem.

Moscovitas

O que fui fazer em Moscou? Fui tocar durante o lançamento de uma marca de cerveja brasileira por aquelas bandas. Do palco a céu aberto eu contemplava 12 graus, de chuva e frio. Na platéia, a molecada de jeans e camiseta parecia acreditar que aquilo era mesmo verão - para eles deve ser - e se jogava na lama tipo, to nem aí.
Depois do show, uma esticada numa club local. Alguém que parecia ser o gerente recebe nossa trupe - paletó de veludo, camisa aberta e nada de gavata - com garrafas de black vodka. Minha amiga pergunta se ele é o dono do club, mais ou menos, é a sua resposta. O alemão ao lado susurra que na verdade, ele é o dono do bairro.
A máfia é uma instituição tão forte quanto os pequenos ovos/porta-jóias cravejados de brilhantes na cultura russa.

Biscoitos finos

Disco é o melhor presente e se for em vinil e compacto, melhor ainda. Acabei de ganhar dois bem bacanas: o Raconteurs, badalado projeto paralelo de Jack White - o carinha do White Stripes - é simpático e despretencioso, de um lado tem Steady, as she goes, do outro, Call it a day; em outra praia, Gnarls Barkley soa como o encontro do DJ Shadow com o Outkast em Just a thought e simplesmente pop de primeira em Crazy.